Diablo 2 Resurrected entrou em 2026 com a maior sacudida desde o lançamento. A Blizzard não apenas liberou o RPG de 2021 na vitrine da Valve, como também desbloqueou a tão comentada compatibilidade oficial com o Steam Deck. De quebra, o pacote batizado de “Reign of the Warlock” introduziu o Bruxo, primeira classe inédita criada para o ecossistema de Diablo 2 em quase um quarto de século.
A decisão elimina a antiga barreira do Battle.net no PC portátil e renova a construção de personagens num meta consolidado há décadas. Para veteranos ou novatos curiosos, o cenário muda por completo: quem dita o ritmo agora não é só o hype da nova classe, mas a facilidade de instalar o título em qualquer biblioteca Steam.
Bruxo: como a nova classe muda a dinâmica do campo de batalha
O elenco original de Diablo 2 sempre foi organizado em arquétipos bem definidos: Bárbaro resolve tudo no braço, Feiticeira domina os elementos, Paladino equilibra auras com sobrevivência e Necromante controla mortos-vivos. O Bruxo, porém, mistura um pouco de cada um, rompendo fronteiras no design de classes.
Seu repertório é dividido em três pilares. A Ligação Demoníaca permite escravizar inimigos específicos, transformando-os em lacaios temporários ou consumindo-os para obter bônus de status. Já a Manipulação de Armas Eldritch devolve ao jogador a chance de empunhar armas pesadas à distância, enquanto mantêm itens de mão secundária ativos — combinação inédita no jogo. Fechando o pacote, a Árvore de Magias do Caos abandona o dano elemental bruto em favor de áreas de negação, debuffs acumulativos e escalonamento por corrupção.
Na prática, o Bruxo oferece uma abordagem híbrida que incentiva experimentação. Seus lacaios duram menos que os servos do Necromante, mas abrem janelas estratégicas de buff. O dano sustentado compensa a ausência de picos explosivos típicos da Feiticeira. E, embora exista viabilidade corpo a corpo, ela depende da sinergia entre magia e estatísticas de força. Resultado: veteranos de escalada de ladder já revisitam planilhas, testando rotações e sinergias que não existiam até então.
O peso histórico da primeira classe inédita em 25 anos
Quando Diablo 2 chegou às lojas em 2000, o conteúdo extra veio rápido: Senhor da Destruição, em 2001, adicionou Assassina e Druida. Depois disso, silêncio absoluto. Mesmo com o remake de 2021 revigorando visuais e infraestrutura online, a lista de heróis permaneceu intacta — até agora.
Por esse motivo, a aparição do Bruxo é mais que um simples recurso sazonal; trata-se de mudança estrutural num game considerado completo há tempos. O código original precisou de ajustes profundos para acomodar animações, itens de classe, questlines e todo o balanceamento associado. A atualização ainda trouxe melhorias de qualidade de vida, como filtro de loot personalizável e ampliação do baú, mas nenhuma mexe tanto com a essência do gameplay quanto essa nova figura sombria.
Nos bastidores, o movimento ecoa discussões que tomam conta da indústria, sobretudo quando cortes de equipe viram manchete, a exemplo das demissões que abalaram a Wildlight Entertainment. Em contrapartida, o reforço de talento dedicado a Diablo 2 evidencia o esforço da Blizzard para estender o ciclo de vida de um clássico que, à primeira vista, parecia inalterável.
Chegada ao Steam: impacto além do hype
Se por um lado a classe nova atiça a comunidade hardcore, por outro a migração de plataforma pode render frutos ainda mais duradouros. Desde 2021, executar Diablo 2 Resurrected no Steam Deck exigia gambiarras para contornar o Battle.net. A partir de 11 de fevereiro de 2026, isso acabou: o título está disponível para compra direta na loja da Valve, já ostenta o selo “Steam Deck Verified” e roda sem ajustes extras.
Imagem: Blizzard/GameRant
Com isso, desbloqueiam-se conquistas nativas, lista de amigos unificada e visibilidade para milhões de usuários que raramente saem do ecossistema Steam. Handhelds ganham terreno, pois o loop de missões curtas e farming desenhado em 2000 encaixa perfeitamente em sessões portáteis. Para a Blizzard, a jogada também abre portas para promoções sazonais e pacotes de DLC integrados à infraestrutura da Valve, estratégia que vem sendo copiada por outras publishers e que provavelmente inspirará o próximo Battlefield, cuja Temporada 2 mira uma reforma radical para atrair novo público.
Um detalhe persiste: continua obrigatório logar com conta Battle.net. Contudo, a eliminação do launcher externo já é metade do caminho. Jogadores que antes ignoravam o remake por preguiça de configurações agora encontram o game lado a lado de sucessos indies, prontos para instalar em menos de 10 GB.
Reflexos no meta e na comunidade competitiva
A cena ladder de Diablo 2 é conhecida pela rigidez. Durante anos, os speedrunners repetiam rotas otimizadas, e caçadores de itens raros sabiam de cor o melhor ponto de queda de cada runa. A entrada do Bruxo embaralha cartas cruciais: builds baseadas em debuff em área prometem alterar o valor de resistências, e a possibilidade de manipular armas pesadas à distância indica ajustes no tier list de equipamentos lendários.
Além disso, a chegada ao Steam facilita torneios casuais, pois o sistema de salas e convites da Valve simplifica a criação de lobbies privados. Há quem diga que veremos um renascimento do PvP, segmento que perdeu força ao longo dos anos devido a hacks e desequilíbrios. Caso a Blizzard consiga manter patches de balanceamento regulares, Diablo 2 Resurrected pode conquistar fôlego semelhante ao de títulos que se reinventaram com cross-play, caminho que Fallout 76 estuda seguir depois de sete anos.
Outro reflexo imediato ocorre no mercado de trocas. O Steam incorpora sistemas de comunidade, facilitando a listagem de itens, enquanto o filtro de loot recém-implantado reduz o spam visual em áreas com alta densidade de drop. A soma dessas features moderniza a experiência sem mexer no DNA isométrico tão querido pelos fãs.
Vale a pena revisitar Diablo 2 Resurrected em 2026?
Para quem jogou o original até a exaustão, a classe Bruxo oferece motivo sólido para recomeçar, pois subverte arquétipos tradicionais e injeta novas rotas de progressão. Já a liberação no Steam remove fricções técnicas e torna o game atraente para uma base gigantesca que prefere portáteis e conquistas integradas.
Se a expectativa era sentir novamente o clique febril do hack’n’slash sem lidar com instalações complexas, o momento chegou. O Blockbuster Online testou a build no Steam Deck e confirmou desempenho estável a 60 fps, ainda que o launcher Battle.net continue obrigatório. Em resumo: conteúdo inédito, acessibilidade ampliada e suporte portátil formam um tripé que justifica o retorno ao Santuário — e, para quem nunca esteve lá, representa a porta de entrada mais amigável desde 2000.
