A cada ciclo de hardware da Sony, jogadores e a indústria especulam sobre quando a próxima geração chegará às prateleiras. Desta vez, porém, a espera pelo PlayStation 6 promete ser a mais longa da história da marca, segundo novas projeções de mercado.
Um relatório da Bloomberg aponta que o console, aguardado para 2028, corre o risco de ficar para 2029 por conta da disparada no preço da memória RAM – componente indispensável e que hoje é disputado por gigantes da tecnologia e datacenters focados em inteligência artificial.
Crise de RAM: por que o componente virou problema global
A demanda por IA avançou em ritmo tão acelerado que fabricantes não conseguem acompanhar o volume de chips requisitado. Data centers que treinam modelos generativos precisam de quantidades colossais de RAM, elevando o preço dos módulos e, em consequência, encarecendo a produção de consoles e de placas de vídeo.
De acordo com o levantamento citado pela Bloomberg, o custo médio da memória subiu mais de 300% em poucos meses. Essa escalada pressiona plataformas de jogos, incluindo não só a Sony, mas também a Nintendo, que já avalia reajustar o preço do sucessor do Switch antes mesmo do lançamento – cenário que lembra a mobilização da comunidade em torno de melhorias urgentes na iluminação de ARC Raiders.
O que disse Mark Cerny e por que as previsões mudaram
No fim de 2025, o arquiteto-chefe de consoles da Sony, Mark Cerny, afirmou em conversa com Jack Huynh, vice-presidente sênior da AMD, que o “próximo PlayStation” chegaria “em alguns anos”. Analistas interpretaram a fala como um indicativo de chegada em 2028, mantendo o intervalo tradicional de seis a sete anos entre gerações.
O problema é que, à época, a disparada nos preços de RAM ainda não havia atingido o atual patamar. Com o novo cenário, fontes ligadas à cadeia de suprimentos relatam que os budgets de produção ficaram inviáveis e, para evitar repassar valores ao consumidor, a Sony avalia estender o ciclo do PlayStation 5 por até nove anos.
Impacto no ecossistema PlayStation e no calendário de jogos
A permanência prolongada do PS5 parece cada vez mais provável. A estratégia, segundo especialistas, inclui aproveitar ao máximo a base instalada e manter o fluxo de lançamentos fortes. O recente State of Play trouxe anúncios de peso, como a sequência de Kena: Bridge of Spirits e um novo God of War – novidades que ajudam a segurar a comunidade.
Além disso, outros estúdios já programam atualizações robustas para títulos em serviço, caso de Monster Hunter Wilds, cuja última grande expansão chega em fevereiro de 2026, conforme divulgado pelo Blockbuster Online. A ideia é alongar a relevância do catálogo sem depender de novo hardware.
Imagem: Internet
Será o maior hiato da história entre consoles da Sony
Do PlayStation ao PS2, foram seis anos; do PS2 ao PS3, sete; do PS3 ao PS4, outros sete; e do PS4 ao PS5, sete novamente. Se o PlayStation 6 só chegar em 2029, o buraco crescerá para inéditos nove anos. A decisão quebra a tradição do cronograma e reflete o encarecimento de toda a cadeia de semicondutores.
A extensão do ciclo não traz apenas desafios. Desenvolvedores ganham mais tempo para dominar a arquitetura atual e otimizar jogos, evitando lançamentos apressados. Ao mesmo tempo, consumidores podem aproveitar promoções agressivas de hardware, como o recente superdesconto de Suicide Squad: Mate a Liga da Justiça no PS5, tendência que deve se intensificar enquanto o sucessor não chega.
Vale a pena esperar pelo PlayStation 6?
Para quem sonha com saltos gráficos e desempenho sem compromissos, a resposta passa por paciência. Com previsão de estreia somente em 2029, o PlayStation 6 deve nascer em cenário de memória estabilizada e tecnologias mais maduras, entregando avanços concretos. Até lá, o PS5 seguirá como plataforma principal, recebendo títulos exclusivos e ports otimizados de franquias populares.
Se a prioridade do jogador é estar sempre na linha de frente, poupar desde já pode ser estratégico – mas sem pressa. Afinal, entre atualizações de sistema, bundles promocionais e novos lançamentos first-party, o ecossistema PlayStation ainda tem combustível de sobra para alguns bons anos.
Em outras palavras, quem já possui um PS5 pode desfrutar tranquilamente da atual geração, enquanto observa com atenção os próximos capítulos dessa novela de chips que, por ora, adia o futuro do entretenimento doméstico.
