Os fãs de The Sims iniciaram 2026 com um misto de expectativa e receio. O motivo tem nome e valor: a compra da Electronic Arts, avaliada em US$ 55 bilhões, por um consórcio que inclui o fundo soberano da Arábia Saudita. Desde o anúncio, em setembro de 2025, pairam dúvidas sobre o futuro da franquia e sobre possíveis mudanças em seu DNA inclusivo.
Diante dessa inquietação, a Maxis publicou um comunicado de Ano-Novo para reforçar que os valores da Maxis permanecem inalterados. Segundo o estúdio, criatividade, jogo livre e representatividade continuam sendo “a base por trás de cada escolha”. A fala mira diretamente a comunidade, que teme impactos na liberdade criativa de The Sims 4 e em projetos futuros.
Maxis renova compromisso com princípios históricos
No comunicado, o estúdio lembra que seus valores da Maxis “não mudaram desde o primeiro dia” e seguirão guiando as decisões mesmo após a mudança de controle da EA. A desenvolvedora ainda detalhou os cinco pilares que norteiam todas as versões de The Sims: criatividade, jogo, escolha, inclusão e comunidade.
Para quem acompanha a franquia, o reforço desses pilares soa como resposta direta ao debate que tomou conta de fóruns, redes sociais e canais de criadores de conteúdo. Muitos jogadores temem que a presença do fundo saudita na transação possa colidir com a defesa histórica do jogo a temas ligados à diversidade.
Cinco pilares continuam inalterados
Os valores da Maxis foram listados um a um:
- Criatividade: The Sims é uma tela em branco para a imaginação.
- Jogo: o título prospera na brincadeira e na experimentação.
- Escolha: cada decisão do jogador molda a experiência.
- Inclusão: a série é feita “para todo mundo”.
- Comunidade: feedback dos jogadores influencia o desenvolvimento.
Segundo a Maxis, manter esses cinco pontos intactos garante que The Sims continue permitindo histórias diversas, personagens LGBTQIA+ e vidas fora do padrão — características que fizeram da marca um dos espaços mais progressistas dos games de grande porte.
Preocupações sobre inclusão ganham destaque
A discussão sobre os valores da Maxis ganhou força depois que criadores influentes abandonaram o programa oficial de parceiros de The Sims. Para eles, apoiar a marca enquanto parte do lucro pode acabar ligado ao governo saudita se tornou insustentável. O país criminaliza relações entre pessoas do mesmo sexo e restringe liberdades de expressão, o que vai na contramão da filosofia do jogo.
Apesar do barulho, o estúdio insiste que continuará oferecendo ferramentas para personalizar gênero, orientação sexual e estilo de vida dos Sims. A promessa é relevante para manter engajada uma base de fãs conhecida por exigir representatividade e liberdade total de criação.
Cronograma da transação de US$ 55 bilhões
A venda da EA já recebeu aval dos acionistas em dezembro de 2025. Ainda faltam autorizações regulatórias, incluindo aprovação de segurança nacional nos Estados Unidos. Caso não surjam contratempos, a transação será concluída no primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 da companhia, período entre abril e junho de 2026.
Imagem: Internet
Com o fechamento, a EA deixará de ser listada em bolsa e se tornará uma empresa de capital fechado controlada por Silver Lake, Affinity Partners e o Fundo de Investimento Público saudita. O modelo de aquisição é alavancado, ou seja, financiado parcialmente com dívida.
Planos para The Sims a curto e médio prazo
No mesmo comunicado, a Maxis ofereceu um vislumbre sobre o futuro da série. Mais da metade da equipe global continua dedicada a The Sims 4, que receberá “atualizações de conteúdo constantes”. Além disso, o misterioso Project Rene foi descrito como “mobile-first”, reforçando a aposta em experiências multiplataforma.
Enquanto alguns fãs especulam sobre um possível The Sims 5, executivos da EA já haviam dito, em 2024, que não há pressa para lançar um título numerado. A estratégia atual mira prolongar a vida útil de The Sims 4 através de pacotes e refinamentos na jogabilidade, algo classificado pela vice-presidente Kate Gorman como “nova era” da franquia — termo que a Maxis agora chama de “próxima evolução”.
Por que a reafirmação de valores era necessária
Na visão da comunidade, o principal receio é que eventuais pressões de novos controladores coloquem em risco funcionalidades que celebram diversidade. A Maxis, porém, garante que não fará concessões nessas áreas e que continuará ouvindo feedback de jogadores, criadores de mods e influenciadores.
No BlockBuster Online, observamos que a estratégia de comunicação adotada pela desenvolvedora se alinha a um cenário em que cada vez mais fãs cobram posicionamentos claros das empresas de games. Portanto, repetir os valores da Maxis — criatividade, jogo, escolha, inclusão e comunidade — funciona como um escudo contra especulações e como garantia pública de que a essência de The Sims permanece intacta, independentemente do controle acionário.
O que vem a seguir para os jogadores
Enquanto o processo de venda não se conclui, nada muda para quem já joga: expansões, kits e eventos continuam seguindo o cronograma tradicional de lançamentos. A expectativa agora gira em torno de novidades prometidas para 2026, tanto em The Sims 4 quanto no ainda enigmático Project Rene.
Até lá, a Maxis promete manter a conversa aberta. Se a desenvolvedora cumprirá, na prática, tudo o que declarou, só o tempo dirá. Por ora, a mensagem oficial é clara: os valores da Maxis são “o alicerce por trás de toda escolha” — e não devem mudar, mesmo sob novos donos.
