Quem diria que um controle na mão e blocos virtuais na tela poderiam mudar destinos? Aos 81 anos, Sue Jacquot, conhecida on-line como GrammaCrackers, encontrou em Minecraft uma ferramenta inesperada para ajudar o neto a enfrentar o câncer.
Desde outubro de 2025, a avó de 81 anos joga Minecraft e publica vídeos no YouTube. A audiência se apaixonou pelo conteúdo despretensioso, e as visualizações passaram a financiar parte do tratamento médico do jovem Jack Self, de 17 anos.
Como tudo começou
A história teve início em 2024, quando Jack recebeu o diagnóstico de sarcoma e iniciou uma longa batalha que exigiria mais de 200 sessões de quimioterapia. Na época, Sue queria um jeito de se aproximar dos netos Jack e Austin, que passavam horas no mundo cúbico criado pela Mojang. Foi então que a avó de 81 anos joga Minecraft pela primeira vez — detalhe que se tornaria a frase-chave de uma jornada inspiradora.
No dia 22 de outubro de 2025, depois de apenas alguns meses aprendendo as mecânicas básicas, Sue publicou seu primeiro vídeo: “The BEST START EVER in Minecraft – Part 1”. O material viralizou rapidamente, somando mais de 644 mil visualizações em menos de três meses.
Resultados rápidos e impressionantes
O sucesso repentino impulsionou o canal GrammaCrackers a mais de 237 mil inscritos. Cada upload traz na descrição o link para a campanha do GoFundMe de Jack, que já arrecadou mais de US$ 44 mil de uma meta de US$ 100 mil. Esse valor não contabiliza a renda obtida com o YouTube, que também é destinada ao tratamento.
Durante uma visita da emissora ABC 15 à família, Jack revelou estar livre do câncer e em fase de recuperação. Ele agradeceu publicamente à comunidade gamer que se mobilizou após descobrir que uma avó de 81 anos joga Minecraft para ajudá-lo a vencer a doença.
Força da comunidade Minecraft
Minecraft, lançado oficialmente em 18 de novembro de 2011, já ultrapassou a marca de 350 milhões de cópias vendidas e continua entre os jogos mais assistidos em plataformas como YouTube e Twitch. Só no YouTube, os vídeos relacionados ultrapassam um trilhão de visualizações.
O caso de Sue evidencia como a comunidade do título sandbox consegue transformar entretenimento em solidariedade. Jogadores de diferentes países deixaram comentários de incentivo, enviaram doações e compartilharam os vídeos, ampliando o alcance da campanha familiar.
Uma avó, dois netos e muitos blocos
Sue conta que nunca se considerou gamer antes de completar 80 anos. O primeiro passo foi tentar acompanhar Jack e Austin em um servidor privado, aprendendo a minerar, construir e enfrentar mobs. Logo percebeu que poderia transformar essas partidas em vídeos para arrecadar fundos.
GrammaCrackers mantém um cronograma de publicações regulares. Ela mostra a evolução do mundo que constrói, narra descobertas e até relata pequenos sustos noturnos com Creepers. Essa simplicidade tornou o canal acessível a quem nunca jogou, mas quer se divertir ou contribuir com a causa.
Imagem: Internet
Alavanca financeira e emocional
Para a família, o canal virou fonte dupla de apoio: ajuda financeira e motivação psicológica. Enquanto as doações cobrem parte das despesas médicas, os comentários carinhosos dão ânimo a Jack em sua recuperação. “Cada curtida é um passo a mais na minha luta”, disse o jovem à reportagem local.
Segundo especialistas em saúde mental, o engajamento comunitário on-line funciona como rede de suporte emocional, algo crucial em tratamentos longos de câncer. Nesse contexto, ver uma avó de 81 anos joga Minecraft e mobiliza milhares de pessoas reforça a importância do vínculo familiar e do sentimento de pertencimento digital.
Impacto além da telinha
O enredo também se conecta ao uso de Minecraft em ambientes educacionais, onde o game serve para ensinar química, programação e design. Agora, soma-se o exemplo de Sue: mostrar que videogames podem promover solidariedade concreta.
Para quem acompanha BlockBuster Online, fica a curiosidade: quantas outras histórias semelhantes estão escondidas nos servidores mundo afora? O caso GrammaCrackers lembra que, muitas vezes, boas novidades surgem de onde menos se espera.
Números que contam a história
• Canal GrammaCrackers criado: 22/10/2025
• Visualizações do primeiro vídeo: +644 mil em 3 meses
• Inscritos atuais: +237 mil
• Valor arrecadado no GoFundMe: +US$ 44 mil (meta de US$ 100 mil)
• Idade da criadora: 81 anos
• Idade de Jack Self: 17 anos (agora livre do câncer)
O que vem a seguir
Sue pretende continuar gravando e explorando novas funções do jogo, enquanto Jack realiza sessões de reabilitação e retomada da rotina escolar. O objetivo da família é bater a meta de US$ 100 mil, garantindo que todos os medicamentos e exames futuros estejam cobertos.
Para quem quer acompanhar, os vídeos incluem sempre o link para a campanha de Jack. Assim, cada clique, visualização e compartilhamento transforma blocos virtuais em ajuda real.
