Konami resolveu surpreender quem acompanhava o último State of Play ao colocar um carismático polvo infiltrado no centro dos holofotes. A publisher anunciou não só a data de lançamento de Darwin’s Paradox – 2 de abril – como liberou na mesma hora o “Tactical Octopus Action Demo”.
Disponível para PC, Switch, PlayStation 5 e Xbox Series X|S, a amostra jogável é uma carta de amor declarada a Metal Gear Solid e, ao mesmo tempo, o passaporte ideal para quem ainda não sabe se mergulha de cabeça na nova propriedade intelectual do estúdio francês ZDT Studio.
Da State of Play ao controle: o que esperar de Darwin’s Paradox
O demo mantém ritmo acelerado desde o primeiro quadro. Logo de início, o jogador controla Darwin em um cenário que remete diretamente à clássica infiltração de Shadow Moses, mas com paletas de cor vivas e animação que beira o desenho de cinema. Em vez de um soldado sisudo, o protagonista é um molusco cheio de truques: gruda no teto, dispara jatos de tinta para cegar câmeras e, claro, usa camuflagem natural para enganar patrulhas.
Esse recorte de 30 minutos deixa clara a mistura de gêneros: plataforma 2.5D, stealth leve e humor sutil. Mesmo com tantos elementos, a experiência é intuitiva. O desenho de fases favorece a experimentação; saltar entre canos ou nadar entre caixas d’água faz sentido orgânico, qualidades que aproximam o título de sucessos recentes como Astro Bot. Konami, veterana em rolagem lateral desde Contra, parece disposta a atualizar sua cartela de franquias.
Direção e roteiro: quem conduz a aventura do polvo espião
À frente da produção está Camille Roussillon, diretora criativa que passou pela animação francesa antes de ingressar nos videogames. Ela defende um visual inspirado em celuloide clássico, o que explica o brilho quase aquático das texturas e a iluminação suave que acompanha cada fase. O roteiro de Lucas Marchand evita piadas fáceis na comparação com Octodad; prefere diálogos sarcásticos pontuais que lembram as quebras de quarta parede de Metal Gear, mas sem comprometer o ritmo.
Marchand mantém a narrativa simples: Darwin precisa sabotar instalações humanas para garantir a supremacia marinha. Contudo, ele planta pequenas perguntas éticas, principalmente quando o polvo interage com animais cativos – momento oportuno para reflexões ambientais sem soar panfletário. A dupla de criadores faz jus ao slogan “um tributo a uma cobra, contado por um polvo”, brincando com a mitologia de Solid Snake sem deixar de reforçar identidade própria.
Performance do elenco de voz e identidade sonora
Embora seja um jogo de plataforma, Darwin’s Paradox reserva espaço notável para atuação vocal. O destaque fica com Amélie Durand, que empresta timbre leve e curioso ao protagonista. Cada suspiro ou gargalhada curta do polvo ajuda a construir personalidade – não por acaso, o estúdio gravou as falas em sessões de captura facial, algo raro em produções independentes.
Imagem: Internet
Do outro lado do rádio, o veterano Doug Stone interpreta o vilão Almirante Grim, trazendo peso dramático que contrasta com o tom cartoon do cenário. As conversas entre os dois relembram o jogo de gato e rato de Metal Gear: informação tática misturada a provocações. A trilha sonora orquestrada de Juliette Deveraux combina percussão aquática com guitarras abafadas, reforçando clima de espionagem. É impossível não notar ecos do trabalho que Akira Yamaoka realiza em Silent Hill Townfall, mesmo que o gênero seja outro.
Mecânicas táticas: onde o tributo a Metal Gear faz diferença
A demo coloca Darwin em três pequenas seções que exemplificam o pilar “tático”. Na primeira, câmera isométrica lateral privilegia rota stealth clássica: esconder-se em caixas d’água portáteis e desligar refletores. Logo depois, o título mostra por que a física de tentáculos é o coração da experiência: cada ventosa reage individualmente, permitindo que o polvo puxe alavancas ou se projete de catapultas aquosas. Há sensação tangível de controlar algo vivo, mérito do motor proprietário SeaTech desenvolvido pela ZDT.
Já o terceiro trecho é quase um minijogo de chefão, no qual Darwin precisa sabotar drones enquanto usa tinta para criar barreiras temporárias. Essa mecânica promete profundidade estratégica no jogo completo. O sistema de skins, cujos bônus Psyched e Dotted vêm para quem fizer a pré-compra, insinua que novas vantagens cosméticas ou até estatísticas podem surgir como DLC. Konami vem adotando esse modelo em lançamentos recentes; basta lembrar dos debates sobre monetização que cercaram Suicide Squad: Mate a Liga da Justiça.
Vale a pena assistir?
Mesmo em formato de degustação, o “Tactical Octopus Action Demo” cumpre duas missões: apresenta o sistema de movimento único de Darwin’s Paradox e demonstra que a ZDT Studio domina referências sem perder autenticidade. Quem valoriza atuação de voz bem dirigida, direção de arte cinematográfica e jogabilidade que mescla furtividade a plataformas encontra na demo um convite forte a reservar o jogo completo.
Para o público do Blockbuster Online, curioso por novidades que saiam da curva, fica o recado: o polvo espião tem potencial para se juntar à lista de protagonistas carismáticos da geração. Se a versão final manter o ritmo — e adicionar a variedade de fases prometida — Darwin poderá nadar longe da sombra de seus parentes famosos na árvore genealógica da Konami.
