A lista de indicadas a Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar 2026 foi anunciada em 22 de janeiro e já movimenta bastidores de Hollywood. São cinco performances que roubaram a cena ao longo do último ano e que prometem disputa acirrada até a cerimônia marcada para 15 de março, em Los Angeles.
Entre favoritas consolidadas e surpresas de festivais, o panorama atual mostra Teyana Taylor como principal nome, mas nada está definido. A redação do Blockbuster Online faz um balanço sobre cada trabalho, analisando atuação, direção, roteiro e o caminho percorrido nos prêmios de pré-temporada.
Favoritismo de Teyana Taylor impulsiona a temporada
Teyana Taylor despontou em Uma Batalha Atrás da Outra, drama bélico dirigido por Paul Thomas Anderson e roteirizado por Alan Yang. A atriz entrega camadas de vulnerabilidade e firmeza à soldado Perfidia Beverly Hills, personagem que poderia cair no estereótipo, mas ganha profundidade graças à entrega física e ao carisma natural de Taylor.
O desempenho rendeu troféu no Globo de Ouro e indicações ao Critics’ Choice, BAFTA e Actor Awards, tornando-a a única concorrente presente nos quatro termômetros. Essa consistência costuma pesar entre os votantes, sobretudo quando a produção também aparece em outras categorias, como Melhor Filme e Montagem, reforçando a visibilidade da atuação.
Anderson dirige com câmera inquieta, alternando longos planos-sequência e closes secos que evidenciam a tensão nos olhos da protagonista. O roteiro investe na economia de diálogos, obrigando Taylor a comunicar conflitos internos por gestos mínimos — recurso que a atriz domina desde os tempos da música, onde expressão corporal é fundamental.
Se mantiver o ritmo de vitórias, Taylor pode se tornar a 11ª mulher negra agraciada na categoria, repetindo o feito recente de Ariana DeBose. A campanha da A24 explora justamente essa narrativa de representatividade, estratégia que comprovou eficiência em temporadas anteriores.
Veterana Amy Madigan sustenta o terror Armas
Quatro décadas separaram Amy Madigan da primeira indicação, por Twice in a Lifetime, até a volta ao Oscar com Armas. Dirigido por Zach Cregger, o terror faz parte da safra que recoloca o gênero na premiação, trajetória semelhante à de produções capitaneadas por nomes como James Wan — cineasta que acaba de retomar a franquia Jogos Mortais.
No longa, Madigan rouba a cena como tia Gladys, figura que transita entre humor ácido e ameaça real. Sua presença eleva diálogos corriqueiros a momentos de pura tensão, mérito também da montagem frenética de Martin Pensa, que alterna planos fechados no rosto da atriz e cortes bruscos nos instantes de susto.
A categoria de Melhor Atriz Coadjuvante historicamente valoriza interpretações que deixam forte impressão em pouco tempo de tela, e Madigan cumpre esse requisito: são apenas 18 minutos de participação, suficientes para arrancar aplausos em sessões de meia-noite em Sundance e garantir vitória no Critics’ Choice Awards.
Falta, porém, a vitória em evento com grande representatividade de atores, ponto crucial para quem concorre sozinha por um filme sem outras nomeações de peso. O SAG Awards (rebatizado de Actor Awards) pode definir se Madigan ameaça realmente o favoritismo de Taylor ou permanece como azarão de luxo.
Duas forças em Valor Sentimental dividem atenções
Valor Sentimental, drama romântico de Joachim Trier, conseguiu o feito de emplacar duas atrizes no quinteto final. Elle Fanning vive a luminosa Grace, enquanto Inga Ibsdotter Lilleaas interpreta Nora, personagem mais contida e peça-chave do roteiro assinado por Eskil Vogt.
Imagem: Internet
Fanning, já conhecida do grande público após estrelar Predator: Badlands, conquista sua primeira indicação ao Oscar, ainda que chegue à cerimônia sem qualquer troféu da temporada. A performance aposta no humor sutil e na química com Stellan Skarsgård, criando alívio emocional em trama marcada por perdas.
Lilleaas, por sua vez, segura cenas densas que exigem precisão dramática. Um dos momentos mais comentados — a conversa no píer ao pôr do sol — é conduzido em plano estático de quase três minutos, recurso que realça os silêncios desconfortáveis. A atriz recebeu elogios públicos de Paul Thomas Anderson, impulsionando buzz dentro da Academia.
O perigo para ambas é a divisão de votos: historicamente, duas indicadas de um mesmo filme tendem a se neutralizar, abrindo espaço para concorrentes externos. Contudo, caso Lilleaas vença o BAFTA — onde Fanning não foi lembrada — a norueguesa ganha tração na reta final.
Wunmi Mosaku surpreende com Pecadores
Lançado em abril, Pecadores, de Dee Rees, parecia longe do radar do Oscar, mas a intensidade de Wunmi Mosaku manteve o longa em campanha. A atriz constrói uma líder religiosa carismática e dúbia, explorando vocais graves e expressões ambíguas que provocam o público.
Indicações ao Critics’ Choice, BAFTA e Actor Awards reforçam consistência. O único deslize foi ausência no Globo de Ouro, ainda assim insuficiente para tirá-la da disputa pelo bronze — especialmente se os votos se pulverizarem entre Valor Sentimental.
Rees direciona a fotografia para interiores escuros, onde a luz recorta o rosto de Mosaku, destacando microexpressões. O roteiro de Virgil Williams levanta debates morais, mas é a entrega da atriz que mantém tensão até o clímax. Caso conquiste um prêmio importante nas próximas semanas, Pecadores poderá repetir trajetória de Minari, que levou Yuh-Jung Youn ao Oscar nessa mesma categoria.
Vale a pena acompanhar a corrida até 15 de março?
A temporada ainda reserva viradas. BAFTA e Actor Awards podem embaralhar previsões e tornar a disputa de Melhor Atriz Coadjuvante uma das mais comentadas do 98º Oscar. Quem aposta em campanhas irresistíveis deve ficar de olho em Taylor, mas Madigan, Mosaku e Lilleaas correm por fora.
Para cinéfilos que gostam de maratonar obras indicadas, a lista oferece variedade: drama de guerra, terror, romance europeu e thriller psicológico. Uma ótima desculpa para planejar sessão dupla em casa — de preferência com as dicas de petiscos da matéria Noite de Cinema em Casa.
Enquanto o envelope não é aberto, o público pode escolher favorito, analisar nuances de direção e, claro, comparar estatísticas das premiações. Afinal, acompanhar a corrida do Oscar faz parte da diversão de todo amante da sétima arte.
