Mewgenics mal chegou ao acesso antecipado e já tomou conta das redes graças a um crossover improvável: a presença do gato Sonichu, dublado pela própria Christine Weston Chandler, ícone da cultura de memes. A escolha é tão excêntrica quanto o universo mutante criado por Edmund McMillen e Tyler Glaiel, mas funciona como convite perfeito para quem gosta de colecionar curiosidades em jogos táticos.
Nesta análise, o Blockbuster Online foca na performance vocal de Chris Chan, na direção de McMillen e na forma como o roteiro abraça referências à internet, sem deixar de lado a jogabilidade baseada em turnos que sustenta a experiência.
Voz inconfundível de Chris Chan injeta personalidade extra em Sonichu
Mesmo com falas restritas a miados estilizados, Christine Chandler imprime um timbre que qualquer frequentador de fóruns reconhecerá imediatamente. A dublagem não é extensa, mas cada manifestação de Sonichu carrega o descompromisso cômico que tornou a artista uma lenda online. O resultado lembra participações especiais vistas em indies recentes, como as inserções de celebridades em Tokyo Scramble, que também apostam em nomes improváveis para criar ruído midiático.
Apesar de curta, a atuação mostra compreensão da proposta exagerada do jogo. Chandler se diverte ao transformar seu personagem híbrido — meio Sonic, meio Pikachu — em um gato atrapalhado, reforçando o tom satírico do roteiro. É um microtrabalho de voz que, ainda assim, marca presença forte na campanha.
Edmund McMillen e Tyler Glaiel direcionam o humor para o surreal
Conhecido por The Binding of Isaac, McMillen retoma aqui seu amor por grotescos bonitinhos. A aparição de Sonichu não é mero easter egg: o animal pode ser recrutado, possui três mutações voltadas para velocidade e eletricidade e altera a dinâmica de batalha quando entra em cena. O design faz sentido dentro da lógica de cruzamentos absurdos que define Mewgenics, ampliando a rejogabilidade.
A decisão de convidar Chris Chan revela atenção à metalinguagem: o jogo fala sobre criar monstros peculiares, e nada mais coerente do que escalar a criadora de uma das criaturas mais emblemáticas da web. No processo, McMillen homenageia, mas também satiriza, a obsessão da internet por mascotes fan-made. Esse equilíbrio lembra movimentos de estúdios maiores que, como a MercurySteam em Blades of Fire 2.0, revisitam a própria mitologia para dialogar com fãs.
Roteiro brinca com o “medalhão amaldiçoado” e cria efeitos mecânicos únicos
Outro ponto alto é o item Medalhão de Sonichu, disponível como equipamento permanente. O objeto concede dano elétrico extra, mas adiciona a chance de o personagem… defecar em combate. O texto brinca com a velha piada do “amuleto azarado” que teria derrubado criadores de conteúdo no passado, aprofundando o folclore ao mesmo tempo em que gera impacto real de gameplay.
Imagem: Internet
Aqui, o roteiro de McMillen e Glaiel soa confiante: ri de si mesmo e dos mitos que cercam Chandler, sem jamais soar ofensivo. A mesma estratégia narrativa já havia sido vista quando estúdios como a Ember Lab divulgaram Kena: Scars of Kosmora, aproveitando lendas internas para vender novidades mecânicas. Em Mewgenics, o conceito se traduz em sinergias que incentivam combinações arriscadas, agradando veteranos de RPG tático.
Direção de arte e trilha reforçam a estranheza prazerosa
Visualmente, Sonichu surge como gato amarelado, olhos vesgos e raios desenhados em traço infantil — clara alusão ao estilo cru dos quadrinhos originais de Chandler. Esse choque de cores contrasta com ambientes mais sóbrios, o que valoriza cada frame em que o bicho aparece. O trabalho de som mantém o espírito: ruídos 8-bit misturam-se a arranjos eletrônicos modernos, garantindo atmosfera frenética.
O conjunto lembra a ousadia de clássicos que uniam fofura e grotesco, algo que desperta nostalgia e mantém o jogador curioso sobre qual será a próxima piada visual. Dessa maneira, a produção reforça a personalidade autoral de McMillen, cujas escolhas estéticas raramente ficam no meio-termo.
Mewgenics vale a jogada para quem curte humor bizarro?
Se a ideia de recrutar um gato elétrico dublado por Chris Chan soa atraente, a resposta é sim. O game combina combate profundo, piadas que abraçam o absurdo e direção firme de Edmund McMillen. Para fãs de estratégia em turnos, de curiosidades da cultura pop ou de colecionáveis estranhos, Mewgenics entrega exatamente o que promete.
