Quatro anos depois de uma estreia conturbada, Overwatch volta a se apresentar simplesmente como “Overwatch”. A Blizzard decidiu zerar o contador e relançar o hero-shooter em 2026, prometendo corrigir tropeços que afastaram parte da comunidade no início da fase free-to-play.
A equipe de desenvolvimento – agora sob a liderança de Aaron Keller e do diretor criativo Dion Rogers – reformulou sistemas, ouviu o feedback dos jogadores e tentará reconquistar o espaço que o título perdeu para rivais. O Blockbuster Online testou a nova versão e detalha, a seguir, o que realmente mudou.
Do 5v5 obrigatório ao leque de opções: o caminho até o relançamento
Na transição de 2022, a Blizzard suprimiu o formato 6v6 e forçou as partidas em 5v5. A decisão, capitaneada por Keller para tornar as lutas “mais rápidas e legíveis”, dividiu opiniões e gerou forte resistência. Em 2026, o estúdio dá um passo atrás – sem abrir mão do futuro. Agora, o usuário escolhe entre filas 5v5 e 6v6, tanto em role queue quanto em open queue. A mudança devolve liberdade estratégica sem sacrificar a identidade frenética que nasceu na era Overwatch 2.
Outro ponto de atrito era a exclusão do modo Assault. Embora Kings Row e Hanamura permaneçam aposentadas, o relançamento compensa com Flashpoint, Estádio e novas rotações para Controle e Híbrido. Trata-se de volume semelhante ao da primeira edição do jogo base, algo que responde a críticas sobre escassez de conteúdo.
Reescrevendo o roteiro: direção, design e filosofia de monetização
A troca mais visível no backstage foi a reorganização da equipe de liderança. Com Jeff Kaplan fora da Blizzard desde 2021, Keller assumiu a “cadeira de diretor” e dividiu responsabilidades com Rogers. A dupla buscou recuperar a filosofia “easy to play, hard to master” e, simultaneamente, preservar os pilares competitivos do shooter.
No quesito monetização, a mudança é drástica. Novos heróis voltam a ser liberados de imediato – dispensando grind até o nível 55 do Passe de Batalha – e loot boxes retornam em versão mais transparente, com chances exibidas na loja. Skins premium continuam caras, mas ao menos não afetam jogabilidade, corrigindo o principal erro do modelo 2022. A adoção dessa postura lembra movimentos de outros estúdios que reagiram mal à pressão dos reviews negativos, caso discutido pelo ex-desenvolvedor de Highguard.
Heróis inéditos e ajustes de elenco: performance em cada papel
A reestreia trouxe cinco personagens inéditos: o tanque Tatsuya, os DPS Lumen e Prowl, além dos suportes Safira e Dr. Verne. Todos chegam equilibrados, evitando o velho dilema de lançar campeão “quebra-meta” para vender Passe. Lumen, por exemplo, compensa dano moderado com capacidade de revelar inimigos, criando oportunidades táticas sem parecer injusto.
Imagem: Internet
Personagens veteranos também sofreram ajustes. Orisa perde leveza, mas ganha nova barreira móvel; Reinhardt recebe passiva que reduz recarga de investida ao bloquear disparos; Mercy enfim obtém cura em área escalonável, útil em 6v6. O equilíbrio geral mostra trabalho de “roteirização” fina, transformando cada herói em peça de xadrez bem definida no tabuleiro competitivo.
Comunidade, e-sports e expectativas para as próximas temporadas
O relançamento de Overwatch contou com campanha de marketing agressiva, campeonatos de pré-temporada e incentivo a criadores de conteúdo. Streamers que haviam migrado para táticos como Valorant já ensaiam retorno, atraídos pela promessa de estabilidade de servidores e pelas recompensas de Twitch Drops.
No front dos e-sports, a Overwatch Champions Series substitui a antiga liga com calendário enxuto e prêmios mais distribuídos. A decisão tenta evitar o desgaste financeiro que derrubou a OWL no passado e implementar modelo híbrido presencial-online, inspirado no sucesso de torneios recentes de Battlefield 6.
Afinal, vale a pena jogar Overwatch em 2026?
Com maior variedade de modos, heróis desbloqueados automaticamente e economia menos punitiva, Overwatch recria parte da magia de 2016. O foco renovado em acessibilidade, sem abrir mão da profundidade competitiva, faz o shooter brilhar outra vez. A sensação é de um retorno às origens, mas com a bagagem de anos de feedback – e isso torna a experiência recomendável tanto para veteranos quanto para curiosos que desistiram na versão 2022.
