Quem precisava de um motivo para ligar o PlayStation 5 em pleno janeiro encontrou em Cairn uma desculpa de primeira. Lançado em 29 de janeiro, o survival de escalada do estúdio francês The Game Bakers estreou direto no topo do ranking do OpenCritic, superando todos os concorrentes de 2026 até agora.
Com arte minimalista guiada pelo quadrinista Mathieu Bablet e gameplay que exige sangue-frio, a produção chegou com pinta de queridinha da crítica. A combinação de atmosfera contemplativa e dificuldade sem concessões logo rendeu à aventura a cobiçada nota média 87, acompanhada de 90% de recomendação profissional.
A proposta de Cairn: escalar ou morrer tentando
Ambientado no fictício Monte Kami, Cairn joga o público em rota de colisão com falésias irregulares, clima imprevisível e recursos contados. O foco não é só chegar ao cume, mas planejar rota, administrar stamina e improvisar abrigos para não sucumbir a hipotermia ou quedas fatais.
O loop funciona porque cada micro-decisão, do gancho usado ao momento exato de montar barraca, altera a chance de sobrevivência. Esse “xadrez vertical” cria tensão constante, lembrando o rigor punitivo de clássicos do gênero, mas sem abdicar de controles acessíveis.
Direção de arte: quando quadrinhos encontram polygons
Grande parte dos elogios iniciais mira diretamente o trabalho de Mathieu Bablet. Conhecido por composições grandiosas em obras como “Shangri-La”, o artista empresta seu senso de escala dramática para valorizar cada encosta. Cores chapadas e linhas simples formam um contraste hipnótico com o terreno fotorrealista, resultado que muitos críticos classificaram como “pintura interativa”.
Essa identidade visual também conversa com a trilha atmosférica de Thomas Barrandon, que assume o minimalismo eletrônico para intensificar a solidão nas alturas. Poucos jogos recentes usam silêncio e respiração do personagem como composição sonora de maneira tão orgânica.
Recepção da crítica e do público: números que falam alto
A remoção do embargo ocorreu poucas horas antes da estreia global. Em apenas quatro horas, 40 análises profissionais já figuravam no OpenCritic, selando o rótulo “Mighty” do site. Paralelamente, o índice de 4,64 estrelas no PlayStation Store surpreendeu pela rapidez: foram cerca de 3.500 avaliações de jogadores nas primeiras horas, indício de que a base de usuários do console abraçou o título com entusiasmo.
Imagem: Internet
No Steam, o começo foi mais discreto: pouco mais de 100 reviews, ainda assim 82,6% positivos segundo a API da Valve. Para um indie que divide a vitrine com nomes maiores, esse índice reforça a consistência da experiência. Vale lembrar que o jogo está com 10% de desconto de lançamento, saindo por US$ 26,99 até 12 de fevereiro — estratégia comum que impulsiona o boca a boca.
Efeito PS5: controles, feedback tátil e fôlego comercial
Se Cairn também roda em PC, a versão de console oferece atrativos extras. O gatilho adaptativo do DualSense, por exemplo, aumenta a resistência quando a mão do alpinista cansa, um detalhe que acrescenta imersão tátil. Jogadores atentos à durabilidade do hardware comemoram que a nova atualização do PS5 otimiza temperatura interna, o que ajuda em sessões prolongadas de escalada.
Comercialmente, a performance inicial sugere um começo promissor para o mês. Jogos independentes raramente acumulam milhares de avaliações em um intervalo tão curto, cenário que lembra o pico de popularidade de fenômenos recentes. O Blockbuster Online acompanha de perto esses picos desde casos como Highguard, que mesmo após perder 80% da base no Steam, comprovou como a dinâmica de público pode ser volátil.
Vale a pena jogar Cairn?
Para quem busca um desafio sem trilhos, Cairn entrega exatamente o que promete: escalada meticulosa, visual único e tensão a cada precipício. A crítica especializada destaca a coerência entre estética e mecânica, enquanto os primeiros jogadores confirmam que a curva de aprendizado é dura, mas justa. Se a tendência positiva se mantiver, o título tem tudo para permanecer no pódio de 2026 por muitos meses.
