Imagine acordar em uma névoa densa, cercado por criaturas amorfas e equipado apenas com uma bicicleta, um rádio e a sua própria curiosidade adolescente. Essa é a premissa de Quite a Ride, novo survival horror independente que acaba de ganhar página na Steam.
Desenvolvido pelo minúsculo estúdio Goodwin Games, o projeto passou a ser tratado por fãs como um “spin-off espiritual” de Stranger Things. Ainda sem data exata, a estreia está prevista para o primeiro trimestre de 2026, mas o burburinho já começou — e não é difícil entender o motivo.
Direção enxuta e roteiro focado no desconhecido
À frente do time de apenas três pessoas, o designer Alex Goodwin dirige e roteiriza Quite a Ride com a clara intenção de colocar o jogador dentro de um pesadelo suburbano. O enredo segue um adolescente que se vê preso na Blind Spot, zona repleta de anomalias que ecoam o Mundo Invertido da série da Netflix.
Boa parte da força narrativa reside no minimalismo: não há longas cutscenes nem diálogos expositivos. Em vez disso, o jogador coleta gravações de rádio, fotos de eventos estranhos e anotações espalhadas para reconstruir o que aconteceu ali. A ausência de NPCs tradicionais cria uma sensação de isolamento comparável à direção de “A Bruxa de Blair”, mas com o verniz neon de um VHS dos anos 80.
Atuação silenciosa do protagonista e imersão em primeira pessoa
Embora seja um game, Quite a Ride depende da “performance” — ou ausência dela — do protagonista. O personagem não fala, e suas reações são transmitidas pela câmera trêmula, pela respiração ofegante e pelos soluços que ecoam no capacete de proteção. Esses detalhes sonoros, escolhidos a dedo pelo diretor, substituem expressões faciais de um ator tradicional e lembram o trabalho de som de clássicos como “Alien: Isolation”.
O ponto alto é sentir o guidão estremecer quando um monstro se aproxima, recurso que funciona quase como close-up dramático em cinema. Esse tipo de linguagem visual — ou melhor, “sensorial” — mantém a tensão permanente e dispensa diálogos, reforçando a proposta de terror subjetivo.
Ciclovias para o horror: mecânica de bike que dita ritmo e tensão
Stranger Things eternizou a imagem de crianças pedalando para enfrentar o sobrenatural. Quite a Ride leva o conceito além: a bicicleta é veículo, bateria portátil e linha tênue entre vida e morte. Sempre que o jogador abandona a bike por muito tempo, a névoa se adensa e criaturas começam a caçar. Essa decisão de design torna o ato de pedalar algo mais dramático que uma simples locomoção.
A ideia lembra jogos indies que combinam mecânicas inusitadas a tiroteios, como Riftwalker, mas aqui a tensão vem da vulnerabilidade absoluta. Nada de rifles laser: basta um pneu furado para o protagonista virar presa fácil. Ao mesmo tempo, pedalar gera eletricidade para recarregar o celular — ferramenta essencial para gravar fenômenos e mapear o Blind Spot.
Imagem: Internet
Criaturas retorcidas e estética retrofuturista
Os inimigos de Quite a Ride evocam o pavor corporal que ficou famoso com o Devorador de Mentes, mas com identidade própria: tentáculos luminosos, exoesqueletos metálicos e uma névoa quase fluorescente. O visual mistura horror biológico com tecnologia analógica, reforçando o clima retrofuturista que permeia todo o jogo.
Essa direção de arte conversa bem com a trilha de sintetizadores modulados, entregando uma experiência sonora que flutua entre John Carpenter e Vangelis. Enquanto isso, a interface lembra câmeras Hi8, fitas DAT e televisores de tubo, ampliando a imersão sem grandes efeitos pirotécnicos. São escolhas que demonstram maturidade de design, especialmente para um estúdio tão compacto.
Vale a pena ficar de olho em Quite a Ride?
Para quem procura um survival horror que fuja de zumbis genéricos e munição infinita, Quite a Ride já desponta como candidato promissor. O foco em exploração, coleta de dados e fuga constante cria uma tensão semelhante a Resident Evil 7, mas com forte sabor de adolescência suburbana.
O cronograma aponta primeiro trimestre de 2026, tempo suficiente para o trio de desenvolvedores lapidar sistemas de IA, equilíbrio de recursos e, principalmente, a narrativa emergente — aquela que se constrói na cabeça do jogador enquanto ele pedala rumo ao desconhecido.
No momento, a melhor pedida é adicionar o jogo à lista de desejos na Steam e acompanhar as atualizações pelo perfil oficial. Se a qualidade final corresponder às promessas atuais, o título pode preencher o vácuo deixado por Stranger Things no coração dos fãs e, de quebra, reforçar o catálogo de terror indie que o Blockbuster Online acompanha com atenção.
