ARC Raiders virou fenômeno desde a estreia em 30 de outubro de 2025, mas a discussão em torno do uso de IA em ARC Raiders não arrefeceu. Mesmo com picos de 481 mil jogadores simultâneos no Steam e críticas positivas, parte da comunidade segue desconfiada do recurso de voz sintetizada no jogo.
Em entrevista recente, Patrick Söderlund, CEO da Embark Studios, voltou a defender a escolha. Segundo ele, a tecnologia não substitui artistas nem corta vagas, mas acelera processos e, no fim, entrega mais conteúdo aos fãs. A polêmica, porém, persiste.
Por que a IA virou tema central em ARC Raiders
Antes mesmo do lançamento, a Embark revelou ter treinado um sistema para replicar performances de dubladores que, segundo o estúdio, concederam autorização e foram remunerados. A notícia acendeu o debate sobre ética e qualidade: vozes artificiais teriam a mesma carga emocional de uma gravação tradicional?
Críticos apontam que, ao optar pela síntese de voz, o estúdio evita sessões de estúdio demoradas. Já a Embark destaca que o método encurta ciclos de produção, possibilitando atualizações rápidas – crucial para um shooter de extração que exige conteúdo constante.
Dados de desempenho reforçam a discussão
Apesar da controvérsia, os números falam alto. Depois de atingir mais de 481 mil jogadores simultâneos no Steam, ARC Raiders manteve 91 % da base ativa ao longo de 2026. Para efeito de comparação, Battlefield 6, lançado no mesmo período, perdeu 85 % dos usuários em três meses.
Especialistas enxergam a consistência do game como prova de que a adoção de IA não afastou a comunidade. Ainda assim, o assunto segue sensível entre desenvolvedores e dubladores, que temem impactos a longo prazo.
O que diz Patrick Söderlund sobre o uso de IA em ARC Raiders
Ao ser questionado pelo site GamesBeat, Söderlund foi categórico: “Não usamos IA para evitar contratar pessoas ou substituir grupos de trabalho.” Para ele, é preciso “dar um passo para trás” e entender que a inovação pode ser “um enorme benefício para os jogadores”.
O executivo faz coro a quem enxerga a inteligência artificial como ferramenta, não ameaça. Segundo seu relato, a Embark continua ampliando equipes artísticas mesmo após implementar o sistema de voz. “O foco é aumentar nossa velocidade de produção, não eliminar talentos”, enfatizou.
Visões de mercado divididas
Shams Jorjani, da Arrowhead Game Studios (de Helldivers 2), entrou na conversa meses atrás e resumiu o conflito: de um lado, empresas como a Square Enix pretendem automatizar até 70 % de testes de qualidade; de outro, profissionais temem perder a “essência” do trabalho criativo.
Jorjani adota postura conciliadora: “Se as pessoas forem pagas pelo que criam, existe meio-termo.” Esse posicionamento ecoa o que a Embark afirma ter feito com seus dubladores.
IA nos games além da Embark
ARC Raiders não é caso isolado. A Activision, por exemplo, confirmou usar “diversas ferramentas digitais, inclusive IA” em Call of Duty: Black Ops 7, depois que fãs apontaram artes supostamente geradas por algoritmo. A tendência indica que o uso de IA em ARC Raiders é só parte de um movimento maior na indústria.
Imagem: Internet
Para estudiosos, a adoção de inteligência artificial deve crescer em áreas como design de níveis, modelagem de personagens e testes automatizados. O parlamento britânico, inclusive, já discute normas sobre direitos autorais de vozes e imagens geradas artificialmente.
Impacto na experiência do jogador
Do ponto de vista do consumidor, a promessa é clara: mais atualizações, eventos semanais e missões inéditas lançadas em tempo recorde. No caso de ARC Raiders, a Embark afirma que a IA reduz semanas de trabalho de áudio para poucos dias, acelerando a chegada de novos capítulos narrativos.
Jogadores relatam nas redes que a qualidade das vozes é “quase imperceptível” em relação a gravações humanas. Outros, no entanto, dizem sentir “falta de alma” em certas falas, reforçando que a discussão ainda está longe de consenso.
Números que sustentam a tática da Embark
Além dos 91 % de retenção, ARC Raiders ostenta média 87/100 no agregador OpenCritic, com 92 % das análises positivas. A classificação Teen da ESRB, restrita a violência e sangue moderados, amplia o público-alvo e pode ter contribuído para o sucesso.
Internamente, o estúdio credita parte desses resultados ao uso estratégico de IA. Menos tempo em estúdio significa mais tempo polindo mecânicas de extração, sobrevivência e tiro em terceira pessoa – algo que a comunidade valoriza.
Comparação com rivais diretos
Battlefield 6 e Call of Duty: Black Ops 7, lançados no mesmo intervalo, contaram com campanhas de marketing robustas. Ainda assim, nenhum deles replicou a retenção de ARC Raiders. Analistas de mercado sugerem que a rapidez nas atualizações, facilitada pela IA, é fator decisivo.
Outro indício: a manutenção de servidores lotados em horários de pico garante matchmaking veloz, aspecto vital para a vida útil de um shooter competitivo.
O futuro do uso de IA em ARC Raiders e além
Söderlund admite que a discussão sobre ética e tecnologia “ainda vai levar anos” até se estabilizar. Porém, crava que a Embark continuará investindo em IA, sempre com o compromisso de remunerar profissionais envolvidos.
No BlockBuster Online, acompanharemos os próximos passos: seja a expansão de ARC Raiders, novos projetos da Embark ou regulamentações que possam surgir. Enquanto isso, o uso de IA em ARC Raiders permanece como estudo de caso para toda a indústria.
