Uma das vilãs mais emblemáticas da cultura pop, Rita Repulsa reina no imaginário dos fãs de Power Rangers há três décadas. Ainda assim, a feiticeira passou de ameaça galáctica para alívio cômico à medida que a franquia avançou.
Agora, com o reboot de Power Rangers no Disney+, comandado por Dan Shotz e Jonathan E. Steinberg, surge a chance de restaurar o perigo que Rita exibiu no longa de 1995. A nova produção pretende equilibrar nostalgia e modernidade, criando um universo capaz de atrair antigos e novos espectadores.
Quem está por trás do novo projeto
Os showrunners escolhidos já têm experiência em reimaginar grandes propriedades intelectuais. A dupla cuida de Percy Jackson e os Olimpianos, também no Disney+, e recebeu sinal verde para liderar a repaginação completa dos Rangers. A expectativa é aplicar a mesma atenção a detalhes, orçamentos robustos e construção de mundo vistos em Percy Jackson.
Shotz deixou claro, em declarações recentes, que o objetivo é “honrar o legado e, ao mesmo tempo, levar a franquia a lugares onde ela nunca foi”. Em outras palavras, o reboot de Power Rangers no Disney+ quer romper com a estética excessivamente colorida e previsível de algumas temporadas passadas, sem descartar os elementos que transformaram a marca em fenômeno global.
O que muda com o fim de Cosmic Fury
Cosmic Fury marcou a despedida da fase atual de Power Rangers, encerrando arcos e personagens que vinham desde Dino Fury. Com o ponto final dado, o caminho está livre para uma nova cronologia ou, pelo menos, um soft reboot que simplifique décadas de mitologia.
Para Rita Repulsa, isso significa oportunidade de ganhar uma origem coesa. Anteriormente, sua história era espalhada por episódios isolados, HQs e referências contraditórias. O streaming permite costurar tudo em um enredo único, claro e impactante.
Por que Rita Repulsa perdeu a força ao longo dos anos
Quando surgiu em 1993, Rita encarnava o caos cósmico. Seu cetro lançava feitiços capazes de destruir cidades, e suas criaturas ameaçavam até Zordon. Porém, limitações financeiras, troca de roteiristas e a necessidade de tornar o programa mais “familiar” suavizaram a vilã.
Com o tempo, seus planos ficaram formulaicos: mandar um monstro, ver o vilão crescer de tamanho, sofrer a derrota. Essa rotina reduziu a sensação de risco. A produção, presa a prazos apertados e a material de Tokusatsu reaproveitado, optou por transformar Rita em uma caricatura gritona e divertida.
Consequências dessa caricaturização
A perda de intensidade da antagonista trouxe desdobramentos diretos na narrativa. Sem um conflito real, o senso de urgência desapareceu, e o público adulto passou a enxergar a série como previsível. Enquanto isso, outras franquias infantojuvenis investiram em roteiros mais densos, deixando Power Rangers preso ao estigma de “camp”.
Para o BlockBuster Online, a diferença entre a Rita de 1995 e a Rita das temporadas televisivas é quase um estudo de caso sobre como vilões impactam a percepção de uma saga.
Como o reboot de Power Rangers no Disney+ pode recuperar o terror de Rita
Com orçamento maior e liberdade criativa, a produção pretende reconstruir os poderes da vilã. Em vez de raios genéricos, a magia de Rita pode manipular realidade, distorcer tempo e corromper matéria. Cada aparição, portanto, vira uma incógnita, algo crucial para reter audiência no streaming.
Além disso, a série pode explorar suas motivações. Por que ela odeia a Terra? Qual evento a levou a desafiar Zordon? Ao responder essas perguntas, Shotz e Steinberg criam uma antagonista tridimensional, capaz de gerar empatia e medo na mesma medida.
Imagem: Internet
Visual e personalidade repaginados
O figurino extravagante — marca registrada da personagem — não precisa desaparecer. Mas adereços podem ganhar interpretação mais sombria: gargantilhas que se transformam em correntes mágicas, risadas que ecoam como feitiços hipnóticos. A ideia é usar o camp a favor da intimidação, não contra ela.
Outra estratégia envolve permitir que Rita tenha vitórias parciais. Um episódio em que ela captura um Ranger ou destrói parte da cidade criaria consequências reais e elevaria as apostas para a temporada inteira.
Benefícios de uma narrativa mais sombria
Ao devolver o caráter ameaçador à vilã, o reboot de Power Rangers no Disney+ ganha densidade emocional. Conflitos passam a ter impacto, e o crescimento dos heróis fica mais crível. Em um cenário de streaming competitivo, narrativas adultas, mesmo em produções voltadas a jovens, tendem a fidelizar assinantes.
Outro ponto positivo é a possibilidade de atrair antigos fãs que se afastaram nos anos 2000. Ver Rita novamente assustadora pode funcionar como convite nostálgico, mas com frescor de blockbuster televisivo.
O legado de 1995 como referência
Power Rangers: O Filme, de 1995, continua lembrado justamente por mostrar Rita e Lord Zedd em versão mais sombria. O filme pode servir como bússola para o tom, adaptando-se à linguagem atual e aos recursos tecnológicos de ponta.
Se a produção combinar o clima desse longa com o ritmo ágil de séries modernas, a nova Rita Repulsa tem tudo para se tornar a vilã definitiva da franquia.
O que esperar nos próximos meses
A Disney ainda não divulgou elenco nem data de estreia, mas o desenvolvimento ativo indica novidades em 2025. A fase de roteiros já começou, e as primeiras seleções de direção de arte estão em andamento.
Até lá, fãs especulam sobre retorno de personagens clássicos, novos uniformes e até uma possível invasão de planetas fora da Terra. Seja qual for o formato, o reboot de Power Rangers no Disney+ carrega a missão de consertar 30 anos de idas e vindas narrativas de Rita Repulsa.
Se cumprir a promessa, a vilã que um dia parecia inofensiva voltará a ser o pesadelo colorido favorito de toda uma geração.
