Uma foto de um polegar “torto” foi o suficiente para reacender a discussão sobre Nintendo e IA generativa. A imagem faz parte da campanha de divulgação da coleção My Mario, voltada para crianças e prevista para chegar às lojas em fevereiro.
Nas redes sociais, fãs questionaram se o dedo fora de posição seria sinal de que a empresa recorreu a inteligência artificial para criar o material publicitário. A polêmica ganhou força num momento em que o uso de IA no entretenimento vira motivo de preocupação pelo impacto em empregos criativos.
Como começou a suspeita de IA nos anúncios do My Mario
Tudo teve início em 9 de janeiro, quando um usuário do fórum ResetEra compartilhou uma captura de tela de um post da Nintendo of America. O mosaico de fotos mostrava vários produtos da linha My Mario; no canto inferior direito, porém, um detalhe incomodava: o polegar da mãe que segurava um boneco de pelúcia parecia dobrar-se de forma antinatural, sustentando a hipótese de geração via IA.
O debate rapidamente se espalhou. Avaliar mãos é um método comum para flagrar imagens fabricadas por inteligência artificial, já que dedos tortos ou sobrepostos costumam denunciar algoritmos ainda imprecisos. Assim, a possível relação entre Nintendo e IA generativa tomou conta dos comentários.
Análise de fãs sugere foto real, mas mal editada
Conforme mais usuários investigavam o caso, surgiram argumentos contrários à teoria da IA. Padrões de tecido consistentes, iluminação igual entre os quadros e a presença de arte de fundo contínua reforçaram a tese de que se tratava de uma fotografia legítima.
No fim, muitos participantes do tópico passaram a acreditar que o “polegar quebrado” seria resultado de edição descuidada, talvez para ajustar cores ou enquadramento. Mesmo assim, a situação expôs como a percepção pública sobre Nintendo e IA generativa permanece sensível.
Nintendo já havia prometido distância da IA nos jogos
A controvérsia contrasta com declarações recentes da própria empresa. Em julho de 2024, o presidente Shuntaro Furukawa informou a investidores que a Nintendo pretende manter tecnologia de inteligência artificial longe do desenvolvimento de títulos first-party. A posição agradou parte da comunidade, preocupada com demissões em massa na indústria de games.
No entanto, o caso do anúncio infantil faz alguns fãs questionarem se a política interna mudou ou se vale apenas para produção de jogos, não necessariamente para marketing. A dúvida reforça o receio de que a porta esteja entreaberta para o uso comercial de IA.
Discussão ocorre em meio a protestos mais amplos contra IA
Além da gigante japonesa, outras vozes influentes se colocam contra ferramentas generativas. Bruce Straley, co-diretor de The Last of Us, e diversos estúdios independentes defendem desenvolvimento cem por cento humano. Alex Kanaris-Sotiriou, da Polygon Treehouse, até criou um selo “No Generative AI”, inspirado no tradicional Selo de Qualidade Nintendo, para rotular projetos livres de algoritmos.
O tema ganhou novo fôlego depois que a Nintendo negou rumores de lobby junto ao governo japonês contra a IA, especulação ligada às ações judiciais contra os criadores de Palworld por suposto uso indevido de propriedade intelectual da marca.
Imagem: Game Rant
Por que a polêmica mexe tanto com a comunidade
Nintendo e IA generativa são palavras que, juntas, causam forte reação por dois motivos principais. Primeiro, fãs veem a empresa como guardiã de uma tradição artesanal que valoriza artistas e designers humanos. Segundo, a crise de empregos na indústria torna qualquer sinal de automação um gatilho imediato.
Para parte do público, mesmo a simples possibilidade de IA em material direcionado a crianças levanta preocupações éticas sobre transparência, autenticidade e até sobre como ensinar senso crítico aos pequenos consumidores.
O que se sabe até agora
Produto
My Mario é uma linha de brinquedos e jogos educativos que chega em fevereiro. O foco é o público infantil, com bonecos, livrinhos interativos e mini-games.
Data da polêmica
9 de janeiro de 2025, quando o post da Nintendo of America deu origem às suspeitas no ResetEra.
Posicionamento oficial
Até o momento, a empresa não comentou especificamente sobre a foto do polegar. A única diretriz pública continua sendo a promessa de não usar IA em jogos próprios.
Impacto na imagem da marca
Mesmo sem confirmação de que a imagem foi gerada por IA, o episódio serve de alerta para o departamento de marketing da companhia. Qualquer deslize visual, por menor que pareça, pode gerar ondas de desconfiança num cenário em que Nintendo e IA generativa se tornaram assunto recorrente.
No blog BlockBuster Online, acompanhamos de perto essa conversa porque reflete uma mudança maior na relação entre tecnologia, criatividade e consumo pop. Se a Nintendo optar por esclarecer o caso ou reforçar suas políticas anti-IA, o debate certamente ganhará novos capítulos.
Por enquanto, o “polegar suspeito” permanece como símbolo de um mercado em transição, onde a fronteira entre fotografia e algoritmo é cada vez mais difícil de enxergar.
