A recepção tumultuada de Highguard, estreia da Wildlight Entertainment, ganhou mais um capítulo. Dias após o lançamento, um ex-membro da equipe rompeu o silêncio para defender o projeto e apontar os riscos de um julgamento precoce. Josh Sobel, artista técnico afastado na leva recente de cortes do estúdio, publicou um longo desabafo nas redes sociais.
O desenvolvedor alega que críticas virulentas antes mesmo do fim do tutorial soterraram o jogo, resultado direto de um clima “tóxico” que, segundo ele, ameaça novas ideias na cena independente. A fala reacende o debate sobre o peso da opinião pública na sobrevivência de produções menores.
Avalanche de dislikes desde a estreia no Game Awards
Highguard foi revelado como o “último anúncio” do Game Awards 2025 e, minutos depois, viu o trailer acumular mais de 10 mil dislikes no YouTube. Rumores de que a Wildlight teria pago pelo espaço na premiação logo apareceram, mas foram desmentidos. Ainda assim, a comparação com o polêmico hero shooter Concord incendiou fóruns e redes sociais.
Quando o jogo chegou às lojas digitais em 26 de janeiro de 2026, a maré já estava contra. Reviews negativos pipocaram antes que muitos jogadores completassem as missões introdutórias. Para Sobel, essa pressa em rotular o título como “fracasso” condenou o projeto a lutar por tração logo na largada.
Defesa pública do time e ataques pessoais
No relato publicado em seu perfil, Sobel conta que criadores de conteúdo chegaram a ridicularizá-lo por tornar a conta privada durante o turbilhão. Alguns, narra o artista, ironizaram o fato de ele mencionar autismo na biografia. “Os desenvolvedores mereciam mais do que isso”, escreveu.
Apesar do tom emotivo, Sobel reconhece falhas em Highguard e admite que a recepção poderia, de toda forma, ter sido morna. O ponto, diz ele, é o impacto de uma enxurrada de avaliações precipitadas sobre o moral da equipe e sobre decisões criativas futuras. “Todos os produtos estão nas mãos dos consumidores, mas afundar um jogo antes de jogar é enterrar a chance de algo diferente nascer”, argumenta.
As demissões que atingiram a Wildlight — assunto detalhado neste especial — adicionaram tensão ao discurso. Ainda assim, o ex-funcionário preferiu focar no tom do debate e no que ele chama de “celebração do fracasso” pela internet.
Inovação em xeque com a pressão por hits instantâneos
Sobel alerta que a repercussão negativa de Highguard pode assustar outros estúdios independentes. “Se cada tentativa fora da curva for recebida com hostilidade, melhor voltar ao modelo corporativo”, escreveu, alfinetando tendências como o uso massivo de IA por grandes publishers.
Imagem: Internet
Essa crítica ecoa entre criadores que defendem ciclos mais longos de experimentação, algo cada vez mais raro diante da cultura de sucesso imediato. Nas palavras do artista, a indústria corre o risco de deixar a “inovação na UTI” caso os consumidores continuem a pré-julgar jogos que tentam fugir da fórmula estabelecida.
Atualizações e possibilidade de redenção
Mesmo sob fogo cruzado, Highguard já recebeu pacotes de balanceamento e conteúdos extras que buscam atrair quem se afastou no lançamento. Sobel encerrou o texto desejando sorte aos colegas que seguem no projeto e elogiando jornalistas que, segundo ele, mantiveram a análise factual sem capitalizar no “hate” para ganhar cliques.
Casos recentes mostram que revira-voltas são possíveis: Diablo 2 Resurrected, por exemplo, retomou fôlego ao quebrar exclusividade e chegar ao Steam, como detalhamos nesta matéria. Resta saber se Highguard seguirá caminho parecido ou ficará marcado como mais um alvo de execração virtual.
Vale a pena jogar Highguard?
Para quem valoriza shooters de heróis e quer formar opinião própria, Highguard merece ao menos a visita gratuita ao tutorial. O jogo apresenta sistemas de mobilidade elogiados e partidas rápidas, embora careça de polimento em matchmaking e balanceamento de classes.
Se o jogador busca algo totalmente fora do padrão, talvez encontre limitações. Entretanto, para entender o que motivou tanto debate — e, quem sabe, contribuir para a discussão de maneira construtiva — dedicar algumas horas pode ser um bom termômetro. O próprio Blockbuster Online seguirá acompanhando as atualizações para medir se o título consegue virar o jogo junto à comunidade.
