A segunda temporada de Percy Jackson e os Olimpianos desembarcou no Disney+ em 10 de dezembro com dois episódios que misturam aventura, humor e drama. O reencontro com os semideuses é empolgante, mas a narrativa exibe momentos acelerados demais e trechos que se arrastam.
Mesmo assim, a produção mantém o charme que conquistou fãs ao redor do mundo e mostra a evolução do trio principal. Há novos desafios, mudanças em relação aos livros e personagens adultos que ganham destaque, sinalizando caminhos promissores — ainda que nem tudo seja perfeito.
Reencontro no Acampamento Meio-Sangue mergulha no caos
Depois de um ano afastados, Percy (Walker Scobell) e Annabeth (Leah Jeffries) retornam ao Acampamento Meio-Sangue e descobrem que quase nada continua igual. Grover (Aryan Simhadri) desapareceu, a árvore de Thalia foi envenenada e monstros espreitam cada canto. Para piorar, o novo diretor é Tântalo (Timothy Simons), figura tirânica que transforma treinamentos em tormento.
A temporada introduz rapidamente o conflito central e estabelece a urgência da missão: encontrar o Velocino de Ouro, recuperar o amigo perdido e salvar o lar dos semideuses. A tensão fica clara desde os primeiros minutos, evitando exposições longas e marcando um contraste com a estreia da primeira leva de capítulos.
Trio protagonista evolui e mantém química afiada
Walker Scobell continua convincente como Percy, equilibrando bravura adolescente e vulnerabilidade. Leah Jeffries aprofunda os conflitos internos de Annabeth, entregando nuances emocionais que reforçam o peso de suas escolhas. Já Aryan Simhadri preserva o humor característico de Grover, mesmo surgindo menos em tela nos episódios iniciais.
A conexão entre Percy e Grover permanece um dos pilares da série, enquanto o distanciamento entre Percy e Annabeth aparece como decisão narrativa que ainda precisa maturar. Segundo os roteiristas, a antecipação da Grande Profecia motivou essa tensão, mas o resultado soa um pouco artificial e deve ser lapidado nos próximos capítulos.
Tântalo e Hermes roubam a cena entre os adultos
Entre os deuses e criaturas mais velhos, Timothy Simons domina como Tântalo. O ator alterna cinismo e ameaça constante, transmitindo o desconforto que o personagem causa nos livros de Rick Riordan. Sua presença transforma simples diálogos em momentos de tensão palpável.
Lin-Manuel Miranda, por sua vez, surpreende ao oferecer camadas emotivas a Hermes. A sequência em que o deus implora ajuda para o filho Luke injeta humanidade na narrativa e figura entre os pontos altos desses primeiros episódios.
Alterações do livro para a série funcionam, mas há ressalvas
A equipe criativa mexeu em vários elementos de O Mar de Monstros. A introdução de Tyson (Daniel Diemer) ficou mais orgânica, surgindo com naturalidade durante um ataque de mantícoras. A corrida de bigas, usada como gatilho para a nova missão, é uma solução ágil que agrega dinamismo à trama.
Imagem: Internet
Outro acerto está na revelação antecipada de que Luke envenenou a árvore de Thalia. Como o arco do personagem sempre apontou nessa direção, a mudança evita mistérios desnecessários e acelera o conflito interno do acampamento.
Ritmo irregular ainda incomoda
Apesar dos avanços, a produção patina no equilíbrio entre ação e desenvolvimento de personagem. O início do episódio 1 parece correr para apresentar desafios, enquanto certas cenas expositivas prolongam-se além do necessário. Essa gangorra narrativa quebra a imersão em alguns momentos.
Tyson, apresentado rapidamente como meio-irmão de Percy, carece de profundidade nos diálogos iniciais. A expectativa é que os capítulos seguintes explorem suas inseguranças e reforcem o vínculo familiar para evitar que o personagem pareça raso.
Grande Profecia surge, mas carece de impacto
A série optou por introduzir a Grande Profecia mais cedo do que nos livros. A ideia é interessante no papel — afinal, ela molda o futuro de Percy —, porém a execução até agora não entrega o peso dramático esperado. A profecia aparece de forma abrupta, sem o preparo emocional que costuma acompanhar revelações desse porte.
Se o roteiro dedicar tempo a explicar as consequências e envolver os personagens na discussão sobre destino, o elemento pode se tornar o motor principal da temporada. Caso contrário, corre o risco de passar como mero detalhe expositivo.
Expectativas para os próximos episódios
Mesmo com oscilações, a série exibe potencial para superar a temporada anterior. O equilíbrio entre aventura, humor e emoção continua presente, sendo este o ingrediente que transformou Percy Jackson em fenômeno literário e audiovisual. Se conseguir domar o ritmo e aprofundar coadjuvantes, a produção tem tudo para consolidar-se como uma das adaptações mais sólidas do Disney+.
No fim das contas, o público do BlockBuster Online e de outras comunidades geek ganha uma continuação envolvente, que honra o material original e se permite arriscar. A maratona já começou, e os fãs agora aguardam ansiosos pelos próximos desafios que aguardam Percy, Annabeth e Grover.
