Depois do impacto cultural de Vingadores: Ultimato, a Marvel Studios entrou em terreno desconhecido. A expectativa do público permaneceu gigantesca, mas o resultado artístico e financeiro da MCU Fase 5 mostrou uma franquia em busca de novo fôlego.
Entre escolhas de elenco inspiradas, direções autorais e roteiros que nem sempre encontraram equilíbrio, o período evidenciou tanto a força dos personagens quanto as limitações de uma máquina que precisa entregar blockbusters em série.
Roteiristas tentam reinventar a fórmula, mas coerência ainda falta
Uma das marcas da MCU Fase 5 foi a aposta em equipes diferentes de roteiristas para cada projeto. Jeff Loveness, recém-saído da sala de escritores de Rick and Morty, assumiu Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania com a missão de apresentar Kang em grande escala. Embora o humor ácido esteja lá, a estrutura episódica da animação não se traduz totalmente para o longa, resultando em transições bruscas e motivação rasa para o protagonista.
Já Guardiões da Galáxia Vol. 3 manteve James Gunn assinando texto e direção. A coerência entre roteiro e mise-en-scène salta aos olhos: cada piada, trilha sonora e momento de emoção funciona como catapulta para a catarse final. O contraste com Capitão América: Admirável Mundo Novo é gritante. O roteiro, creditado a Malcolm Spellman e Dalan Musson, hesita entre drama político e ação escapista, entregando debates relevantes sobre herança e identidade, mas sem a contundência de Soldado Invernal.
Direções que abraçam estilo próprio versus soluções genéricas
A assinatura de Gunn em Guardiões 3 deu ao filme personalidade visual, ritmo cadenciado e cenas musicais que acentuam a jornada emocional de Rocket. Do outro lado, Thunderbolts conseguiu surpreender por priorizar o conflito interno de anti-heróis, mérito da direção precisa de Jake Schreier, que equilibra suspense e humor sem sacrificar profundidade.
Em Deadpool & Wolverine, Shawn Levy assumiu a cadeira de diretor e, apesar da fama de produtor de hits, mostrou controle de timing cômico ao lado de sequências de ação criativas. O uso meta-narrativo do duo titular evidencia domínio de linguagem pop, algo que falta em Quantumania, onde Peyton Reed repete enquadramentos e solução visual de edições anteriores sem maior ousadia.
Performances seguram a narrativa mesmo quando o roteiro falha
Florence Pugh, no papel de Yelena Belova em Thunderbolts, confirma o carisma já visto em Viúva Negra. Sua composição mistura dor e sarcasmo e é a âncora dramática do longa. A química com Sebastian Stan e Wyatt Russell rende as passagens mais tensas, reforçando que o projeto vive do elenco, não do enredo.
Em Guardiões 3, Bradley Cooper atinge novo patamar vocal com Rocket, carregando a melancolia de um passado traumático. Chris Pratt, Zoe Saldaña e Karen Gillan também mostram maturidade, mas é Cooper quem oferece a cena mais visceral. O mesmo efeito aparece em Monarch: Legado de Monstros, onde atuações contidas elevam um material potencialmente formulaico.
Imagem: Internet
Já Anthony Mackie, agora porta-escudo oficial em Capitão América: Admirável Mundo Novo, demonstra presença física e entrega nuances na crise de representatividade de Sam Wilson. Infelizmente, os diálogos expositivos minam parte da performance. Para muitos críticos, Mackie merecia o mesmo reconhecimento que Sidney Flanigan buscou sem sucesso no Oscar, citado pela equipe do Blockbuster Online em outra análise.
Bilheteria oscilante reflete percepção de qualidade e fadiga
A fase viu dois triunfos retumbantes: Guardiões da Galáxia Vol. 3, com mais de 800 milhões de dólares, e Deadpool & Wolverine, ultrapassando 1,3 bilhão. A combinação de direção marcante, elenco afiado e marketing focado em nostalgia justificou o desempenho.
Entretanto, Quantumania mal superou a barreira dos 500 milhões diante de um orçamento de quase 400 milhões. The Marvels registrou o menor faturamento da história do MCU, enquanto Thunderbolts e Admirável Mundo Novo pararam em torno de 400 milhões. A irregularidade confirma que o público responde imediatamente quando percebe falta de coesão entre roteiro, direção e atuação.
Vale a pena assistir aos filmes da MCU Fase 5?
Para quem aprecia performances envolventes, Guardiões 3 e Deadpool & Wolverine são experiências obrigatórias. Os elencos parecem em sintonia total com a proposta de seus diretores e roteiristas, entregando emoção genuína e humor preciso.
Thunderbolts oferece atuação intensa de Florence Pugh e um estudo de personagens promissor, mesmo que o roteiro pequeno demais para tantas figuras deixe arestas soltas. Admirável Mundo Novo traz um Anthony Mackie seguro, mas esbarra em diálogos didáticos e direção que evita riscos, ficando aquém do potencial.
Quantumania e The Marvels dividem opiniões: o primeiro pela repetição de fórmula sem brilho e o segundo por ousar no tom aventuresco, ainda que o público não tenha abraçado. No balanço geral, a MCU Fase 5 é um laboratório de acertos e tropeços, refletindo uma franquia que precisa reencontrar consistência para que suas estrelas continuem brilhando com a intensidade que o público espera.
