O filme é baseado em uma alcaparra verdadeira, e de fato peculiar: o roubo de 1961 da National Gallery de um retrato de Goya, pintado por volta de 1812, do Duque de Wellington. Jim Broadbent, claramente encantado com seu papel carnudo, interpreta Kempton Bunton, um trabalhador esclarecido em Newcastle on Tyme cujas crenças detalhadas e fervorosas sobre os direitos das classes mais baixas e dos idosos consistentemente o demitem de qualquer trabalho que ele consiga obter. (Primeiro ele é motorista de táxi, depois empurra pães em uma fábrica de pão.) Ele também é um dramaturgo amador. Para grande consternação de sua esposa Dorothy, um de seus assuntos é a morte de sua filha adolescente.

O roteiro de Richard Bean e Clive Coleman nos apresenta Kempton no tribunal pelo roubo, e então volta seis meses atrás para apresentar um retrato do excêntrico senso de ativismo do homem. Alguns inspetores vão até a casa dele. Parece que ele tem uma televisão no apartamento da família. Mas ele não tem uma licença da BBC, que era exigida na época. Bem, explica Kempton, embora tenha de fato uma televisão, ele removeu dela a bobina que permite a recepção da BBC. Sem BBC, sem licença, ele explica. Ele insiste que a taxa é um imposto injusto. E enquanto ele está envelhecendo, ele acha que a taxa deve ser dispensada para os idosos que podem não ter condições de pagá-la facilmente.

Mais tarde no filme, quando o roubo aconteceu e os investigadores estão examinando a nota de “resgate” de Kempton – ele devolverá a pintura em troca de dinheiro para pagar uma série de taxas – uma mulher examinando as exigências escritas chama Kempton de “um Dom Quixote”. tipo.” Exatamente, e com toda a energia também. Como Dorothy, Helen Mirren transmite lindamente a exasperação e o amor que o personagem sente por Kempton, enquanto Broadbent torna Kempton meio admirável e um pouco ridículo.

Se você já viu seu documentário “Nothing Like A Dame”, lançado aqui como “Tea With the Dames”, que narrava conversas entre as Damas Judi Dench, Maggie Smith, Eileen Atkins e Joan Plowright, você sabe que Michell adorava e atores reverenciados. Portanto, não é de surpreender que o filme seja lindamente interpretado de cima para baixo. Fionn Whitehead é notavelmente cativante como o filho adolescente de Kempton, que acredita em seu pai totalmente – na verdade, mais totalmente do que nos é mostrado inicialmente. E Matthew Goode é bem discreto como advogado de Kempton, que acaba muito surpreso com o veredicto do júri.

O ritmo é frenético e Michell faz alguns desvios astutos, por assim dizer, que adicionam um elemento de mistério ao cenário. Arrumado, mas mal afagado, “The Duke” é um bom momento refinado no cinema.

Agora em exibição em alguns cinemas.

Fonte: www.rogerebert.com

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