Lançado há poucos dias, Mewgenics abriu caminho felino direto para o topo da Steam. O roguelike tático atingiu mais de 115 mil jogadores simultâneos e destronou o até então imbatível Hades 2, que ostentava 112.947 conexões simultâneas.
A marca chama atenção não apenas pelos números, mas principalmente pela façanha de um estúdio independente liderado por Edmund McMillen e Tyler Glaiel. A dupla passou mais de dez anos revisitando a ideia, até transformar o projeto original num sistema profundo de cruzamento genético de gatos, combates em grade e progressão imprevisível.
Como Mewgenics quebrou o recorde de público
De acordo com dados públicos da Steam, o pico de 115 mil jogadores simultâneos foi alcançado poucas horas após a liberação oficial. Para um gênero historicamente considerado de nicho, romper a barreira dos 100 mil usuários é uma façanha rara. Mewgenics não só ultrapassou a meta, como manteve a curva de crescimento estável nos primeiros dias, sugerindo forte taxa de conversão de listas de desejos e boca a boca positivo.
Esse desempenho inicial é fruto, em boa parte, do prestígio construído por McMillen desde The Binding of Isaac. Fãs que acompanham o designer há uma década aguardavam ansiosos para ver como o estilo grotesco e humor ácido se encaixariam na ideia de “Pokémon de gatos”. Tanto entusiasmo foi potencializado por streamers que adotaram o título em massa, gerando picos de audiência paralelos nas principais plataformas de vídeo.
Crítica: profundidade mecânica e carisma felino
A primeira impressão pode soar estranha: um simulador de acasalamento felino misturado a estratégia por turnos. Entretanto, poucos minutos bastam para perceber o cuidado da equipe em amarrar sistemas complexos de forma acessível. Cada gato nasce com traços genéticos que afetam habilidades, personalidade e até falas durante o combate, adicionando uma camada quase infinita de variação.
Na prática, o jogador alterna entre um mapa tático, recheado de armadilhas e inimigos, e um núcleo de gestão que lembra games de coleção de monstros. É aqui que Mewgenics brilha: quanto mais se experimenta, mais possibilidades aparecem. Esse leque de combinações justifica partidas longas e mantém o frescor na repetição típica do gênero, algo que muitos roguelikes ainda lutam para alcançar.
A dupla Edmund McMillen e Tyler Glaiel no comando
Por trás do sucesso, está a química criativa entre o designer Edmund McMillen e o programador Tyler Glaiel. Os dois já haviam colaborado em projetos menores, mas, desta vez, dividiram responsabilidades em pé de igualdade: McMillen focou na direção de arte, narrativa absurda e equilibragem de itens, enquanto Glaiel se concentrou na arquitetura de sistemas, IA dos inimigos e otimização de performance.
O roteiro minimalista feito pelos próprios criadores não recorre a longas cutscenes. Em vez disso, conta pequenas histórias através de descrições de itens, falas dos gatos e eventos randômicos. O resultado lembra a estrutura narrativa emergente de participações especiais, como o cameo de Sonichu, que adicionam humor involuntário e reforçam a personalidade excêntrica da produção.
Imagem: Internet
Impacto no cenário dos roguelikes e comparação com Hades 2
Há apenas duas semanas, Hades 2 era o parâmetro máximo de popularidade dentro da categoria. O feito de Mewgenics altera o panorama e comprova que o interesse por roguelikes continua em expansão. Mesmo títulos mais leves, como Puppy Park, que aposta em rotinas casuais, surfam nessa maré de experimentação procedural.
Além de superar o recorde absoluto de jogadores simultâneos, Mewgenics também deixou para trás outro sucesso de McMillen: The Binding of Isaac – Rebirth, cuja marca de 70.701 era motivo de orgulho. Ao estabelecer a nova linha de corte, o game felino reforça a tese de que mecânicas profundas aliadas a uma estética singular podem competir de igual para igual com produções de estúdios maiores.
Vale a pena jogar Mewgenics?
Para quem busca um roguelike com alto índice de replay, sistemas intricados e humor politicamente incorreto, Mewgenics entrega exatamente isso, e ainda quebra recordes no processo. O título exige atenção às linhas de genética, faz o jogador testar combinações improváveis e recompensa cada risco assumido no tabuleiro tático.
Embora ainda seja cedo para medir retenção a longo prazo, a base sólida de conteúdos e as atualizações prometidas pela equipe indicam bom fôlego. Importante lembrar que números de pico não equivalem a vendas totais, mas servem de termômetro claro para o engajamento inicial — e esse, sem dúvida, já se provou enorme.
Portanto, quem simpatiza com a inventividade de Edmund McMillen, gosta de surpresas constantes e não se importa com certa dose de caos felino, encontrará em Mewgenics um dos lançamentos mais interessantes do ano. O Blockbuster Online continuará de olho nos próximos capítulos dessa história para conferir se o trono dos roguelikes permanecerá nas patas dos gatos mutantes.
