A nova leva de episódios de Bridgerton, já disponível na Netflix, reacendeu um debate que parecia resolvido desde a segunda temporada: o sumiço de Daphne Bridgerton. A questão ganhou força porque, além dela, Anthony e Kate também ficaram de fora da Parte 1, o que provocou estranhamento entre fãs e analistas.
Enquanto a audiência aguardava cenas do casal favorito da segunda temporada, a produção optou por concentrar a narrativa em Colin e Penelope. A decisão levanta dúvidas sobre como a série encadeará as linhas dramáticas de seus inúmeros personagens sem deixar de valorizar quem conquistou o público.
Ausência de Daphne reacende críticas antigas
Phoebe Dynevor brilhou no primeiro ano da série ao interpretar Daphne, mas desde então a personagem não recebeu o mesmo cuidado no roteiro. Na temporada 4, a herdeira continua fora de cena, alimentando a sensação de que sua trajetória foi descartada.
A ausência chama atenção porque todos os outros irmãos ainda aparecem, seja para comentar bailes, fofocas ou conflitos amorosos. Manter Daphne fora desse convívio familiar rompe a lógica interna criada pela showrunner Jess Brownell, responsável por conduzir a adaptação a partir do terceiro ano.
Desfalque de Anthony e Kate surpreende o público
Se a falta de Daphne já era prevista, o sumiço de Anthony (Jonathan Bailey) e Kate (Simone Ashley) pegou os espectadores de surpresa. O casal movimentou a temporada 2 e manteve popularidade elevada, mas sequer dá as caras na primeira metade do quarto ano.
Com a decisão, Bailey e Ashley foram impedidos de exibir a química que os transformou em queridinhos do fandom. A mudança de foco abriu espaço para Luke Newton (Colin) e Nicola Coughlan (Penelope) mostrarem crescimento interpretativo, porém custou críticas sobre continuidade dramática.
Vale notar que o material de divulgação da Parte 2 confirma o retorno de Anthony e Kate, inclusive com a primeira aparição do herdeiro do casal. A promessa busca conter a ansiedade dos fãs e preservar o legado de um dos romances mais festejados da série.
Promessa de retorno e impacto na narrativa
Jonathan Bailey e Simone Ashley são listados no guia oficial de elenco da Netflix para o restante da temporada 4. O teaser da Parte 2 mostra rapidamente o primogênito dos Bridgerton ao lado da esposa, além de indicar cenas em que Anthony aconselhará Benedict sobre o caso com Sophie.
Esse retorno deve reequilibrar os pontos de vista na trama, já que Benedict, vivido por Luke Thompson, costuma recorrer ao irmão mais velho sempre que enfrenta dilemas de honra. Com Sophie ainda relutante em assumir um relacionamento, a presença de Anthony poderá fornecer o contraponto necessário.
Nesse contexto, chama atenção a decisão de quebrar a tradição de tela compartilhada entre irmãos em quase todo episódio. A estratégia funciona para destacar arcos individuais, mas reforça uma sensação de fragmentação que pode afastar parte da audiência acostumada à atmosfera familiar.
Imagem: LIAM DANIEL/NETFLIX
Direção, roteiro e performances em Bridgerton 4
A temporada 4 mantém a rotatividade de diretores, com nomes como Tom Verica e Tricia Brock alternando-se nos bastidores. Essa abordagem confere identidade visual variada aos episódios, sem perder o charme de figurinos e cenários já consagrados pela série criada por Chris Van Dusen.
No roteiro, Abby McDonald e Sarah L. Thompson conduzem diálogos ágeis, investindo em metáforas sociais sobre dever e desejo. O texto continua apostando em insinuações e humor contido, mas às vezes carece de espaço para que personagens secundários respirem, fenômeno visível no tratamento dado a Eloise e Francesca.
Entre as atuações, Nicola Coughlan impressiona ao equilibrar vulnerabilidade e firmeza, enquanto Luke Newton demonstra evolução no timing cômico. Ruth Gemmell, como Violet, segue impecável ao transitar entre a matriarca zelosa e a viúva que deseja redescobrir o amor.
A ausência temporária de Anthony e Kate, porém, limita a troca de energia que costumava elevar as cenas de grupo. Quando Bailey e Ashley finalmente aparecerem, a expectativa é que tragam de volta a tensão romântica que, em temporadas passadas, rendeu comparações com clássicos como O Diabo Veste Prada devido ao sarcasmo afiado dos diálogos.
Ainda no campo técnico, a fotografia segue saturada em tons pastéis, enfatizando o caráter quase onírico dos bailes. O design sonoro, por sua vez, continua trocando hits pop por arranjos de cordas, recurso que já virou assinatura de Bridgerton.
Vale a pena assistir Bridgerton temporada 4?
A Parte 1 oferece ritmo constante, figurinos deslumbrantes e boas performances de Nicola Coughlan e Luke Newton, mas suscita debate sobre gestão de elenco. A expectativa pelo retorno de Anthony e Kate mantém o interesse aceso, e o público que acompanha a família desde 2020 sente falta de Daphne, cuja ausência permanece sem explicação convincente.
Quem busca uma experiência de romance de época carregada de intriga social ainda encontrará esses elementos, embora o desfalque dos personagens favoritos comprometa a sensação de continuidade. Mesmo assim, Bridgerton temporada 4 reafirma a habilidade da produção em reinventar pares românticos e manter o hype em torno dos Bridgerton, garantindo fôlego para os capítulos finais.
Com mais de 80% de aprovação em plataformas de crítica e ainda dominando listas de mais vistos, a série se mantém como carro-chefe da Netflix e do próprio Blockbuster Online quando o assunto é drama de época. O retorno anunciado de Anthony, Kate e seu bebê promete recolocar todos os holofotes na família, solidificando a atração para quem deseja enamorar-se novamente pelos salões da Londres regencial.
