Menos de 30 dias depois de chegar ao mercado, Highguard já enfrenta seu primeiro grande obstáculo: uma onda de demissões que enxugou a equipe da Wildlight Entertainment. O estúdio confirmou a redução na força de trabalho, levantando dúvidas sobre o cronograma de atualizações do polêmico shooter.
O corte de pessoal acontece em um momento delicado. Apesar de um pico inicial superior a 97 mil jogadores no Steam, a base ativa despencou e hoje mal passa dos 3 mil usuários simultâneos. A crise de popularidade ganha agora um novo capítulo, colocando em jogo o futuro de um projeto que nasceu cercado de expectativas — e controvérsias.
O que motivou a decisão da Wildlight
Segundo comunicado oficial publicado em rede social, a desenvolvedora descreveu a escolha como “incrivelmente difícil”, mas necessária para “manter um grupo central dedicado a inovar e dar suporte ao jogo”. Em outras palavras, o estúdio decidiu apostar em um núcleo menor na tentativa de salvar o que ainda pode ser salvo.
Fontes internas relatam que quase todos os departamentos foram afetados. O level designer Alex Graner, por exemplo, revelou em seu perfil no LinkedIn ter sido desligado junto com “grande parte da equipe”. O profissional lamentou, principalmente, a quantidade de conteúdo pronto ou em fase avançada que talvez “nunca veja a luz do dia”.
As consequências imediatas para Highguard
Antes da reestruturação, o plano de serviço para 2026 previa sete episódios até dezembro, cada um trazendo novas bases, armamentos, chefes e modos de jogo. Essa cadência agressiva era vista como vital para reter público em um mercado já saturado por experiências live-service.
Agora, ninguém no estúdio confirma se o roteiro permanece de pé. Graner mencionou especificamente mapas inéditos, modos experimentais e armas místicas que estavam perto da fase de testes públicos. Se parte desse material for cancelada, a comunidade que ainda apoia Highguard pode acabar sem conteúdo fresco por meses — justamente o que sepultou tantos outros títulos do gênero.
O impacto na cena competitiva e na comunidade
Mesmo com a recepção morna, o jogo conseguiu cativar um nicho de fãs, sobretudo aqueles atraídos pela proposta de assaltos PvP em ambientes que misturam fantasia arcana a mecânicas de saque. Foi esse grupo que pressionou por mudanças rápidas, como a manutenção do modo Raid 5×5 de forma permanente.
Imagem: Internet
Para quem investiu tempo — e dinheiro — no lançamento, as demissões soam como sinal de alerta. A memória recente de projetos abandonados pós-lançamento ainda pesa; basta lembrar de casos em que roadmaps inteiros foram engavetados logo após a primeira queda de usuários, algo que o mercado tenta evitar desde fiascos como Anthem. O receio, agora, é ver Highguard seguir caminho parecido.
Onde a marca pode encontrar fôlego
Ainda que improvável no curto prazo, parcerias com serviços de assinatura, a exemplo do que a Microsoft faz no Game Pass, poderiam expor Highguard a uma audiência nova e amortizar custos de servidor. Estratégias semelhantes alavancaram títulos como No Man’s Sky e Sea of Thieves, que reviveram graças à injeção de usuários.
Outra alternativa seria reduzir escopo e investir em eventos sazonais de menor complexidade, mas com alto apelo de comunidade. Pequenos torneios ou desafios cooperativos podem manter o engajamento enquanto o estúdio reorganiza processos internos. A própria EA, quando reformulou Battlefield, mostrou que ajustes graduais ajudam a reconquistar público — tema que volta à tona na segunda temporada de Battlefield 6.
Vale a pena ficar de olho em Highguard?
Neste momento, Highguard vive um limbo: mecânicas sólidas e ambientação original ainda existem, mas o suporte futuro está sob suspeita após os cortes. Jogadores que buscam um shooter em constante evolução talvez prefiram esperar sinais concretos de estabilidade. Já quem gosta de experimentar novidades antes de todo mundo pode encontrar nas raids arcanas um sopro de frescor — ciente, porém, de que o amanhã do jogo depende de uma equipe menor do que nunca.
Seja qual for o desfecho, o caso serve de alerta para todo o cenário live-service: sem planejamento financeiro robusto e comunicação transparente, até franquias promissoras podem sucumbir rapidamente. O Blockbuster Online segue acompanhando cada passo dessa jornada incerta.
