O ano de 2023 marcou a estreia de Bloodhounds, produção sul-coreana da Netflix que misturou drama policial, crítica social e pancadaria digna de cinema. A primeira temporada, com oito episódios, apresentou dois boxeadores ex-fuzileiros navais confrontando agiotas sem escrúpulos durante a pandemia.
A mistura de carisma e violência rendeu popularidade mundial; agora, o serviço de streaming confirma o retorno da série para o segundo trimestre de 2026. A continuação traz o cantor e ator Jung Ji-hoon, o Rain, em seu primeiro papel como vilão. A seguir, o Blockbuster Online analisa o que tornou o seriado um fenômeno e por que as expectativas estão ainda mais altas.
Atuações que sustentam o ringue emocional de Bloodhounds
Woo Do-hwan (Kim Gun-woo) e Lee Sang-yi (Hong Woo-jin) conduzem a narrativa com química imediata. Ambos se destacam ao equilibrar o humor de melhores amigos com a tensão de quem carrega traumas de combate. Do-hwan, conhecido por Mr. Plankton, entrega golpes físicos e dramáticos com igual precisão; seu olhar determinado durante as cobranças violentas da Smile Capital é um ponto alto.
Já Lee Sang-yi, lembrado por Hometown Cha-Cha-Cha, injeta leveza no roteiro de Kim Joo-hwan. Ele usa bem pausas cômicas para aliviar a brutalidade das cenas. Esse contraste, aliado ao timing perfeito de piadas internas, aproxima Bloodhounds do clima descontraído que fãs de Demolidor costumam apreciar.
A adição de Jung Ji-hoon na 2ª temporada promete ampliar o leque de interpretações. Rain mostrou versatilidade em Ghost Doctor, e sua presença como Baek-jeong, chefão de um esquema de lutas clandestinas, deve elevar a tensão. A expectativa é ver o astro, famoso por personagens heroicos, assumindo um antagonista calculista que expõe o lado mais sombrio do submundo sul-coreano.
Direção e roteiro: o estilo de Kim Joo-hwan no comando
Responsável por Criatura Selvagem, o diretor e roteirista Kim Joo-hwan aplica em Bloodhounds a mesma abordagem cinematográfica: fotografia soturna, cores frias e câmeras próximas ao suor dos lutadores. A escolha reforça o realismo e contrasta com os K-dramas românticos que dominaram 2023.
Os oito capítulos originais foram adaptados de um webtoon de 84 capítulos criado por Jeong Chan. Em vez de seguir o material à risca, Joo-hwan condensou arcos e intensificou o enredo em torno da crise econômica provocada pela COVID-19. A decisão conferiu agilidade ao texto, mas manteve críticas sociais claras contra agiotagem e desigualdade.
Para 2026, o roteirista antecipa um cenário claustrofóbico: um campeonato ilegal de boxe que lucra com streamings obscuros. Esse pano de fundo ajuda a aprofundar o discurso sobre exploração, agora voltado à monetização da violência. O público deve esperar novos golpes de câmera vista em primeira pessoa, além de coreografias inspiradas no Muay Thai e no savate, já confirmadas pelos coordenadores de dublês.
Coreografia de lutas e uso da violência como narrativa
Bloodhounds não poupa socos, chutes e facas. A primeira temporada entrou na discussão sobre violência gráfica em dramas asiáticos ao exibir invasões domiciliares banhadas de sangue — uma delas envolvendo uma faca Maguro Bōchō digna de filmes de samurai. Longe de ser gratuito, o recurso físico adiciona gravidade às vítimas do agiota Kim Myeong-gil.
Imagem: Internet
Assim como títulos que reacenderam debates sobre a glamorização de blockbusters — a recente análise de F1 na corrida pelo Oscar 2026 ilustra bem —, Bloodhounds utiliza a brutalidade como espelho social. Cada golpe recebido pelos protagonistas ecoa o sofrimento de devedores reais em tempos de crise.
A 2ª temporada reconfigura o ringue: sai o prédio empresarial da Smile Capital, entra um galpão subterrâneo com arquibancadas improvisadas. O desenhista de produção Song Jong-chul revelou que o espaço foi inspirado em arenas romanas, mas com grafites neon. A ideia é exibir lutas longas, quase sem cortes, permitindo que o espectador sinta o cansaço físico junto aos personagens.
Expansão de universo e expectativas para o futuro
Além de Rain, o elenco deve ganhar nomes do cinema independente coreano. A estratégia é ampliar o alcance internacional e dialogar com produções como Shrinking, que traz veteranos e convidados especiais a cada temporada — dinâmica semelhante vista em Shrinking.
Outro fator de peso é a participação mais ativa de Choi Tae-ho (Huh Joon-ho). O mentor voltou à ativa no episódio final com sede de justiça, e o roteiro indica que seu trauma militar será explorado. Essa extensão de personagens secundários reforça a aposta em laços de amizade como pilar dramático, mesmo com alto índice de mortalidade.
O cronograma da Netflix aponta lançamento no segundo trimestre de 2026, em meio a outras apostas coreanas como No Tail to Tell e The Art of Sarah. A combinação de suspense de ação, tema esportivo e crítica social faz de Bloodhounds um candidato natural à aba Discover, onde conteúdos dinâmicos têm maior tração.
Vale a pena colocar Bloodhounds no radar?
Se a primeira temporada entregou um híbrido de Demolidor com filmes de boxe, a segunda promete afiar o tom sombrio e expandir o coração emocional da série. Woo Do-hwan e Lee Sang-yi continuam sustentando o carisma, enquanto Rain surge como antagonista inédito. Com direção precisa de Kim Joo-hwan, fotografia crua e lutas coreografadas para fisgar o espectador, Bloodhounds deve manter o posto de thriller obrigatório na Netflix.
