Oito meses depois da chegada mundial do Nintendo Switch 2, a novela envolvendo a distribuição de kits de desenvolvimento segue sem um fim claro. Integrantes de grandes, médias e, sobretudo, pequenas equipes relatam dificuldades para colocar as mãos no hardware necessário para produzir versões dedicadas ao novo console híbrido da Big N.
Enquanto a base instalada cresce — mais de 17 milhões de unidades já foram vendidas — a “plateia” de desenvolvedores assiste a um palco vazio: pedidos seguem sem resposta e, segundo relatos colhidos pelo site dinamarquês Arkaden, até veteranos da primeira geração do Switch encontram barreiras inesperadas.
Escassez de kits de desenvolvimento do Nintendo Switch 2 esfria o clima nos bastidores
Datas oficiais ajudam a traçar o roteiro dessa crise. Em 16 de janeiro de 2025, logo após anunciar o console, a Nintendo informou que não aceitaria solicitações para o ambiente de desenvolvimento. Em abril, somente as publishers gigantes — já comprometidas com o line-up de lançamento — receberam unidades limitadas. E, mesmo depois do lançamento global em 5 de junho de 2025, nada mudou para a maioria dos estúdios menores.
Hoje, em fevereiro de 2026, fontes ouvidas pelo Arkaden afastam o argumento de “problema logístico”. Para elas, a decisão seria política: manter os holofotes nos jogos do Switch original, cuja base ativa ultrapassa 130 milhões de usuários. Tal estratégia explica por que o Switch 2 permanece fácil de encontrar nas lojas físicas, enquanto suas ferramentas de desenvolvimento tornaram-se um item quase lendário.
Bastidores da decisão: controlar vazamentos ou prolongar a geração anterior?
De início, analistas enxergaram um movimento defensivo contra vazamentos. A Nintendo, conhecida pela cautela, já foi vítima de diversos leaks que estragaram surpresas em lançamentos como The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom. Porém, a escassez prolongada reforça a hipótese de uma jogada para dilatar a vida útil do Switch 1.
Um dos indícios mais curiosos surgiu em agosto de 2025. Reportagem da Digital Foundry revelou que representantes da empresa recomendavam a pequenos estúdios que continuassem desenvolvendo para o primeiro Switch — contando com a retrocompatibilidade do novo modelo para alcançar o público recente. A decisão lembra a crise de componentes que atingiu o Steam Deck no ano passado, quando até mesmo a Valve precisou frear envios, conforme noticiado no artigo sobre a escassez de componentes.
Impacto direto nos estúdios independentes
Entre os mais afetados estão desenvolvedores independentes que fizeram sucesso no primeiro console. Alguns deles lançaram hits como Hades, Celeste e Dead Cells, responsáveis por impulsionar as vendas da eShop na era pré-Switch 2. Agora, sem acesso ao kit oficial, esses mesmos criadores veem projetos engavetados ou portados às pressas para plataformas concorrentes.
Imagem: Nintendo
Nas redes sociais, produtores relatam fila de espera sem previsão. Há relatos de equipes que protocolaram o pedido ainda em 2024 e continuam sem resposta. Outros, mais ousados, arriscaram adquirir versões protótipo de terceiros — prática que, além de ilegal, não garante compatibilidade de firmware. “A cada mês perdido, aumenta o risco de lançar tarde demais”, desabafou um designer europeu que assinou alguns dos maiores indies de 2019.
Consequências para o catálogo de jogos do Switch 2
A limitação compromete upgrades planejados. Títulos como Skyrim, recém-atualizado para a versão 1.2 no Switch 2, são exceções que confirmam a regra — fruto de acordos privilegiados com editoras gigantes. Para a maioria, a solução tem sido segurar novidades ou oferecer somente otimizações básicas. Desenvolvedores de RPGs táticos chegaram a comentar que as melhorias previstas para processamento de IA e cenários em 4K não cabem na arquitetura do primeiro Switch.
De forma discreta, a Nintendo se beneficia financeiramente: enquanto o novo console vende bem, o catálogo do modelo antigo continua gerando receita, sobretudo em promoções digitais. Mas o longo prazo preocupa. Caso a Big N demore demais, o Switch 2 pode sair de cena antes de mostrar todo o seu poder, abrindo espaço para rivais como o próximo hardware da Valve ou o hipotético PlayStation Portal 2, já comentado em fóruns especializados.
Vale a pena ficar de olho?
Para quem acompanha o mercado de perto — como os leitores do Blockbuster Online — a situação merece atenção. Se a Nintendo liberar mais kits nas próximas semanas, a segunda metade de 2026 pode receber uma enxurrada de ports aprimorados e experiências inéditas que exploram o novo chipset. Caso contrário, o Switch 2 corre o risco de viver uma primeira temporada morna, sustentada quase exclusivamente por estúdios internos de Kyoto.
Por enquanto, o roteiro segue indefinido. O público, os estúdios e a crítica esperam a próxima cena: a distribuição regular dos kits de desenvolvimento do Nintendo Switch 2.
