O tipicamente simpático Hart tenta mudar o ritmo aqui como Kid, um stand-up criado na Filadélfia (como Hart) que retorna à sua cidade natal para um show e se reúne com seu irmão problemático Carlton (Wesley Snipes, tão consistentemente a coisa mais interessante sobre este programa que ele quase faz valer a pena assistir sozinho). Carlton e Kid tiveram conflitos no passado (de novo, como Hart e seu irmão de verdade), mas parecem estar se dando bem agora, mesmo que o irmão mais velho exija que ele tenha uma “Sala VVIP” nos bastidores. É aí que o problema começa quando Carlton empurra Kid para fora do vagão da sobriedade, e a celebridade acorda ao lado do corpo de uma mulher morta após uma noite de festa.

Carlton sabe o que fazer. Ele chama um consertador chamado Ari (um Billy Zane muito divertido) para limpar a bagunça, mas, claro, nada sai como planejado. Ari tem alguns irmãos sociopatas (John Ales e Chris Diamontopoulos) que se envolvem, já que “True Story” consiste principalmente em Carlton e Kid tentando limpar a bagunça e fazendo outras maiores no processo. Não ajuda que Kid não possa realmente ir para sua equipe de suporte regular, incluindo o gerente Todd (Paul Adelstein), o guarda-costas Herschel (William Catlett) e o escritor Billie (Tawny Newsome), ou que ele esteja lidando com um público e confuso divórcio. Quando um fã (Theo Rossi) se envolve, as coisas ficam ainda mais feias e nebulosas em termos do que Hart e o criador Eric Newman (“Narcos”) pensam que estão dizendo sobre a dinâmica entre as celebridades e aqueles que mais as amam. (Os fãs neste programa são apresentados como perseguidores ou idiotas, como alguém que encontra Hart em um avião e decide que não há problema em repetir uma parte racista de volta para ele.)

Um dos maiores problemas com “True Story” é como muitas vezes parece que quer ter as duas coisas em termos de como devemos nos sentir em relação a Kid. Não preciso de um programa para me dar um roteiro moral, mas também não gosto quando parece que os criadores estão indecisos sobre as motivações de um personagem. Kid é um mocinho preso em uma situação ruim? Dadas algumas das escolhas que ele faz, não realmente. Ele é um tipo de idiota egoísta que valoriza sua carreira e segurança acima de tudo. Imagine se “True Story” realmente inclinou-se para isso, apresentando uma celebridade cujo sistema de valores inteiro foi destruído pelos holofotes. Há momentos em que ameaça se tornar tão sombrio e muito mais interessante, mas então ele recua, querendo que nos vejamos como Kid quando quase ninguém tomaria algumas das decisões violentas e egoístas que ele toma aqui.

Fonte: www.rogerebert.com

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