A Blizzard prometeu que Midnight deixaria World of Warcraft mais acessível, simplificando classes e permitindo que todos “joguem do jeito que quiserem”. Porém, na prática, nem tudo são flores. Embora a expansão traga novidades como sistema de moradia e a raça Haranir, algumas escolhas continuam comprometendo desempenho.
Entre as barreiras que seguem firmes estão os bônus raciais. Eles podem parecer detalhes sob a ótica casual, mas contam no momento decisivo de uma raid ou dungeon. Na atualização, Lightforged Draenei e Renegados — conhecidos no Brasil como Undead — permanecem na lanterna das estatísticas, mesmo com a promessa de equilíbrio.
Como funcionam os bônus raciais em World of Warcraft
Desde o lançamento do jogo em 2004, cada raça oferece habilidades ativas e passivas exclusivas. Esses atributos variam entre aumento de dano, cura, redução de dano elementar e utilidades como abrir fechaduras ou teletransportar. Com o passar dos anos, novas raças herdaram kits mais modernos, enquanto algumas antigas ficaram defasadas.
No topo do ranking, costumam aparecer elfos noturnos, anões Ferro Negro, orcs e mag’har orcs. Eles combinam aumento de estatísticas principais com habilidades de mitigação ou burst de dano, algo valorizado em conteúdo de alto nível. Já na parte inferior dos gráficos de DPS e HPS, monitorados por sites como Bloodmallet, é comum ver Lightforged Draenei, Renegados e Vulpera.
O que torna Lightforged Draenei tão pouco atrativos
A raça aliada dos draenei, introduzida no patch 7.3.5, conta com a habilidade ativa Julgamento da Luz, que causa dano em área após um curto cast. Em teoria, seria um bom recurso para encontros com adds agrupados. Na prática, o dano escala mal e raramente interfere no resultado de uma luta de raid ou Mítica+, onde cada segundo importa.
O grande problema, entretanto, está na passiva Acerto da Luz. Ela só é acionada quando o personagem morre, causando dano e cura em volta do corpo. Qualquer conteúdo de progressão penaliza mortes, tornando o talento inútil. Quando comparados a Stoneform dos anões — que remove efeitos negativos e reduz dano físico — os Lightforged sofrem uma grande desvantagem competitiva.
Renegados ainda presos ao passado
Os Undead nasceram junto com WoW e mantêm dois ícones de sua identidade: Vontade dos Renegados e Canibalizar. A primeira habilidade remove efeitos de charme, medo e sono, brilha em PvP, mas perde relevância em encontros PvE modernos, onde esses controles de grupo raramente são ameaças decisivas.
Já o famoso Canibalizar requer um cadáver humanoide por perto, além de um canal de dez segundos para regenerar vida e mana. Com a chegada de Recuperar, nova cura básica compartilhada entre todas as classes em Midnight, o poder dos Renegados ficou ainda mais dispensável, pois qualquer jogador pode se curar sem depender de condição ambiental.
Comparação direta com outras opções populares
Para entender a distância que separa as piores raças de World of Warcraft das melhores, vale citar exemplos de kits que concentram valor. Anões Ferro Negro fornecem Fireblood, autolimpeza de efeitos nocivos somada a aumento temporário de atributo principal; além disso, reduzem dano físico de forma permanente. Tauren ganham 2% de dano crítico e um stun em área, útil em controle de multidão.
Mag’har orcs viraram escolha padrão para DPS corpo a corpo: o chamado Ancestral Call adapta-se à especialização, aumentando o atributo mais relevante em momentos explosivos. Somado aos 10% de velocidade a cavalo, a raça oferece mobilidade extra em corridas de tempo como Masmorras Míticas.
Imagem: Internet
Por que a Blizzard não reequilibra essas raças
Equilibrar classes já é um desafio, e ajustar raças carrega impacto cultural e estético. Muitas habilidades raciais fazem parte da fantasia do personagem, o que dificulta mudanças drásticas. Ainda assim, jogadores pedem ao estúdio que revise talentos ultrapassados ou ofereça opções de troca semelhante às mudanças de facção.
Haranir chegam já brigando pelo topo
Enquanto Lightforged Draenei e Renegados amargam baixo desempenho, a nova raça Haranir estreia com kit robusto: habilidade ativa de dano imediato, bônus de crítico aumentado em 2%, melhora em Herbalismo e experiência extra contra inimigos específicos. Para completar, recebem uma Pedra de Regresso gratuita com tempo de recarga reduzido, atributo valioso para farm de reputação e recursos.
O contraste escancara a defasagem das raças mais antigas. Jogadores que buscam otimizar performance competitiva tendem a migrar para as novas opções, deixando para trás personagens construídos há anos, salvo apego estético ou emocional.
Impacto nos rankings de DPS e HPS
Sites de simulação mostram regularmente Lightforged Draenei e Renegados no piso dos gráficos. Em algumas configurações, Vulpera exibem números ainda menores, mas compensam em utilidades digitais como oito espaços extras na mochila, campamento portátil e truque de dano ou cura. O resultado é que a raposa se mantém relevante em situações específicas, algo que os outros dois não conseguem repetir.
No cenário de raids de progressão, cada porcentagem de dano ou cura influencia no sucesso do grupo. Assim, clãs competitivos desestimulam escolhas consideradas fracas. Quem insiste na raça “meme” precisa trabalhar o dobro para compensar os pontos perdidos, criando barreira invisível na filosofia “jogue como quiser”.
Efeito na comunidade brasileira
No Brasil, fóruns e redes sociais reforçam esse sentimento. Jogadores narram dificuldade de serem aceitos em grupos pug quando utilizam Lightforged ou Undead. O BlockBuster Online acompanhou relatos de usuários que trocaram de raça apenas para evitar negativas automáticas em buscas de grupo.
Perspectivas para o futuro de World of Warcraft
Com o discurso de acessibilidade na vitrine, a Blizzard precisa revisar habilidades raciais que não acompanham a evolução do jogo. Ajustar escalas de dano, transformar passivas baseadas em morte ou oferecer troca gratuita de raça podem ser caminhos para cumprir a promessa.
Enquanto isso, a recomendação para jogadores focados em desempenho é clara: evitar Lightforged Draenei e Renegados até que mudanças cheguem. Para quem não se importa em perder alguns pontos de DPS, seguir fiel à aparência favorita continua totalmente viável, afinal novos sistemas sociais, como moradia, devem permitir personalização além dos números puros.
