Janeiro mal se despediu e a cena de JRPG já ganhou combustível extra para fevereiro de 2026. Quatro títulos de peso — todos versões revisitadas, mas com novidades suficientes — desembarcam para animar quem prefere menus estratégicos a gatilhos de horror.
Dragon Quest 7 Reimagined abre o mês, seguido por Rune Factory: Guardians of Azuma, Ys X: Proud Nordics e, fechando a rodada, Tales of Berseria Remastered. A seguir, o Blockbuster Online destrincha o que cada projeto traz de relevante em termos de direção, roteiro e, claro, a “atuação” dos personagens virtuais nesses universos cheios de texto e dublagem.
Dragon Quest 7 Reimagined revisita um clássico com novo visual diorama
Lançamento em 5 de fevereiro, Dragon Quest 7 Reimagined troca o charme HD-2D dos remakes anteriores por um cenário totalmente em 3D, inspirado em dioramas detalhados. A decisão criativa partiu da Square Enix em parceria com a HexaDrive, casas responsáveis por dirigir e reescrever cada cena para o novo formato.
Os “atores” digitais — ou melhor, os heróis comandados pelo jogador — ganham novas animações faciais e corporais graças ao motor gráfico atualizado. Esse cuidado torna mais crível a jornada que mistura viagem temporal e combates por turnos. O roteiro original de 2000 permanece intacto, mas as cenas contam agora com vozes adicionais e expressões que reforçam intenções, algo que faltava na versão de PlayStation 1.
Do ponto de vista de design, a introdução do sistema Vocational Perks e do recurso Moonlight, que permite dupla classe, adiciona nuances táticas sem ferir a estrutura tradicional. São os “subtextos” desse remake, equivalentes às entrelinhas de um filme restaurado, que prometem segurar veteranos por mais de 100 horas.
O título chega simultaneamente a PS5, Xbox Series, Switch 2, Switch e PC, tornando-se a edição mais acessível já lançada. Essa amplitude também contrasta com a recente inclusão de clássicos no Game Pass, reforçando o apetite das publishers por catálogo robusto.
Rune Factory: Guardians of Azuma abandona a exclusividade Nintendo
Guardians of Azuma estreia no PS5 e Xbox Series X|S em 13 de fevereiro depois de oito meses restrito à linha Switch 2 e ao PC. Dirigido por Yoshifumi Hashimoto, o jogo mistura ação, agricultura e life-sim, um híbrido que lembra Harvest Moon filtrado pelo espírito do JRPG.
No quesito “performance”, os dubladores retornam com gravações adicionais para NPCs, melhorando a construção da vila devastada que cabe ao jogador reconstruir. A narrativa escrita por Yuhito Ikushima valoriza a rotina diária tanto quanto as batalhas. Os diálogos, agora com sincronização labial aprimorada, evitam o clima de marionete visto nas edições passadas.
Aliado ao aumento de resolução, o estúdio Marvelous adicionou shaders de iluminação global que fazem diferenças sutis, mas perceptíveis, nos ciclos de dia e noite. A direção de arte favorece cores mais quentes para o cultivo e tons sombrios nas cavernas infestadas de monstros — um trabalho de contraste que realça cada “ato” desse roteiro fragmentado por estações.
Mesmo sem confirmação de Xbox Game Pass, a presença em múltiplas plataformas preenche a lacuna de JRPGs no console da Microsoft, ainda mais após o burburinho recente em torno de cancelamentos de projetos internos.
Ys X: Proud Nordics chega como edição definitiva, mas sem upgrade gratuito
Desenvolvido pela Nihon Falcom e PH3 GmbH, Proud Nordics aporta em 20 de fevereiro com um roteiro adicional que expande a saga de Adol pelas ilhas de Oland. O diretor Toshihiro Kondo não se limitou a acrescentar capítulos: reeditou cenas já existentes para encaixar os novos personagens Canute e Astrid, fundindo linhas dramáticas antigas e inéditas.
Imagem: GameRant
Essa costura lembra filmes que ganham cortes do diretor anos depois, mas aqui o espectador interage diretamente. A ausência de caminho de upgrade para quem possui Ys X Nordics original gera controvérsia; ainda assim, o clima de novidade é reforçado pelo modo 120 FPS no Switch 2 e por filtros de pós-processamento que suavizam serrilhados no PC.
Quanto à atuação, destaque para a dublagem dual de Adol, que alterna entonações de acordo com a afinidade do duo mode de combate. Essa dinâmica é chave para sustentar a tensão durante as batalhas frenéticas, emulando a emoção de uma troca de diálogos intensa em cena de ação cinematográfica.
O pacote inclui todos os DLCs de 2024, roupagens alternativas e trilhas extras assinadas por Falcom Sound Team jdk. Mesmo com preço cheio, Proud Nordics se posiciona como edição definitiva — uma “versão do diretor” que dificilmente ganhará reedição tão cedo.
Tales of Berseria Remastered encerra o mês com polimento e ritmo acelerado
Lançado originalmente em 2016, Tales of Berseria retorna em 27 de fevereiro exibindo texturas 4K e movimento 20 % mais rápido para a protagonista Velvet. A Bandai Namco delegou a remasterização ao estúdio D.A.G Inc., que revisou mais de 300 cutscenes para diminuir tempos mortos e ajustar câmeras.
O roteiro de Naoki Yamamoto permanece intacto, mas a edição ganhou marcadores de objetivo no mini-mapa, evitando idas e voltas desnecessárias que antes comprometiam o ritmo — equivalente a enxugar diálogos expositivos em um longa. Além disso, todos os DLCs, desde roupas temáticas a dublagens adicionais, acompanham o pacote.
Destaque para a performance de Rina Satō, voz original de Velvet, que regravou falas cruciais com inflexões mais sombrias, alinhadas à proposta de vingança do enredo. Esse refinamento garante coesão entre guinadas dramáticas e sequências de ação em tempo real, elemento vital para a identidade da série Tales.
A remasterização também chega ao Switch, atendendo pedidos antigos de fãs e se juntando a franquias que, como Resident Evil Requiem, apostam em relançamentos para manter relevância.
Vale a pena conferir os JRPGs de fevereiro de 2026?
A agenda de fevereiro consolida quatro visões distintas de como revitalizar um título existente. Dragon Quest 7 Reimagined investe em estética; Rune Factory aposta na expansão de público; Ys X Proud Nordics oferece conteúdo inédito; e Tales of Berseria Remastered corrige ritmo sem mexer na essência. Para quem acompanha o gênero ou busca porta de entrada, as opções são variadas e chegam com melhorias tangíveis em direção, roteiro e interpretação digital.
