Desde o lançamento no fim de novembro, Zootopia 2 conduz uma corrida de bilheteria quase tão frenética quanto suas perseguições em tela. A sequência da Disney já soma mais de 1,8 bilhão de dólares no mundo, dos quais 630 milhões vieram apenas da China. O feito não apenas consolidou o filme como a maior animação norte-americana da história, mas também lhe garantiu o posto de produção hollywoodiana mais lucrativa no mercado chinês.
Mesmo diante de números estratosféricos, o longa preserva atenção do público graças a um fator essencial: ele oferece uma experiência cinematográfica ancorada em direção firme, roteiro engenhoso e atuações vocais que ampliam a química vista no primeiro título. A seguir, analisamos os elementos artísticos que explicam por que a aventura de Judy Hopps e Nick Wilde continua lotando salas, ainda que novos concorrentes familiares, como Goat e Hoppers, se preparem para dividir a atenção da garotada.
Direção de Byron Howard e Jared Bush mantém o ritmo frenético
Dirigir uma continuação de um sucesso estrondoso exige equilibrar novidade e nostalgia. Byron Howard e Jared Bush, que já haviam codirigido o original, entendem essa dinâmica e, aqui, aceleram ainda mais a estética da metrópole animal. A movimentação da câmera explora avenidas vertiginosas, bairros emblemáticos e cenas de ação coreografadas com clareza, lembrando como a dupla domina timing cômico sem sacrificar ritmo narrativo.
Os cineastas também aperfeiçoam a transição entre gêneros. Num minuto, acompanhamos um interrogatório com tensão noir; no seguinte, mergulhamos em uma gag física digna de pastelão. Esse vai-e-vem mantém adultos entretidos enquanto garante acessibilidade aos pequenos, estratégia que títulos como Minions e Monstros também adotam para não perder fôlego perante públicos distintos.
Roteiro equilibra sátira social e mistério policial
Assinado pelo próprio Jared Bush, o script de Zootopia 2 respeita o universo já conhecido, mas amplia as camadas de comentário social. Sem didatismo, o texto enfia o dedo em temas como segregação urbana e ambição política, tudo sob o verniz colorido da realidade animal. A capacidade de discutir tópicos sérios com leveza é trunfo que poucos estúdios dominam tão bem.
Além disso, o roteiro investe em um novo enigma policial envolvendo falsificação de identidades animais, recurso que injeta suspense sustentado por pistas visuais espalhadas pelo cenário. O resultado é um quebra-cabeça que segura a plateia por duas horas, reproduzindo a eficiência narrativa de thrillers subestimados como Círculo Fechado, mas dentro de um pacote PG que agrada famílias inteiras.
Dublagem: Ginnifer Goodwin e Jason Bateman brilham novamente
Grande parte da alma da franquia reside na química vocal entre Ginnifer Goodwin (Judy Hopps) e Jason Bateman (Nick Wilde). Goodwin alterna entusiasmo e vulnerabilidade na medida certa, tornando a coelha policial ainda mais tridimensional. Já Bateman continua a imprimir cinismo carismático ao raposo, o que rende tiradas rápidas e sardônicas sem parecer repetitivo.
O elenco de apoio não fica atrás. Novatos como Awkwafina, que interpreta uma cabra marqueteira, acrescentam frescor cômico — coincidência curiosa, já que a estreia de Goat neste fim de semana também trará caprinos antropomorfizados ao centro. No todo, as performances vocais sustentam nuances emocionais e justificam revisitas ao cinema, prática que mantém a bilheteria aquecida mesmo após dez semanas em cartaz.
Imagem: Internet
Impacto da bilheteria e o desafio da nova concorrência
Até a primeira semana de fevereiro, Zootopia 2 liderava folgadamente o ranking de 2025 nos Estados Unidos, com 414 milhões de dólares. O maior destaque, porém, segue sendo o mercado chinês, onde o filme ultrapassou 630 milhões e superou qualquer produção estadunidense já exibida por lá. No total global, a animação só está atrás do fenômeno local Ne Zha 2, que acumula mais de 2 bilhões em solo chinês.
O cenário, contudo, tende a mudar. Goat, com previsão de abrir em torno de 20 milhões nos EUA, pode não replicar o tsunami de bilheteria da Disney, mas oferece alternativa imediata para famílias. Poucas semanas depois, chega Hoppers, aposta da Pixar para reverter a sorte de originais como Elio. Logo em seguida, Super Mario Galaxy Movie promete arrebatar plateias nostálgicas. Esse trio inaugura fase de disputa que deve reduzir a permanência de Zootopia 2 em cartaz, embora seu feito já esteja registrado na história da animação.
Vale a pena assistir Zootopia 2 nos cinemas?
Enquanto a maré ainda favorece a sequência, assistir Zootopia 2 em tela grande continua a ser a forma ideal de absorver a riqueza visual da selva urbana. A direção dinâmica de Byron Howard e Jared Bush convida o espectador a explorar cada arranha-céu cheio de referências pop e detalhes escondidos, algo que inevitavelmente se perde nas telas menores.
A dublagem de Ginnifer Goodwin e Jason Bateman, aliada à mixagem de som cristalina, reforça a experiência imersiva. Risadas coletivas e suspiros da plateia tornam-se parte da narrativa, intensificando o senso de aventura comunitária que animações da Disney sempre perseguem. Para quem curte estudar a evolução de personagens em franquias, a continuação entrega arcos mais complexos sem abdicar da leveza original.
Por fim, ir ao cinema agora significa testemunhar um marco financeiro antes que a nova leva de produções familiares ocupe as salas. Em tempos de rotação acelerada no streaming, poucos títulos justificam múltiplas visitas como este. Blockbuster Online vem acompanhando todo o percurso de Zootopia 2 e, pelo visto, a cidade dos bichos ainda tem energia para mais algumas corridas na corrida das bilheterias.
