O sexto episódio de Star Trek: Academia da Frota Estelar, intitulado “Come, Let’s Away”, chegou ao Paramount+ entregando uma mistura incomum de ação tática, terror à deriva no espaço e um aceno inesperado ao Capitão Kirk vivido por Chris Pine em 2009. A conexão, escondida em uma única fala, não rouba a cena, mas amplia o alcance da trama e serve como presente para quem acompanha a franquia há décadas.
Enquanto os cadetes lutam para sobreviver ao ataque dos Fúrias, a produção coloca em primeiro plano o trabalho de um elenco que equilibra veteranos premiados e rostos ainda em ascensão. Paul Giamatti, Holly Hunter e Bella Shepard dominam o episódio, conduzido pela direção ágil de Larry Teng e escrito por Kenneth Lin e Kiley Rossetter.
Paul Giamatti volta ao papel e eleva a tensão dramática
Nus Braka, antagonista interpretado por Paul Giamatti, retorna sedento por vingança. Desde sua primeira aparição, o personagem ganhou aura de ameaça silenciosa; aqui, Giamatti intensifica cada palavra com um misto de desdém e frieza que prende o espectador. A postura encurvada, o olhar semicerrado e as pausas calculadas fazem com que cada diálogo pareça um xeque-mate.
A presença do ator funciona como catalisador para o restante do elenco. Sempre que Giamatti divide a cena com Holly Hunter, a tela parece reduzir qualquer distração ao redor. O reencontro entre Braka e a capitã Nahla Ake, de Hunter, mostra dois intérpretes premiados trocando farpas com a segurança de quem conhece cada vírgula do roteiro. Nada soa exagerado: o jogo é de subtexto, olhares e micro-expressões.
Hunter, por sua vez, confirma o domínio que já havia demonstrado em episódios anteriores. Sua capitã não recorre a discursos inflamados; a força de Nahla Ake está na economia de gestos, no cansaço visível de quem carrega o peso de centenas de cadetes. A atriz encontra tempo até para pequenos respiros cômicos, quebrando a tensão em momentos bem pontuados.
Para quem busca mais detalhes sobre a expansão dos mistérios e o impacto da atuação de Giamatti nos episódios anteriores, o texto Star Trek: Starfleet Academy expande mistérios aprofunda esse arco.
Uma referência ao Capitão Kirk de Chris Pine que abre o leque da franquia
No auge das tentativas de rastrear a nave oculta das Fúrias, a comandante Lura Thok elogia a cadete Genesis Lythe dizendo que ela “usa os olhos com a precisão de uma hengra”. A fala, aparentemente corriqueira, aponta diretamente para a criatura hengrauggi que perseguiu James T. Kirk (Chris Pine) em Delta Vega no reboot de 2009. A conexão passa rápido, mas confirma que esse predador gigantesco existe tanto na linha do tempo Kelvin quanto no universo principal da franquia.
O mérito vai para a sala de roteiristas, liderada por Kenneth Lin e Kiley Rossetter. Ao inserir esse easter egg sem interromper o fluxo da narrativa, eles adicionam camadas ao cânone e lembram o público de que Alex Kurtzman, hoje coprodutor da série, foi coautor do filme de 2009. Essa costura, discreta, satisfaz fãs veteranos e não confunde quem chegou agora.
Ao mesmo tempo, o episódio evita o fan service fácil. Em vez de mostrar a criatura ou alongar a explicação, a produção prefere confiar na memória do público. O resultado é elegante: quem captou a referência sente um friozinho nostálgico; quem não captou, continua focado no resgate dos reféns.
Novas espécies em evidência: Dar-Sha, Khionianos e Kasquianos
Se os veteranos atraem holofotes, o trio de cadetes ganha espaço para crescer. Bella Shepard, intérprete de Genesis Lythe, constrói uma protagonista que flutua entre autoconfiança e vulnerabilidade. O roteiro avança ao revelar que a cadete é Dar-Sha, raça ainda misteriosa além das cristas sutis no lugar das sobrancelhas. A fala sobre sua “visão de hengra” sugere sentidos aguçados, reforçando a determinação acadêmica da personagem.
George Hawkins vive Darem Reymi, um Khioniano capaz de sobreviver oito minutos no vácuo. O ator abraça a fisicalidade do papel, movimentando-se de forma ágil, quase aquática, transmitindo a ideia de um corpo adaptado para climas extremos. Sua química com Shepard fornece alívio emocional num episódio repleto de reféns e ameaças biotecnológicas canibais.
Imagem: Internet
Outro destaque é Kerrice Brooks como SAM, holograma criado pelos Kasquianos. A atriz equilibra curiosidade infantil e altivez diplomática, lembrando que o personagem carrega responsabilidade política ao representar seu povo. Mesmo em tela verde, Brooks mantém presença palpável, apoiada por efeitos visuais discretos que respeitam a atuação.
Esses elementos reforçam a aposta da franquia em novas culturas, estratégia semelhante à explorada por outras obras queridas do universo nerd, como a discussão sobre sucessores espirituais apresentada em Kabaneri da Fortaleza de Ferro.
Direção de Larry Teng e roteiro afinado mantêm ritmo sem sacrificar personagens
Larry Teng assume a cadeira de diretor convertendo o USS Athena em tabuleiro de xadrez. Ele alterna planos fechados no rosto dos reféns com tomadas amplas dos corredores da nave, traduzindo claustrofobia e escala interestelar no mesmo quadro. O uso de luz fria destaca o clima hospitalar dos laboratórios, enquanto tons vermelhos piscam sempre que os Fúrias se aproximam, sinalizando perigo iminente.
Teng aproveita o design sonoro para contrapor o silêncio mortal do espaço e os sussurros dos investidores de Braka. Cada estalo de botas no metal reforça a ameaça, mantendo a audiência em tensão constante. Ao mesmo tempo, os diálogos ganham respiro: nunca parecem jogados em meio ao caos, mas brotam organicamente das decisões táticas ou da troca emocional entre os cadetes.
No roteiro, Kenneth Lin e Kiley Rossetter distribuem a exposição em pequenos blocos. Informações sobre o passado de Genesis ou a fisiologia dos Khionianos surgem sem que o episódio pare para explicações didáticas. Esse equilíbrio é essencial para que a aventura se sustente como peça individual e, ao mesmo tempo, como engrenagem de longo prazo na temporada.
Vale notar que a direção de Teng ecoa escolhas de suspense vistas em produções como O Nevoeiro, cujo retorno foi discutido em análise sobre Mike Flanagan. A série aposta na ameaça invisível como motor de tensão, espelhando o que o monstro hengra simbolizava para o Kirk de 2009.
Vale a pena acompanhar Star Trek: Academia da Frota Estelar?
O episódio 6 confirma que Star Trek: Academia da Frota Estelar não depende apenas de referências nostálgicas para engajar. A produção entrega atuações sólidas, dirige a câmera para novos conflitos sociais e biológicos e, de quebra, costura o universo com finesse. Para quem curte o equilíbrio entre veteranos de prestígio e jovens talentos, a série oferece um campo fértil de personagens e mitologias.
Com direção segura, roteiro enxuto e um elenco que sabe dosar emoção e estratégia, a temporada demonstra fôlego para manter a audiência envolvida. Blockbuster Online continuará de olho nos próximos passos dessa academia interestelar, onde cada aula parece um teste de sobrevivência.
