Quando Halo: Combat Evolved chegou ao primeiro Xbox, em 2001, parecia impossível que algum dia a armadura do Master Chief enferrujasse. Hoje, no entanto, a franquia que ajudou a moldar o tiro em primeira pessoa vive um momento de dúvida sobre sua própria identidade.
Entre trocas de estúdio, mudanças de fórmula e uma comunidade cada vez mais exigente, Halo tenta provar que ainda merece lugar de destaque no panteão dos games de ação. A seguir, destrinchamos o que funcionou, o que emperrou e quais caminhos podem devolver o brilho à série.
O que tornou Halo um fenômeno cultural
O primeiro ponto a lembrar é que Halo nasceu rompendo padrões. Em plena era de GoldenEye 007 e DOOM 64, Bungie colocou o jogador em combates amplos, com IA agressiva e cenários que incentivavam criatividade. A ausência de sprint e mira por ADS, hoje comuns em quase todo FPS, ajudava a destacar a jogabilidade baseada em mobilidade controlada e gerenciamento de escudo. Essa combinação criou tiroteios táticos e, ao mesmo tempo, frenéticos.
Além da mecânica, Bungie apostou em narrativa cinematográfica. Fases com ritmo pensado a cada curva, trilha épica de Martin O’Donnell e reviravoltas espaciais fizeram o enredo parecer maior que a soma dos tiroteios. O resultado foi um produto tão impactante que muitos jogadores lembram até hoje de onde estavam quando viram o Flood pela primeira vez. A série também fincou bandeira no multijogador de console via Xbox Live, ajudando a popularizar partidas online no começo dos anos 2000.
As escolhas do Estúdio Halo após a saída da Bungie
Em 2010, Bungie deixou o universo Halo para criar Destiny, e a Microsoft fundou a então chamada 343 Industries — agora rebatizada como Estúdio Halo — para manter viva a marca. A equipe abraçou a difícil missão de expandir o legado sem parecer mera repetição. Para isso, alterou sistemas clássicos, inseriu sprint, mira aprimorada e até saltos com jetpack em Halo 5.
A ousadia, no entanto, veio acompanhada de perda de personalidade. Muitos fãs apontam que a série começou a se aproximar demais de Call of Duty, abandonando o balé de tiros e granadas que a definia. Essa sensação se intensificou com tramas confusas: novos personagens surgiam e sumiam sem consequência, enquanto a figura do Master Chief perdia centralidade. Ao tentar agradar a todos, o Estúdio Halo acabou criando jogos que, embora tecnicamente competentes, pareciam indecisos sobre o que queriam ser.
Pontos fortes e fracos de Halo Infinite
Lançado em 2021, Halo Infinite ganhou elogios pela jogabilidade refinada. O controle das armas é responsivo, a movimentação incorpora o gancho de forma inteligente e o combate em mundo semiaberto explora bem a física dos veículos. É difícil negar: atirar em Halo nunca foi tão gostoso.
Imagem: Internet
Contudo, o game tropeçou fora do campo de batalha. O passe de batalha, visto por muitos como intrusivo, desviou a atenção do que realmente importa. Além disso, a história abre subtramas e não fecha quase nenhuma, contribuindo para o sentimento de vazio narrativo. O Estúdio Halo tentou sanar a ausência de conteúdo pós-lançamento, mas a cadência de atualizações não conseguiu acompanhar a expectativa — algo que outros títulos de sobrevivência atmosfericamente marcantes, como The Long Dark, resolveram oferecendo experiências sólidas desde o primeiro dia.
Caminhos possíveis para o futuro da série
Para recuperar relevância, Halo precisa primeiro definir o que quer ser. Voltar às raízes não significa eliminar toda a inovação, e sim reforçar a essência: combate sandbox, IA imprevisível e uma trama enxuta, porém marcante. Deixar de perseguir tendências fashion de mercado — como monetização agressiva — pode ser o começo.
Outro passo é apostar em visão narrativa coesa. Reapresentar conceitos esquecidos, aprofundar personagens além do icônico espartano verde e, se necessário, até deixar o Master Chief descansar para dar espaço a novos protagonistas. Ao mesmo tempo, colocar Halo em plataformas diferentes, caso do futuro lançamento de Combat Evolved para PlayStation 5, pode reunir fãs de gerações distintas e ampliar a base instalada. Não por acaso, a comunidade gamer já discute a ideia de consoles híbridos, como o curioso mod Ningtendo PXBOX 5, que funde hardwares rivais.
Vale a pena jogar Halo ainda hoje?
Mesmo em crise, Halo continua oferecendo alguns dos tiroteios mais responsivos do mercado. Quem busca experiência single-player épica encontra nos três primeiros jogos — disponíveis na Master Chief Collection — uma aula de design e ritmo. Já Halo Infinite se destaca pelo gameplay, embora careça de narrativa sólida.
Para veteranos, revisitar a série serve como lembrete do porquê ela virou referência. Para novatos, começar pelo Combat Evolved — seja na edição original ou no vindouro remake — é a porta mais natural. No fim, Halo ainda não perdeu a capacidade de divertir; apenas precisa reencontrar o caminho para nos surpreender de novo. Blockbuster Online segue de olho nos próximos passos do Estúdio Halo.
