Highguard chegou com toda a pompa que rodeia um grande lançamento gratuito. Anunciado como o “game surpresa” do Game Awards 2025, o hero shooter da Wildlight Entertainment acumulou quase 400 mil espectadores em seu dia de estreia.
Passados poucos dias, no entanto, o enorme público evaporou. No momento em que este texto é escrito, a transmissão diária do jogo no Twitch mal supera 2,5 mil pessoas, sinalizando que a produção ainda procura um caminho para reter a plateia que conquistou no primeiro ato.
Estreia estrondosa e queda brusca de audiência
Segundo o site SullyGnome, Highguard alcançou o pico de 382 943 espectadores nas primeiras 24 horas. Nada mal para um título que saiu em 26 de janeiro de 2026, ainda sem grande campanha de marketing tradicional. Streamers de peso, como Ninja, abraçaram a novidade e facilitaram o boca a boca.
A maré virou rápido. Três dias depois, o pico diário desabou para a casa dos 2,5 mil espectadores. A movimentação reflete, também, a queda no número de jogadores simultâneos na Steam, plataforma onde o game sofreu review bombing poucas horas após o lançamento. O fenômeno acende um alerta sobre a capacidade do título de sustentar interesse além do hype inicial.
O papel da direção e do “roteiro” na recepção do público
Na prática, a função de diretor recai sobre a própria Wildlight Entertainment, que orquestra ambientação, ritmo de partidas e distribuição de conteúdo. A opção por liberar o jogo como free-to-play garantiu porta de entrada ampla, mas expôs rapidamente a ausência de novidades significativas dentro de um gênero saturado.
Do ponto de vista de “roteiro”, a progressão é simples: partidas ágeis, heróis com habilidades distintas e recompensas cosméticas. Embora funcional, essa estrutura não afasta comparações com concorrentes. Muitos espectadores reduziram Highguard a “outro Concord”, referência ao título lançado em 2024 que virou meme de fracasso. A piada ganhou força justamente porque faltam elementos narrativos ou mecânicos que diferenciem o elenco de personagens — os verdadeiros “atores” em cena.
Comparação com Concord e impacto na crítica
A associação com Concord surgiu ainda no anúncio. Ambos carregam o rótulo de hero shooter, gênero que viveu ápice com Overwatch e, desde então, vê cada novo concorrente ser medido pela régua da originalidade. No caso de Highguard, a comunidade parece dividida: uma parcela elogia o “gosto familiar”, enquanto outra aponta repetição.
Imagem: Internet
Para piorar, as análises no Steam misturam elogios à jogabilidade responsiva com críticas à falta de inovação. Esse contraste dificulta a construção de reputação; e, no Twitch, onde a performance ao vivo é o “palco” principal, qualquer sinal de tédio do streamer se traduz em fuga imediata de espectadores.
Roadmap agressivo como tentativa de reconquistar o público
Wildlight não pretende assistir à plateia ir embora sem reagir. O estúdio divulgou um roadmap para 2026 que promete sete episódios até o fim do ano. O Episódio 2, agendado para fevereiro, adicionará um novo Warden, mapa inédito, Modo Ranqueado e até montarias, itens inexistentes na estreia.
Conteúdo mensal pode ser o antídoto para o esvaziamento. É a mesma estratégia que mantém vivos títulos como Apex Legends, recém-ajustado em atualização de equilíbrio. Se Highguard conseguir oferecer novidades constantes, talvez reverta o quadro atual — e se firme entre as opções de quem busca jogos gratuitos, num mercado onde até dez títulos sem custo chegam à Steam toda semana.
Highguard ainda vale o play?
Mesmo com a queda vertiginosa no Twitch, Highguard continua gratuito e funciona bem como experiência imediata de tiro em equipe. A qualidade técnica não foi alvo de críticas severas; o problema reside na falta de “fator uau” que prenda público na segunda semana. Para jogadores curiosos, sempre há espaço para experimentar e tirar as próprias conclusões.
Do lado da audiência, Blockbuster Online seguirá de olho para ver se os próximos episódios mudam esse roteiro ou se o hero shooter da Wildlight Entertainment encerrará a temporada antes do previsto.
