Os Minions vão mexer novamente com o calendário. Previsto para chegar aos cinemas no meio do ano, Minions e Monstros transporta os ajudantes amarelos para a Hollywood dos anos 1920 e, de quebra, reescreve pontos-chave da linha do tempo vista em Meu Malvado Favorito. A iniciativa chama atenção não só pelo salto temporal, mas por deixar de lado Gru e o trio mais popular, Bob, Kevin e Stuart.
Com direção de Chris Renaud — que comandou o primeiro Meu Malvado Favorito — e roteiro assinado por Ken Daurio e Cinco Paul, o longa tenta abrir caminhos inéditos para uma franquia que já arrecadou US$ 5,4 bilhões. O estúdio Illumination aposta nessa virada para manter a relevância da marca e, ao mesmo tempo, injetar fôlego narrativo antes que a fórmula canse o público.
A guinada narrativa: de 1812 para a Hollywood dos anos 1920
Desde o prólogo do primeiro Minions, ficou estabelecido que os seres amarelos ficaram isolados em uma caverna gelada de 1812 a 1968. Só então Bob, Kevin e Stuart teriam deixado o abrigo em busca de um novo mestre. Ao ambientar Minions e Monstros em 1920, a Illumination rompe, de forma explícita, com essa cronologia rígida.
Cinematograficamente, a década de 1920 é atraente: auge do cinema mudo, glamour dos grandes estúdios e o florescimento dos filmes de monstros. Ao colocar os Minions como assistentes de set na era pré-Código Hays, o roteiro se permite brincar com misturas de gêneros — do slapstick ao terror clássico — e ainda dialoga com a ideia de meta-filme, recurso que lembra produções que homenageiam o próprio cinema, como a atmosfera imaginativa de Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas.
Roteiro aposta em meta-cinema e desafia fãs mais atentos
A sinopse oficial destaca que parte dos Minions, após trabalhar nos bastidores de uma produção hollywoodiana, resolve encontrar um monstro “de verdade” para protagonizar seu próximo filme. O argumento brinca com a tradição clássica dos estúdios Universal — hoje controladores da Illumination — e reforça o DNA cômico de paródia.
Entretanto, a escolha de incluir Minions fora da caverna em 1920 inevitavelmente gera um retcon. A alteração não chega a ferir a leveza da saga, mas pode incomodar quem se dedicou a mapear cada período da história oficial. Falhas ou não, o novo roteiro de Daurio e Paul mostra disposição em flertar com a liberdade criativa, movimento parecido com o que Robert Altman fez ao repaginar a lógica dos faroestes em O Jogador — ainda que, aqui, o tom seja 100% para toda a família.
Direção equilibra comédia física e atmosfera de terror light
Chris Renaud retorna ao posto de diretor após supervisionar Meu Malvado Favorito 3. Seu estilo — marcado por ritmo frenético e humor visual — encaixa com o conceito pastelão dos anos 1920. Gags rápidas, uso generoso de intertítulos e referências a Buster Keaton prometem manter o público em constante estado de riso.
Imagem: Internet
Do outro lado, há a adesão a elementos de filme de monstro: sombras alongadas, trilha musical que evoca órgão de cinema mudo e pontos de vista sugerindo tensão, mas sem jamais ultrapassar o limite do PG-13. Em termos de animação, a Illumination segue investindo em texturas mais refinadas e profundidade de campo generosa, contrastando com a paleta viva dos Minions — uma evolução comparável à que se observa na passagem caótica, porém cultuada, de Popeye, de Robert Altman.
Vozes dos Minions seguem carismáticas apesar das mudanças
Mesmo sem a figura central de Gru, os intérpretes originais dos Minions — liderados por Pierre Coffin — continuam responsáveis pelas vozes. O “bananês” inventado para o trio carrega a elasticidade necessária para sustentar piadas sem apoio direto do protagonista humano. Na ausência de Steve Carell, caberá a Coffin e aos novos coadjuvantes improvisar entonações capazes de diferenciar cada personagem.
Vale notar que a franquia sempre se apoiou no humor corporal, elemento que transcende a necessidade de diálogos muito elaborados. Ainda assim, espera-se que o roteiro ofereça espaço para camadas emotivas, algo que Meu Malvado Favorito 2 executou ao revelar o lado paterno de Gru. A química sonora dos Minions deve manter a energia lá no alto, estratégia vital para envolver crianças e adultos.
Vale a pena assistir Minions e Monstros?
Ampliar a cronologia e abandonar, por ora, figuras icônicas é um risco calculado. O estúdio confia na força da marca, enquanto espectadores veteranos poderão testar sua tolerância a mudanças de cânone. Para quem busca humor rápido, ambientação retrô e a usual explosão de cores, Minions e Monstros promete entregar um pacote coerente.
Com roteiro metalinguístico, direção ágil e vozes que mantêm o carisma dos amarelinhos, o filme deve funcionar como ponto de entrada para novos públicos sem alienar quem acompanha a franquia desde 2010. Se a experiência vingar, a Illumination demonstrará que ainda há terreno fértil para chamar a atenção do público — e das bilheterias — mesmo após seis longas-metragens e US$ 5,4 bilhões arrecadados. Na Arena Blockbuster Online, a expectativa é de que as gargalhadas continuem ecoando, independentemente do ano em que os Minions decidam aparecer.
