A Marvel costuma buscar referências nos quadrinhos, mas, desta vez, a inspiração veio diretamente dos videogames. A diretora Nia DaCosta contou que recorreu ao filme em computação gráfica Final Fantasy VII: Advent Children ao desenvolver as sequências de luta de The Marvels, lançado em 2023.
Em entrevista recente, DaCosta explicou que cenas emblemáticas da produção japonesa, especialmente o confronto dentro de uma igreja e o clímax cooperativo que lança Cloud Strife ao céu, serviram de guia visual para a aventura do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU).
Como o filme em CGI impactou a visão da diretora
Lançado em setembro de 2005, Final Fantasy VII: Advent Children continua a ser celebrado pela animação detalhada, pela movimentação sem gravidade aparente e pelas coreografias inventivas. Essas características chamaram a atenção de Nia DaCosta, responsável por The Marvels, sequência de Capitã Marvel.
De acordo com a cineasta, duas passagens foram estudadas quadro a quadro: a batalha na igreja, marcada por saltos impossíveis e golpes em câmera lenta, e a cena final em que vários heróis impulsionam Cloud para enfrentar o inimigo principal. A ideia de cooperação e a sensação de peso reduzido foram transportadas para o embate entre Carol Danvers, Monica Rambeau e Kamala Khan contra a vilã Dar-Benn.
Advent Children é continuação direta do jogo de 1997
O longa japonês se passa dois anos após a conclusão do game lançado para PlayStation em 1997. Na trama, Cloud precisa impedir o ressurgimento de ameaças ligadas à Shinra enquanto cuida de crianças infectadas por uma misteriosa doença. O roteiro atrai fãs antigos e novos, mas o que realmente impressiona é a inovação técnica: cenários detalhados, iluminação cinematográfica e lutas que parecem coreografias aéreas.
Por que a referência faz sentido para The Marvels
The Marvels reúne três heroínas com poderes baseados em energia e luz, características perfeitas para movimentos rápidos e trocas de posição no ar. Ao adaptar a estética de Final Fantasy VII: Advent Children, DaCosta conseguiu diferenciar o filme de outras produções do MCU que costumam apostar em batalhas mais terrestres.
A diretora buscou replicar a fluidez das câmeras digitais usadas pela Square Enix, criando a impressão de gravidade zero durante confrontos espaciais. O resultado é uma coreografia menos previsível, em que os corpos giram, se impulsionam e trocam lugar no mesmo quadro, remetendo diretamente ao estilo visto na animação japonesa.
Elementos adaptados para o live-action
Embora o orçamento de Hollywood seja robusto, transportar movimentos tão exagerados para atores reais exige ajustes. A produção recorreu a cabos, captura de movimento e muitas horas de pós-produção para alcançar a mesma sensação de leveza. Além disso, a paleta de cores foi inspirada nos tons vibrantes de Midgar, cidade-ícone do game, refletidos nos campos estelares que cercam a estação espacial Saber.
Principais dados das duas produções
Confira abaixo informações essenciais sobre as obras citadas:
- Final Fantasy VII: Advent Children – Lançamento: 14 de setembro de 2005; Duração: 101 minutos; Classificação: PG-13.
- The Marvels – Lançamento: 10 de novembro de 2023; Duração: 105 minutos; Classificação: PG-13.
Elenco de destaque
Na animação, o protagonista Cloud Strife é dublado por Steve Burton, enquanto Tifa Lockhart ganha voz de Rachael Leigh Cook. Já no filme da Marvel, Brie Larson reprisa o papel de Carol Danvers ao lado de Teyonah Parris (Monica Rambeau) e Iman Vellani (Kamala Khan).
Imagem: Internet
Influência de Final Fantasy além dos videogames
A saga da Square Enix sempre se destacou por misturar dilemas morais, intrigas políticas e temas existenciais. Esse conjunto atrai não apenas jogadores, mas também profissionais do cinema que buscam novas linguagens para contar histórias. Para DaCosta, Final Fantasy VII: Advent Children ofereceu um manual prático sobre como tornar a ação grandiosa sem perder a emoção dos personagens.
A própria franquia Final Fantasy já inspirou outros artistas. Elementos de fantasia tecnológica presentes em inúmeras produções de Hollywood lembram as cidades futuristas e espadas de energia do universo criado em 1987 por Hironobu Sakaguchi.
O que diz Nia DaCosta
Em seu relato, a diretora contou que apresentou clipes de Advent Children durante o pitch para a Marvel Studios. Ela afirmou que a sequência em que diversos aliados unem forças para impulsionar Cloud serviu de metáfora visual para a sinergia entre as três heroínas. Ao citar a cena da igreja, DaCosta desejava capturar o impacto de golpes que parecem cortar o ar, algo que, segundo ela, se encaixava no tom mais leve e acelerado de The Marvels.
Recepção e legado
Mesmo considerado um dos títulos menos comentados do MCU, The Marvels recebeu elogios pela criatividade nas batalhas. Críticos apontaram que a ação soa refrescante quando comparada a confrontos mais convencionais de produções anteriores. Parte desse mérito, como revela DaCosta, vem diretamente da influência de Final Fantasy VII: Advent Children.
Para quem acompanha todas as adaptações de jogos para o cinema, essa troca de referências mostra como mídias diferentes podem se complementar. A novidade reforça o interesse do público por bastidores criativos e ajuda BlockBuster Online a mapear tendências entre indústria de games e Hollywood.
Curiosidade adicional
Antes de assumir The Marvels, Nia DaCosta dirigiu Candyman (2021) e se prepara para comandar 28 Years Later: The Bone Temple. Já o estúdio responsável por Final Fantasy VII: Advent Children segue expandindo o universo de Cloud com remakes para a atual geração de consoles.
No fim das contas, a ponte construída por DaCosta entre o JRPG da Square Enix e o MCU prova que boas ideias atravessam plataformas, idiomas e estilos. E, como esta notícia demonstrou, a animação de 2005 continua relevante quase duas décadas depois de sua estreia.
