O último filme de William Friedkin é um drama estelar de tribunal

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Segundo Maryk conta, o capitão do navio, tenente comandante Phillip Queeg (Kiefer Sutherland), mostrou sinais de doença mental durante uma grande tempestade. O comportamento do capitão, segundo Maryk, colocou em perigo a vida da tripulação, levando Maryk a dispensá-lo do serviço. Os médicos examinaram Queeg e dizem que ele está não doente mental, e agora cabe a Greenwald provar o contrário. Para fazer isso, o advogado chamará um grupo de testemunhas para depor enquanto enfrenta uma promotora furiosa (Monica Raymund, impetuosa e impressionante) que discorda da abordagem do advogado de defesa no julgamento.

O diálogo estala mesmo quando tem toda a cadência de uma transcrição de tribunal, tudo auxiliado por um bando de performances estelares. O papel de Clarke é complicado; há mais neste advogado de defesa do que aparenta, e é notável observar a maneira como o ator interpreta a turbulência interna de seu personagem. Depois, há Sutherland, que faz alguns dos melhores trabalhos de sua carreira aqui. Ele aparece apenas brevemente no filme, mas faz com que cada segundo conte, mexendo as mãos e cuspindo suas falas como se certas palavras o machucassem. Ele faz de Queeg um homem complexo e complicado, não apenas um vilão comum.

A beleza do filme é a forma como ele brinca com nossas percepções. É fácil querer apoiar Maryk como um homem que resiste ao sistema, assim como é fácil querer crucificar Queeg como um superior ineficaz que merece ser derrubado por seus métodos agressivos. Na verdade, as coisas que aprendemos sobre Queeg são bastante preocupantes. Mas o roteiro inteligente de Friedkin nos faz questionar tudo, auxiliado por um epílogo que choca o sistema e recontextualiza todo o filme.

Friedkin também se diverte se movimentando pela sala, montando cenas de reação que dizem muito sem dizer uma palavra – há uma cena de reação particularmente ótima do falecido e grande Lance Reddick, interpretando o juiz principal do caso. Após uma revelação chocante, os olhos do personagem de Reddick se arregalam e ele parece completamente atordoado, como se tivesse acabado de levar um tapa. É um pequeno momento matador em um filme repleto de pequenos momentos matadores e mostra o quão bom Friedkin era nesse tipo de coisa. Quando “A corte marcial do motim de Caine” chega à sua conclusão um tanto surpreendente, fiquei triste com o falecimento de Friedkin novamente. Que perda. Mas pelo menos ele nos deixou uma última surpresa.

/Classificação do filme: 8 de 10

Fonte: www.slashfilm.com



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