O primeiro trailer de O Diabo Veste Prada 2 confirmou o que muitos fãs temiam: Miranda Priestly encara Andy Sachs como se ela fosse apenas mais uma desconhecida nos corredores da Runway. Vinte anos depois do clássico de 2005, o encontro frio entre Meryl Streep e Anne Hathaway reacende a disputa de poder que definiu o original.
Ao mesmo tempo, a prévia oferece um vislumbre da crise da mídia impressa, pano de fundo para o retorno de Andy como editora de Features. Com isso, o conflito passa a exigir muito mais do elenco, do diretor David Frankel e da roteirista Aline Brosh McKenna, responsáveis por equilibrar nostalgia e novidade.
Elenco retorna afiado em O Diabo Veste Prada 2
Meryl Streep encara seu primeiro papel no cinema em sete anos sem perder o icônico olhar gélido de Miranda. No trailer, a atriz resgata cada pausa calculada, reforçando a imagem da chefe que usa o silêncio como arma — técnica tão marcante quanto a violência muda vista em produções como Sisu, que transformou a ausência de falas em espetáculo.
Anne Hathaway, por sua vez, deixa de lado a inexperiência do passado. A postura ereta e o tom seguro demonstram a evolução de Andy, agora em posição de comando. Já Emily Blunt retoma o sotaque afiado de sua personagem para mostrar que o ressentimento nunca saiu de moda na Runway. Completando o time, Stanley Tucci entrega novamente um Nigel que entende o jogo como ninguém, sustentando a comicidade seca que equilibra o drama.
Direção de David Frankel e roteiro de Aline Brosh McKenna
David Frankel, que dirigiu o primeiro longa, opta por enquadramentos mais fechados no trailer, sublinhando o desconforto quando Miranda finge não reconhecer Andy. A escolha da câmera sugere uma narrativa centrada em microexpressões, estratégia que exige precisão de elenco e montagem.
No texto de Aline Brosh McKenna, a decisão de fazer Miranda ignorar Andy se apoia em duas vertentes: o possível cinismo da editora-chefe ou um real apagão de memória. A roteirista planta a dúvida, mas não entrega sinais de doença degenerativa, refutando teorias que circularam online. Ao invés disso, o diálogo “Ela era uma das Emilys” coloca em jogo a crueldade corporativa, tema ainda mais atual na era de layoffs e algoritmos.
Dinâmica de poder redefine Runway duas décadas depois
Com o declínio da mídia impressa, Andy chega à Runway carregando autoridade. O trailer deixa claro que a nova editora de Features participa de reuniões estratégicas e tem poder de veto, algo inimaginável em 2005. A tensão criada pela proximidade de cargos intensifica a rivalidade, fazendo da relação mentor-pupilo uma partida de xadrez corporativo.
Imagem: Internet
Nigel surge como voz da experiência e, possivelmente, o elo diplomático entre as duas. Quando ele faz a piada sobre “uma das Emilys”, há um subtexto de que Miranda mantém a hierarquia à base de humilhações rápidas, estratégia para minar a autoconfiança alheia. Andy, agora com casacos elegantes e olhar firme, não permite que o golpe a atinja — sugerindo que a transformação pessoal do filme original não foi esquecida.
Memória seletiva de Miranda: problema real ou jogo de cena?
O ponto mais comentado do trailer é a aparente amnésia de Miranda. A ausência de pistas sobre uma condição médica leva a crer que o gesto seja puramente calculado. Ao agir como se Andy fosse irrelevante, Miranda puxa o tapete de qualquer sentimento de conquista que a antiga assistente traga consigo.
Além disso, a fala de Nigel sinaliza que a editora-chefe não guarda nomes — apenas resultados. Essa abordagem ecoa debates vistos em séries como A Diplomata, onde a frieza profissional também mascara jogos políticos. Caso Miranda realmente não lembre, o peso dramático recai sobre o arco do primeiro filme, sugerindo que todo o crescimento pessoal de Andy foi apenas mais um capítulo descartável na biografia da executiva.
Vale a pena assistir?
Com estreia marcada para 1º de maio de 2026, O Diabo Veste Prada 2 promete revisitar a ferocidade do mundo editorial em meio à crise do impresso e ao choque de gerações. A combinação do elenco original, a direção minuciosa de David Frankel e o roteiro provocativo de Aline Brosh McKenna gera expectativas altas. Para o leitor do Blockbuster Online, fica a promessa de um duelo de performances que deve manter a mesma elegância venenosa que consagrou o longa de 2005.
