Mike Flanagan parece ter encontrado um novo brinquedo favorito no parque de diversões do medo. O diretor, que já mergulhou em Doutor Sono e Jogo Perigoso, prepara agora uma adaptação de O Nevoeiro, romance de Stephen King célebre pelo pessimismo arrepiante.
O projeto surge quando James Wan desenvolve sua visão para O Chamado de Cthulhu, de H.P. Lovecraft, criando uma saudável rivalidade que pode recolocar o terror cósmico no centro das atenções – e, de quebra, impulsionar a cobertura de veículos como o Blockbuster Online.
Mike Flanagan volta ao universo de Stephen King com O Nevoeiro
Flanagan coleciona elogios por adaptar King sem perder personalidade. Em Doutor Sono, amparou-se no material original, mas cravou identidade ao dialogar com O Iluminado de Kubrick. Agora, ele acumulará as funções de direção e roteiro em O Nevoeiro, exercício narrativo sobre um grupo isolado num supermercado enquanto criaturas colossais se escondem na neblina.
O cineasta ainda não revelou elenco, porém seu histórico indica preferência por atores capazes de equilibrar intimidade e terror, como Carla Gugino, Kate Siegel e Ewan McGregor. Se repetir a parceria com o diretor de fotografia Michael Fimognari, o resultado pode ganhar o mesmo cuidado visual de A Maldição da Residência Hill, em que luz e sombra reforçam tensão psicológica.
Cosmic horror na prática: por que O Nevoeiro é tão lovecraftiano
Entre as obras de King, poucas soam tão lovecraftianas quanto O Nevoeiro. A narrativa aposta na ideia de “medo do desconhecido”: há rituais militares suspeitos, portais para dimensões inomináveis e monstros de proporções cthulhianas que fazem o ser humano parecer poeira.
Flanagan nunca explorou terror cósmico puro; portanto, a adaptação servirá como laboratório criativo. Se ele replicar o apuro sonoro de Hush e a minúcia de diálogos de Missa da Meia-Noite, pode imprimir ao filme o mesmo desconforto existencial que animes como Kabaneri da Fortaleza de Ferro provocam ao retratar a insignificância humana em cenários apocalípticos.
James Wan prepara O Chamado de Cthulhu: duelo de titãs do terror
Do outro lado, James Wan, criador de Invocação do Mal, desenvolve O Chamado de Cthulhu. Será a estreia dele no subgênero, repetindo parceria com a Atomic Monster. A obra de Lovecraft, porém, é fragmentada e mais atmosférica que narrativa, desafio que pode afastar parte do grande público.
Imagem: Internet
Enquanto O Nevoeiro oferece uma premissa “fechada” – personagens, lugar único, ameaça palpável –, Cthulhu exibe estrutura de relatos desconexos que exigem soluções visuais ousadas. Por isso, críticos presumem que Flanagan leve vantagem no quesito identificação imediata, embora Wan seja mestre em sustos eficientes, como provou no primeiro Sobrenatural.
Expectativas para elenco e performances na nova versão de O Nevoeiro
A primeira adaptação para cinema, de 2007, virou cult graças à química do elenco liderado por Thomas Jane e àquela conclusão devastadora. Para não competir diretamente, Flanagan deve buscar tom próprio, talvez recorrendo a atores que já conhece. Kate Siegel tem versatilidade para transitar entre vulnerabilidade e coragem, enquanto Rahul Kohli, revelado em A Maldição da Mansão Bly, combinaria humor nervoso e desespero.
Também se especula a presença de uma atriz veterana para viver a fanática religiosa Sra. Carmody, figura chave na dinâmica de grupo. Um nome de peso – pense em Ann Dowd ou Toni Collette – acrescentaria camadas dramáticas. Vale lembrar que Flanagan gosta de diálogos longos que exigem dos intérpretes controle de ritmo e subtexto, recurso que funcionou em Doutor Sono com a personagem Rose O Chapéu.
O roteiro, escrito pelo próprio diretor, deverá enfatizar a deterioração psicológica, não apenas os monstros. Esse foco em performance alinha-se a produções subestimadas, como o drama esportivo Varsity Blues, em que o elenco sustenta a tensão interna mais do que a ação externa.
Vale a pena ficar de olho?
Com Mike Flanagan encarando seu primeiro terror cósmico e James Wan adaptando o mais emblemático texto de Lovecraft, o gênero ganha dois projetos que podem redefinir padrões. A combinação de elenco afinado, estética cuidadosa e atmosfera opressiva coloca O Nevoeiro como forte candidato a experiência cinematográfica impactante – nome ideal para quem acompanha o noticiário de entretenimento em Blockbuster Online.
