Claro, “Duna” tem que passar por alguns depósitos de exposição no início – isso é natural, dado que o romance de Herbert vem com um glossário anexado para todos os termos que ele criou. Mas, em última análise, isso não é uma barreira à entrada, dado o quão minimamente Villeneuve se detém nos termos ou na tecnologia do universo. Eles seriam pouco mais do que uma fachada se o filme não se apoiasse em sua forte espinha dorsal elementar de monomito. É totalmente reconhecível, mas totalmente seu próprio fenômeno único.

As minúcias de “Duna” não são um fim em si mesmas, uma série de ovos de Páscoa ou referências sutis destinadas a agradar a imaginação dos já convertidos. Este não é um filme de fan-service feito sob medida para os devotos desta jornada específica. Em vez disso, é aquele que pode penetrar na psique de qualquer pessoa com a capacidade de se inspirar nessas histórias.

Entre as razões pelas quais “Duna” pode suscitar tamanha grandeza está o fato de Villeneuve, junto com seus co-roteiristas Jon Spaihts e Eric Roth, não eliminar os óbvios elementos messiânicos do livro de Herbert. Eles nunca tomam a aceitação do público da importância da história como certa, optando por ir grande com a mitologia ao invés de contar com taquigrafias preguiçosas para que o público preencha as lacunas mentais. Mas eles também não sobrecarregam a alegoria, de modo que os tons não nos distraem da progressão da própria história enquanto Paulo se prepara para sua ascensão inesperada.

Decorrente desta linha mística, Villeneuve tem um interesse incomum pela forma e função da cerimônia e do ritual em “Duna”, estabelecendo assim a ressonância deste universo fantástico com estruturas familiares em nosso próprio. Ainda assim, ao abraçar a emergência de Paulo como uma fonte de onisciência e salvação, eles estabelecem apostas genuinamente elevadas para o filme, aquelas que correspondem à escala de ambição e ação em exibição. Suas consequências também parecem maiores do que a vida, não apenas limitadas aos resultados financeiros do estúdio, e a responsabilidade de transmiti-las repousa em grande parte no desempenho de Chalamet.

Fonte: www.slashfilm.com

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