Quando executivos da CD Projekt Red revelaram que The Witcher 4 vem sendo moldado a partir de ideias de Kingdom Come: Deliverance 2, o panorama do próximo RPG mudou de patamar. A franquia do bruxo sempre equilibrou fantasia sombria e narrativa cinematográfica, porém a nova referência aponta para uma experiência ainda mais pé no chão.
O estúdio polonês não detalhou o enredo, mas comenta que o foco recai sobre Ciri, agora protagonista. A aproximação com o realismo histórico de Kingdom Come sinaliza mudanças em mundo aberto, combate e sistemas de preparação. O Blockbuster Online reuniu os principais pontos que podem redefinir a saga.
Mundo mais reativo e cotidiano vivido
Em Kingdom Come, tudo responde à reputação do personagem: roupas sujas espantam nobres, rostos feridos intimidam camponeses. A CD Projekt Red afirma que pretende levar a mesma filosofia para The Witcher 4. Isso significa NPCs comentando decisões recentes de Ciri, vilas mudando rotinas após batalhas e até bichos reagindo ao cheiro de poções.
No primeiro protótipo, exibido a portas fechadas, árvores balançam quando um Sinal de Aard é lançado e pegadas na lama denunciam passagens. A intenção, segundo o diretor de arte Jakub Knapik, é “fazer o jogador sentir que está sendo observado o tempo todo”. Esse caminho evita cenas excessivamente roteirizadas, permitindo que pequenas ações desencadeiem consequências espontâneas.
Tamanha atenção aos detalhes lembra o cuidado que a Nintendo teve ao levar clássicos como Yoshi e Balloon Kid ao Switch Online, iniciativa que reforça a ambientação nostálgica e viva do catálogo recém-expandidos. A diferença é que, no RPG polonês, o realismo não mira nostalgia, mas sim verossimilhança.
Sistemas manuais apostam em imersão
Enquanto The Witcher 3 automatizava boa parte da alquimia, a nova aventura planeja processos físicos inspirados no laboratório de Henry de Skalitz. Poções exigirão sequência correta de ingredientes, controle de temperatura e uso de almofariz, transformando preparo em minigame.
Armas também ganham camada inédita. A equipe de design prototipa minijogos de amolar lâminas, onde pressão e ângulo interferem na durabilidade. Caso o jogador negligencie a manutenção, a espada pode lascar em combate. O roteirista Philipp Weber explica que “o objetivo é devolver importância a rituais de um caçador de monstros, sem recorrer a menus instantâneos”.
Essa escolha de ritmo mais lento lembra títulos independentes que flertam com sensações táteis, como o isométrico RadCity, que transforma o apocalipse em experiência intimista já testável no Steam. No caso de The Witcher 4, a CD Projekt Red busca equilibrar profundidade e acessibilidade, evitando afugentar quem vem pelo enredo.
Combate direcional favorece tática sobre espetáculo
Kingdom Come aposta em ângulos de ataque, gerenciamento de fôlego e punição a quem aperta botões sem pensar. A equipe polonesa confirma estudos para migrar parte desse sistema, tornando os confrontos de Ciri menos acrobáticos e mais cadenciados.
Imagem: Internet
Fontes internas relatam testes com estamina que drena rápido caso o jogador insista em combos longos. Invencibilidade durante rolamentos foi reduzida, forçando leitura de golpes inimigos. Além disso, chefes duelam em arenas menores, privilegiando posicionamento.
Ao contrário de Geralt, conhecido por postura mais pesada, Ciri tem mobilidade natural graças ao teleporte. Essa característica, diz o diretor de animação Pawel Sasko, “permite manter ritmo ágil sem cair em power fantasy”. A sensação de perigo constante lembra desafios promovidos por jogos hardcore e reforça a narrativa de amadurecimento da personagem.
Preparação ganha protagonismo narrativo
Bibliotecas, bestiários e pistas espalhadas pelo mapa rendem bônus tangíveis. Informações coletadas sobre fraquezas de criaturas desbloqueiam etapas extras de preparo, desde seleção de óleos até escolha de armadilhas. Sem estudo prévio, o jogador corre risco maior, o que amplia o peso da investigação.
Essa filosofia casa com o legado literário de Andrzej Sapkowski, no qual bruxos jamais enfrentam feras às cegas. A mudança pode justificar ciclos diários de caça e descanso, aproximando a cadência do game a simuladores de sobrevivência que oferecem desafios periódicos, como o aproveitado por quem explora títulos gratuitos como Golfo Árabe na Steam.
Na prática, o jogador pode preferir evitar uma gruta até criar poção de Gato ou produzir bombas de fósforo. A CD Projekt Red defende que o sistema recompensa planejamento, porém sem bloquear progressão. Haverá caminhos alternativos, ainda que mais perigosos, para manter o fluxo da campanha.
Vale a pena ficar de olho em The Witcher 4?
Com Unreal Engine 5 como base, The Witcher 4 tende a oferecer densidade visual inédita para a série. A adoção de elementos de Kingdom Come promete reformular não só gráficos, mas a relação entre jogabilidade e narrativa, expandindo a sensação de mundo vivo.
O elenco de dublagem ainda não foi confirmado, mas a performance será crucial, já que as reações dinâmicas dos NPCs dependem de entonações variadas para espelhar feitos e falhas de Ciri. O estúdio reforça que trabalha com roteiristas veteranos de The Witcher 3 para preservar o tom moralmente cinzento.
Diante de um combate mais técnico, sistemas manuais e foco em preparação, a experiência pode soar exigente, porém recompensadora para quem busca imersão. Fãs que aguardam novidades de mundo aberto — como a futura atualização de Red Dead Redemption 2, prevista para 2026 segundo vazamentos — encontrarão no próximo capítulo do bruxo um forte candidato a redefinir padrões de realismo em RPGs.
