Pessoas que descobrem dinheiro perdido geralmente levam a coisas terríveis nos filmes – pense no dinheiro das drogas que Josh Brolin encontra em “No Country For Old Men” como apenas um dos muitos exemplos. E com certeza, o ouro que Rahim encontra leva a uma série de eventos infelizes, mas não da maneira que você imagina. A decisão de Rahim de devolver o ouro se torna uma sensação na mídia, estimulada pelos carcereiros estranhamente educados e prestativos que dirigem a prisão. Eles acham que ambos ficarão bem para Rahim e parece bom para a prisão, e assim a história vazou para a imprensa. Logo, Rahim está na TV falando sobre seu ato altruísta. A notícia se espalha como um incêndio e o apoio para libertar Rahim da prisão cresce.

Mas nem todo mundo pensa em Rahim como um herói. Bahram (Mohsen Tanabandeh) é o irmão da ex-mulher de Rahim e, como se constatou, a pessoa a quem Rahim tem uma dívida. Ele detém o poder de decidir por quanto tempo Rahim ficará preso. Se Bahram, digamos, perdoasse a dívida, Rahim estaria livre. Mas Bahram não é influenciado tão facilmente. Ele acha que toda a história do “ouro encontrado” é uma encenação – e mesmo que não seja, ele se irrita com a ideia de simplesmente esquecer o dinheiro que deve.

Farhadi leva seu tempo estabelecendo as bases aqui, e “A Hero” se desenrola de uma maneira que faz o espectador reavaliar constantemente a situação. Há uma versão extravagante e horrível de Hollywood dessa história, em que todos os mocinhos são bons e os bandidos são maus, em que torcemos pela liberdade de Rahim e vaiamos Bahram toda vez que ele aparece na tela. Mas esse não é o caso aqui. Em vez disso, quanto mais aprendemos sobre a situação, mais difícil se torna escolher um lado. Rahim parece um cara genuinamente bom e Bahram parece um idiota total à primeira vista, mas conforme a história se desenrola, fica claro que as coisas não são tão preto e branco.

Fonte: www.slashfilm.com

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