Estreando com expectativas altas, Os Abandonados chegou à Netflix prometendo misturar faroeste, drama familiar e disputas de poder em pleno Washington de 1854.
Mesmo com elenco estrelado e uma premissa atraente, a produção terminou a jornada inicial como um dos lançamentos mais contestados do ano, acumulando avaliações negativas e apenas 25% de aprovação no Rotten Tomatoes.
Do que trata Os Abandonados?
A série acompanha o duelo entre duas matriarcas. De um lado, Constance Van Ness, magnata da mineração disposta a expandir seu império. Do outro, Fiona Nolan, líder de uma família formada por quatro filhos adotivos — Elias, Dahlia, Albert e Lilla. A disputa por terras no território de Washington é o motor da narrativa e, teoricamente, deveria sustentar a primeira temporada de sete episódios.
Embora o embate tenha potencial dramático, críticos apontam que o roteiro espalha a atenção em tramas paralelas, desviando do conflito principal. Resultado: o cerne do faroeste fica em segundo plano, e a série perde força logo nos capítulos iniciais.
Encolhimento de episódios gera ritmo irregular
Inicialmente anunciada com 10 capítulos, Os Abandonados chegou ao catálogo com apenas sete — alguns, inclusive, têm menos de 40 min. Esse enxugamento afetou diretamente o desenvolvimento de arcos e relacionamentos. Personagens surgem prontos, conflitos são resolvidos às pressas e o desfecho parece abrupto, como se faltassem pedaços inteiros da história.
Para os avaliadores, o ritmo desigual impede que o público se conecte com os membros das famílias Nolan e Van Ness. Sem tempo para evoluir, eles entram e saem de cena sem deixar marcas, o que desperdiça os dramas pessoais que poderiam aprofundar a série.
Problemas de produção nos bastidores
Relatos indicam que Kurt Sutter, criador da proposta, deixou o projeto antes do fim das filmagens. A saída teria provocado refilmagens extensas e um processo de edição prolongado. Segundo os críticos, esses percalços comprometem a coesão do enredo e ajudam a explicar lacunas narrativas evidentes.
Além das questões de roteiro, o público percebeu falhas técnicas. Efeitos visuais inconsistentes, cenas noturnas com iluminação deficiente e transições bruscas dominam os episódios. Na visão dos analistas, tais deslizes reforçam a sensação de que a série perdeu sua identidade criativa após as mudanças internas.
Subtramas que começam e desaparecem
Outra queixa recorrente envolve personagens introduzidos com aparente relevância, mas que somem sem explicação. Traficantes de armas, colonos rivais e figuras externas entram no jogo apenas para desaparecer logo depois, esvaziando a tensão que deveria impulsionar o drama.
Imagem: Internet
A decisão de dividir a atenção em múltiplas linhas narrativas, sem tempo para desenvolvê-las, dilui o peso da rivalidade entre Constance e Fiona. Quando o episódio final chega, o gancho para uma possível segunda temporada não basta para compensar a falta de conclusão de muitos desses fios soltos.
Núcleo familiar sofre com pouco desenvolvimento
Os filhos adotivos de Fiona, por exemplo, são apresentados com traços marcantes, mas não evoluem. Elias carrega um passado violento, Dahlia luta por aceitação, Albert questiona a figura materna, e Lilla demonstra frustração com a vida na fronteira. Entretanto, cada um segue sua trama isolada, sem cruzamentos significativos ou progressões visíveis.
Do lado dos Van Ness, o cenário é semelhante. Os jovens herdeiros aparecem para cumprir funções pontuais e desaparecem em seguida, limitando o impacto emocional da disputa de terras e reduzindo a tensão familiar que poderia sustentar Os Abandonados.
Recepção crítica: 25% de aprovação
No Rotten Tomatoes, o índice de 25% reflete o descontentamento da imprensa especializada. Muitos veículos classificaram a série como um produto que desperdiça elenco talentoso em meio a escolhas narrativas irregulares. O veredito dominante: boas ideias, execução falha.
Entre os poucos elogios, destacam-se as atuações das protagonistas, que conseguem imprimir carisma e firmeza às matriarcas. Ainda assim, sem um roteiro sólido para sustentá-las, até mesmo esses momentos se perdem na montagem inconsistente.
O futuro da produção
A temporada termina com abertura para continuação, mas a combinação de críticas e incertezas nos bastidores coloca um ponto de interrogação sobre os próximos passos. Caso a Netflix decida renovar Os Abandonados, será necessário reavaliar foco, ritmo e desenvolvimento de personagens para reconquistar a confiança do público.
No momento, a série permanece como um caso emblemático de como problemas de produção podem comprometer até as premissas mais promissoras. Para quem acompanha o BlockBuster Online, fica a pergunta: será que uma eventual segunda temporada conseguirá resgatar o potencial deste faroeste conturbado?
