Alex Cross está de volta carregando uma aura ainda mais sombria. A nova leva de episódios do suspense da Prime Video troca o procedural básico por um thriller psicológico que discute confiança, lealdade e manipulação. Tudo isso acontece porque surge uma figura envolta em segredos, o temido Mestre — vilão que, nos livros de James Patterson, redefiniu a carreira do detetive.
Logo nos três capítulos iniciais, a série empilha corpos, dúvidas e reviravoltas, obrigando o elenco a oscilar entre a cumplicidade e o medo. O resultado faz justiça ao material literário e oferece um playground dramático para Aldis Hodge, Alona Tal e Isaiah Mustafa. A seguir, destrinchamos como direção, roteiro e atuações erguem essa nova fase de Cross.
A virada sombria de Cross na segunda temporada
A narrativa abandona a estrutura “caso da semana” que marcou o início da série e mergulha em uma trama serializada. O retorno do detetive, agora confrontando o Mestre, aumenta o nível de violência gráfica e de ambiguidade moral. Esse tom mais pesado acompanha a própria evolução literária de James Patterson, que transformou o vilão em antagonista definitivo de Alex Cross.
No audiovisual, a mudança se traduz em fotografia dessaturada, trilha pulsante e encenações claustrofóbicas. Craig Siebels e Nzingha Stewart alternam os episódios na direção, mas mantêm coesão visual: planos fechados, som diegético em destaque e cortes rápidos criam constante sensação de perseguição. O espectador é colocado dentro da mente dos personagens, sentindo as rachaduras emocionais que o Mestre provoca.
Aldis Hodge sustenta a tensão como Alex Cross
O protagonista de Aldis Hodge evolui da altivez contida da primeira temporada para um investigador assombrado. O ator opera em registro interno: pouca verborragia, expressão corporal tensa e olhar que denuncia noites mal dormidas. Essa contenção sustenta a credibilidade de um herói que não confia mais no próprio instinto.
Hodge explora nuances quando Alex esbarra em limitações pessoais. Em cena com Isaiah Mustafa, que vive o parceiro John Sampson, o detetive alterna raiva e vulnerabilidade sem recorrer a arroubos melodramáticos. O método traz verossimilhança a confrontos que poderiam soar fantasiosos — afinal, estamos falando de um serial killer quase onisciente.
Alona Tal e o enigma de Kayla Craig
Se nos livros o Mestre atende por Kyle Craig, a série insinua uma relação íntima entre o vilão e a agente Kayla Craig, vivida por Alona Tal. A atriz israelense entrega uma performance bifurcada: em público, Kayla exibe simpatia e espírito de equipe; sozinha, revela inquietação palpável, olhos sempre varrendo o ambiente em busca de possíveis ameaças.
Tal encontra o ponto de equilíbrio entre charme e ameaça. Quando Kayla utiliza um celular clandestino para contatar o Mestre, a atriz quase sussurra as falas, mantendo tensão mesmo na quietude. A química com Hodge também é estratégica: cenas que antes demonstravam camaradagem policial agora carregam subtexto de traição iminente, algo que remete ao jogo de poderes visto em produções como Círculo Fechado.
Imagem: Yeider Chac
Direção e roteiro elevam o suspense do jogo de gato e rato
Ben Watkins, criador e roteirista, compreende a importância de manter o mistério vivo. Os diálogos curtos evitam explicações didáticas, forçando o público a unir as peças. Watkins também presta homenagem à estrutura literária ao usar capítulos curtos, traduzidos em cenas que raramente ultrapassam três minutos antes de cortar para outra perspectiva.
A dupla de diretores reforça o subtexto. Craig Siebels investe em câmeras manuais e foco profundo nos momentos em que Alex parece perder o controle, enquanto Nzingha Stewart privilegia composições simétricas e iluminação de néon nos contatos clandestinos de Kayla, sugerindo manipulação calculada. A montagem cruzada entre interrogatório e atos de violência dá ritmo e evita que o público relaxe.
Cross ainda vale a maratona?
A segunda temporada confirma que Cross procura mais do que sustos: quer estudar as feridas emocionais causadas pelo crime. As performances centrais se beneficiam da evolução do roteiro, e a direção trabalha cada quadro como pista visual para a identidade do Mestre. O resultado é um suspense que recompensa a atenção a detalhes.
Fãs de thrillers psicológicos encontrarão a mesma tensão que fez de séries como Se7en e Mindhunter fenômenos cult. E, para quem valoriza vozes bem escaladas, o trabalho de Tom Kane na supervisão de dublagem em português mantém a qualidade, ecoando o destaque que o talento de voz do elenco trouxe a grandes animações recentes.
Na soma, Cross permanece um nome relevante no catálogo da Prime Video. Blockbuster Online continuará de olho nos novos passos do detetive, especialmente à medida que o Mestre se revelar — seja ele Kyle, Kayla ou outra mente perversa à espreita.
