Um dos bastidores mais curiosos da indústria dos games ganhou novos detalhes. Todd Howard, produtor executivo da Bethesda, explicou por que a empresa nunca cogitou outro estúdio além da Obsidian Entertainment para assumir Fallout: New Vegas.
Em entrevista recente, o executivo revelou que a desenvolvedora já acumulava experiência em continuações de RPGs consagrados, o que a tornava a parceira ideal. A conversa também trouxe contexto sobre o período entre Fallout 3, New Vegas e o então futuro The Elder Scrolls V: Skyrim.
A Obsidian era a única alternativa, segundo Howard
Questionado pelo Game Informer sobre a decisão tomada em 2008, Todd Howard foi direto: “Eles eram a única escolha”. O raciocínio tem base forte. Antes mesmo de receber a missão de trabalhar em Fallout: New Vegas, a Obsidian havia entregado Star Wars Knights of the Old Republic II: The Sith Lords, sequência de um RPG cultuado. Esse histórico convenceu a Bethesda de que o estúdio dominava a arte de continuar histórias criadas por terceiros.
Na prática, isso significou liberdade total para a equipe liderada por Feargus Urquhart. A publisher confiou tanto que praticamente se limitou a negociar prazos e orçamentos, deixando a direção criativa quase toda nas mãos da Obsidian.
Experiência prévia reforçou a confiança da Bethesda
John Gonzalez, diretor criativo e principal roteirista de Fallout: New Vegas, afirmou que o estúdio já carregava “DNA Fallout”. O motivo? Muitos dos fundadores vieram da Black Isle Studios e da Interplay, responsáveis pelos primeiros games isométricos da série e pelo cancelado projeto Van Buren, que seria o Fallout 3 original.
Entre os nomes que migraram para a Obsidian estão Scott Everts, Chris Avellone e Brian Menze. Esse fator trouxe familiaridade com o universo pós-apocalíptico e facilitou a criação de personagens, diálogos e facções — marca registrada do título lançado em 2010.
O período de transição para Skyrim
Enquanto a parceria era fechada, a Bethesda direcionava seus estúdios internos para produzir The Elder Scrolls V: Skyrim. Sem mão de obra sobrando, a companhia precisava terceirizar o desenvolvimento de um novo jogo da franquia Fallout para manter o interesse do público até a chegada do próximo capítulo numerado. Foi aí que a Obsidian entrou em cena.
Uma única exigência: destaque às facções
Liberdade criativa não significa ausência de diretrizes. Howard revelou que a Bethesda impôs só um pedido: a mecânica de facções deveria ser o centro da experiência. O resultado ficou evidente. Quem jogou Fallout: New Vegas lembra que as escolhas do jogador afetam o equilíbrio de poder entre NCR, Legião de César, Sr. House e grupos menores, influenciando finais diferentes e incentivando múltiplas campanhas.
O sistema foi elogiado por crítica e público, rendendo ao game status de cult. Hoje, ele é frequentemente citado como um dos RPGs com melhor replay da década passada.
Imagem: Obsidian Entertainment
Rumores de remaster agitam o futuro da série
Enquanto o seriado live-action da Amazon garante visibilidade extra, crescem especulações sobre versões modernizadas de clássicos. Fontes ligadas à Microsoft apontam que um remaster de Fallout 3 teria recebido sinal verde e pode chegar antes mesmo de um eventual remaster de Fallout: New Vegas. O estúdio Virtuos, responsável por The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered, seria o principal candidato a liderar ambos os projetos.
E o que vem depois? Todd Howard já comentou que Fallout 5 só deve entrar em produção significativa após The Elder Scrolls 6, em desenvolvimento ativo desde o fim de 2023. Considerando o tamanho dos ciclos atuais de jogos AAA, é pouco provável que a próxima entrada numerada chegue antes da metade da década de 2030.
Recapitulação e impacto cultural
Mesmo lançado em 2010, Fallout: New Vegas segue influente. A narrativa aberta, o humor ácido e a ambientação de um Mojave radioativo permanecem referência para RPGs ocidentais. Com a série de TV renovada para nova temporada e possíveis remasters a caminho, a marca Fallout vive um momento de alta.
Para o BlockBuster Online, esse histórico comprova como decisões estratégicas de mais de uma década atrás continuam repercutindo. Ao escolher a Obsidian como “única opção”, a Bethesda garantiu não só um jogo marcante, mas um legado que se expande em múltiplas mídias e gera expectativas sobre o futuro da franquia.
Onde jogar e relembrar Fallout: New Vegas
Hoje, o título está disponível em PCs e consoles das gerações passadas, com retrocompatibilidade no Xbox Series X|S. Enquanto rumores de remaster não viram anúncio oficial, a edição atual ainda oferece centenas de horas de exploração em Mojave.
Para quem deseja revisitar as origens antes de um possível upgrade gráfico, vale conferir as versões digitais em lojas como Steam, PlayStation Store e Microsoft Store. Cada escolha de diálogo e alinhamento de facção continua lá, pronta para moldar — outra vez — o destino da Strip de New Vegas.
