Chegou à Netflix a produção Togo, longa-metragem que resgata a dramática corrida do soro de 1925 no Alasca. Com Willem Dafoe no papel do musher Leonhard Seppala, o filme coloca no centro das atenções o cão que puxou o trenó por mais de 250 milhas em condições extremas.
Muita gente se pergunta se os feitos mostrados na tela aconteceram mesmo. A resposta rápida é sim, mas o roteiro tomou algumas liberdades para condensar personagens e acontecimentos. Abaixo, o BlockBuster Online detalha o que se manteve fiel aos registros históricos e o que foi adaptado para caber em pouco menos de duas horas de cinema.
Togo na Netflix: a epidemia de difteria que colocou Nome em alerta
O ponto de partida do filme — e da história real — é a epidemia de difteria que assolou Nome durante o inverno de 1924-1925. Sem estoque de antitoxina, o único médico local, Curtis Welch, confirmou rapidamente os primeiros óbitos e soou o alarme. O porto estava congelado, e os aviões da época não suportavam voar naquelas temperaturas. Restou convocar trenós puxados por cães.
O governo do território organizou então um revezamento de quase 1.100 quilômetros entre a cidade de Nenana e Nome. Vinte equipes participaram, mas coube a Leonhard Seppala e ao já veterano Togo, então com 12 anos, percorrer o trecho mais longo e perigoso, atravessando o instável Estreito de Norton sob sensação térmica de –65 °C.
Quem foi Leonhard Seppala e por que escolheu Togo como líder
Leonhard Seppala era norueguês radicado no Alasca e criador de cães de trenó. Conhecido por vencer corridas como a All Alaska Sweepstakes, ele acreditava que Togo seria pequeno demais para competir. O filme acerta ao mostrar que o filhote, considerado frágil, foi doado a um vizinho.
Também confere a história da fuga cinematográfica de Togo: semanas depois de ser realocado, o cão percorreu quilômetros até quebrar a janela do canil de Seppala e se reunir ao antigo dono. O ato de bravura rendeu o nome inspirado no almirante japonês Tōgō Heihachirō e selou sua posição de líder da matilha.
Momentos heroicos: do salto no gelo ao revezamento final
Togo na Netflix mostra a travessia do Estreito de Norton, quando a equipe precisa saltar para a margem antes que placas de gelo se partam. Documentos da época confirmam que Seppala dependia do instinto de seu cão para detectar fissuras no gelo fino. Esse salto, portanto, não é invenção de Hollywood.
Após completar mais de 250 milhas — o equivalente a quase metade de todo o percurso — Seppala entregou o soro a Charlie Olson, que por sua vez passou o pacote a Gunnar Kaasen. Kaasen liderava o trenó comandado por Balto, responsável pelo trecho final até Nome. Essa cadeia de revezamento evita glamorizar apenas um herói, algo que o filme debate explicitamente.
Balto virou lenda; Togo ficou nos bastidores
Quando a missão foi concluída, jornais do mundo inteiro estamparam a imagem de Balto, o cão que cruzou a linha de chegada. Uma estátua foi erguida no Central Park, em Nova York, e Balto virou sinônimo de bravura canina. Já Togo, mesmo tendo percorrido a distância mais longa, foi relegado a segundo plano por décadas.
A produção da Netflix corrige essa distorção histórica ao destacar o esforço de Togo e de Seppala. Relatos posteriores, inclusive de veterinários e historiadores, reconhecem que sem a dupla a corrida do soro dificilmente teria sucesso.
Imagem: Internet
O que o filme mudou em relação aos fatos
Ainda que bastante fiel aos registros, Togo assume liberdades dramáticas. Algumas interações entre Seppala e sua esposa, Constance, foram simplificadas. O roteiro também comprime o cronograma para aumentar a tensão, fazendo parecer que toda a trajetória ocorreu em uma mesma noite — na realidade, o revezamento levou cerca de cinco dias.
Outra alteração envolve o destino final do cão. No longa, Togo permanece com Seppala até o fim da vida. Na história real, o musher doou seu parceiro à treinadora Elizabeth Ricker, no Maine, onde o animal passou seus últimos anos ainda participando de exibições públicas.
Legado de Togo e influência na cultura pop
Por décadas, Balto dominou livros infantis, programas de rádio e até um filme animado da década de 1990. A recente produção da Netflix reacende o debate sobre protagonismo e reconhecimento, colocando Togo no centro das atenções que sempre mereceu.
Além disso, a história estimula novas discussões sobre como os direitos dos animais e o treinamento de cães de trabalho evoluíram. Pesquisadores utilizam a jornada de 1925 como estudo de caso em avanços veterinários e logística de resgates em áreas inóspitas.
Impacto na plataforma de streaming
Desde sua estreia, Togo figura entre os títulos mais assistidos da Netflix no Brasil. A mistura de aventura, drama biográfico e cenários congelantes atrai fãs de histórias reais e amantes de animais, reforçando o apelo da plataforma por narrativas baseadas em fatos.
Por que assistir Togo na Netflix hoje
Para quem busca entender como um cão de trenó idoso virou herói, o longa é indispensável. Willem Dafoe entrega uma atuação contida, porém poderosa, enquanto as sequências nos campos de gelo destacam a coragem necessária para enfrentar o inverno do Alasca em 1925.
Se o espectador deseja separar mito de realidade, o filme fornece base sólida e emociona sem sacrificar a veracidade histórica. Mesmo com adaptações pontuais, Togo na Netflix cumpre a tarefa de registrar um feito extraordinário e oferece novo olhar sobre coragem, lealdade e parceria entre homem e animal.
