O terror que rondava Derry finalmente estoura na tela. No penúltimo episódio, a série deixa de sugerir para mostrar, transformando a cidade em um barril de pólvora prestes a explodir.
Entre chamas, tiros e gritos abafados pela fumaça, o capítulo 7 coloca cada personagem diante de uma escolha: sobreviver ou ceder à loucura. O resultado é um dos momentos mais impactantes da temporada.
A Augery começa, e Derry mergulha no caos
O chamado ciclo de violência em massa, conhecido como Augery, toma forma logo nos primeiros minutos. Desde o início da temporada, a produção vinha acenando para esse despertar periódico de Pennywise, mas agora a matança se torna realidade. A atmosfera opressiva cresce a cada cena, deixando claro que o clímax bate à porta.
Ambientado em 1962, o ataque ao Black Spot surge como retrato cruel de racismo e ódio enraizados. A milícia liderada por Clint Bowers invade o clube frequentado pela comunidade negra e transforma o local em alvo fácil. Em meio ao fogo cruzado, a linha que separa violência humana e horror sobrenatural fica tênue.
Viagem a 1908 apresenta Bob Gray
Antes de mergulhar no massacre, o roteiro volta a 1908 para introduzir Bob Gray, artista decadente cuja imagem seria adotada décadas depois por Pennywise. A série não entrega respostas prontas, mas constrói um ponto de origem emocional para A Coisa. Vemos um homem em declínio encontrar no público infantil sua última plateia — e, nas sombras, germina algo perverso.
A breve interação entre Bob Gray e Ingrid criança reforça um tema recorrente: o mal que permeia Derry não se resume ao sobrenatural; ele atravessa gerações como legado social. Esse paralelo ecoa quando a narrativa retorna ao presente e mostra a cidade marchando rumo ao colapso.
Massacre no Black Spot expõe horror humano
O episódio 7 de It: Bem-Vindos a Derry dedica boa parte de sua duração ao cerco violento contra o Black Spot. Chamas consomem o prédio enquanto tiros reverberam na multidão em pânico. O caos se intensifica com a aparição de Pennywise em meio ao fogo, elevando o horror a outro patamar.
Segundo a série, esse ataque é o estopim que conecta violência estrutural, racismo e medo coletivo. Cada relance do palhaço reforça a ideia de que A Coisa alimenta-se de ódio humano tanto quanto de terror infantil. Visualmente, o episódio entrega cenários escuros, fumaça densa e trilha sonora sufocante.
Sacrifício de Rich emociona o público
No auge da confusão, Rich — personagem que vinha ganhando espaço desde o quarto capítulo — protagoniza a sequência mais dolorosa até agora. Ele se coloca entre Marge e a morte, garantindo a fuga da amiga. A despedida dura segundos, mas deixa marcas profundas tanto no grupo de crianças quanto no espectador.
A preparação para esse momento foi sutil: olhares cúmplices, piadas nervosas, gestos de carinho que pareciam inocentes. Quando o destino se cumpre, o sentimento de perda é imediato e palpável.
Imagem: Internet
Decisões militares contestáveis e o peso de Hallorann
Enquanto o núcleo infantil se sustenta na emoção, o arco militar enfrenta turbulências. Shaw opta por derreter o fragmento relacionado aos chamados pilares, decisão que soa mais como atalho narrativo do que desenvolvimento orgânico do personagem. Ainda assim, a série encontra equilíbrio ao deixar Dick Hallorann como pilar emocional desse lado da história.
Hallorann lida com limites psíquicos cada vez mais frágeis. O desgaste mental ao encarar Pennywise transparece em cada expressão, traduzindo medo de forma quase física. Essa vulnerabilidade humaniza o conflito e impede que o enredo militar desmorone por completo.
Pennywise assume papel central
Desde o quinto episódio, a produção vem intensificando o terror visual. Agora, o confronto direto com a entidade se torna frequente e aterrorizante. Pennywise surge entre labaredas, sussurra nos escombros e observa vítimas com olhar faminto, lembrando que não há refúgio seguro em Derry.
A performance de Bill Skarsgård, mesmo que dosada, carrega a força necessária para tornar cada aparição inesquecível. O palhaço transita entre sarcasmo e sanguinolência, potencializando o pavor nas cenas mais intensas.
Drama familiar agrava o clima de fim de mundo
Além de Rich, outros núcleos sofrem rupturas. A separação dos Hanlon evidencia como o terror corrói laços. Periwinkle, por sua vez, surge como ameaça crescente, fazendo o público questionar quem sobrevive ao próximo amanhecer.
Esses dramas pessoais reforçam o tema central da série: o horror não é apenas externo; ele floresce nos medos íntimos, nas culpas secretas e nas falhas de cada personagem. O resultado é uma experiência que mistura terror e emoção sem diluir nenhum dos dois.
Reta final promete confronto decisivo
Com um único episódio restante, o campo de batalha está armado. A Augery segue em curso, a cidade respira fumaça e as ausências pesam como pedras. O episódio 7 de It: Bem-Vindos a Derry deixa claro que não há mais espaço para sutilezas: o terror explícito e o colapso emocional caminham lado a lado.
Se a série vinha equilibrando sugestão e susto, agora ambos coexistem num ritmo frenético. BlockBuster Online acompanhará atentamente o desfecho, ciente de que a adaptação, até aqui, se confirma como uma das mais consistentes no universo de Stephen King.
