Este musical francês vai duro no espetáculo vistoso

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Alguém que procura coesão dentro do musical ficará desapontado. A ação pode ser por falta de propulsão, apesar da atual progressão da trama. O encerramento do Ato I onde Frollo, uma sombra iminente, comete um esfaqueamento para enquadrar Esmeralda é feito com pouca acumulação e a partitura não consegue pontuar o suspense. Quando Quasimodo liberta Esmeralda e os prisioneiros, de alguma forma parece um acaso e não um desenvolvimento de sua coragem e solidariedade com os marginalizados oprimidos como pretendido.

Mas o zênite é “Les Cloches”. Enquanto Quasimodo elogia os sinos como seus companheiros, os acrobatas aéreos balançam como o pêndulo do sino. É a melhor coesão poética do espetáculo e do personagem. É a única ária de Quasimodo – e todas as suas árias são lindas, mas cheias de autopiedade e desejo romântico – que nos envolve em sua alienação e sua interioridade.

Parece haver poucos motivos para revisar o pior e o melhor de sua encenação. Suspeito que a razão pela qual este musical de 24 anos conquistou corações corre paralela ao sucesso comercial do musical em inglês “Les Miserables”, que compartilha uma linhagem adaptativa com os escritos de Victor Hugo. Se seus respectivos temas combinam em ressonância pode ser motivo de debate, mas ambos produzem números musicais repletos de esperança melancólica, mas sem orvalho. O mais moral de seus jogadores oprimidos nunca parece apagar uma vela de esperança, mesmo diante da perda. Quando um Clopin moribundo se solidariza com Esmeralda uma última vez, tão fugazmente, é uma “Notre Dame de Paris” que brilha sua humanidade. Perdoar suas falhas requer graça porque esse musical se aceita como uma experiência emocional.

“Notre-Dame de Paris” concluiu sua exibição na cidade de Nova York. A encenação original de 1998 da “Notre-Dame de Paris” pode ser encontrada em DVD.

Fonte: www.slashfilm.com

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