Pokemon Legends: Z-A chegou prometendo redefinir a forma como treinadores encaram os monstrinhos raros da franquia. Mais aberto, mais narrativo e com foco declarado em missões de exploração, o jogo espalha seus lendários por zonas selvagens interligadas por portais de hiperespaço.
Entretanto, passados os primeiros encontros com Latias, Rayquaza e companhia, muitos veteranos voltam a lembrar das Aventuras Dynamax, modo cooperativo incluído em Sword and Shield: A Tundra da Coroa, lançado há mais de cinco anos. A comparação é inevitável, sobretudo quando o assunto é shiny hunting.
A direção de Legends: Z-A e o novo palco para lendários
Sob o comando de Kazumasa Iwao, diretor associado em Lendas: Arceus, Pokemon Legends: Z-A retoma a ideia de narrativas ambientais. Cada fera mítica recebe uma microtrama — Xerneas é “Aquele que Concede”; Yveltal, “Aquele que Toma”; Zygarde, “Para Manter o Equilíbrio”. A roteirista principal, Toshinobu Matsumiya, mantém o texto enxuto, priorizando descrições rápidas para contextualizar as expedições.
A escolha afasta o estilo tradicional de rotas lineares: em vez de cutscenes longas, o jogador recebe pistas em diários ou conversas curtas e sai atrás do alvo em biomas extensos. Funciona bem na primeira visita; a sensação de estar em um documentário interativo lembra a imersão defendida no recém-anunciado Kingdom Come: Deliverance 2, que também investe em liberdade progressiva.
Hyperspace Surveys: o ‘loop’ de Research que divide opiniões
Para caçar Latios, Latias, Terrakion, Virizion ou Cobalion, é preciso repetir as chamadas Hyperspace Surveys. A cada cinco varreduras especiais, o sistema libera um encontro garantido com um dos sete possíveis resultados. Keldeo e Meloetta, no entanto, permanecem shiny-locked, limitando o real objetivo a apenas cinco criaturas brilhantes.
Com Shiny Charm e Donut de Poder Cintilante nível 3 — receita que exige 420 itens doces — a probabilidade de 1:512 agrada, mas vem acompanhada de um processo maçante: surgem o lendário, salva-se o jogo, confere-se a coloração, reinicia-se a área. Esse ato de “spawn e despawn” rápido lembra farm de item em RPG, mas sem o carisma de chefes variados ou o fator cooperativo de títulos independentes como Choppy Cuts.
Aventuras Dynamax: o legado cooperativo que ainda encanta
Lançado em 2020 na DLC A Tundra da Coroa, o modo Aventuras Dynamax mantém quatro treinadores — humanos ou bots — em dungeons curtas com caminhos ramificados. Ao fim, há sempre um lendário gigante aguardando. A garantia de encontro, aliada à taxa de aproximadamente 1:100 de brilhar um Pokémon com o charme ativo, transformou a rotina em evento comunitário.
O design colaborativo, concebido pelo diretor Shigeru Ohmori, permitiu socialização orgânica: estratégia de escolha de movimentos, torcida coletiva a cada captura e compartilhamento instantâneo de vitórias nas redes. Mesmo hoje, muita gente alterna entre o Switch moderno e cartuchos de Sword and Shield para reviver essas sessões — reflexo semelhante ao êxodo de usuários do Steam que preferem builds antigas, apesar de facilidades recentes como a configuração de idioma detalhada em avaliar só críticas no próprio idioma.
Imagem: Internet
Variedade, ritmo e fator surpresa: pontos onde Z-A ainda tropeça
Enquanto Dynamax exibe rotação quase completa de lendários de gerações anteriores, Legends: Z-A restringe a lista a um grupo específico. A limitação prejudica a sensação de frescor, sobretudo para quem já possui as variantes brilhantes de Ho-Oh, Lugia ou Giratina em versões passadas.
O ritmo também pende para o repetitivo. Após entender o padrão de Surveys, nada muda visualmente: mesmo cenário, mesmos efeitos sonoros, sem escalonamento de dificuldade. Falta o elemento “o que virá depois?” — charme presente em maratonas de Aventuras Dynamax. É o tipo de oxigênio de conteúdo que mantém outras franquias Nintendo em alta, como a especulação sobre Metroid Prime 2 e Pikmin 2 chegando ao Switch Online, citada em relatos de bastidores.
Vale a pena embarcar em Pokemon Legends: Z-A?
Para quem valoriza ambientação expandida e quer ver Game Freak lapidar o conceito estreado em Lendas: Arceus, Pokemon Legends: Z-A oferece uma jornada competente. A aventura solo ressalta a escrita sucinta de Matsumiya e mostra que a equipe sabe construir trilhas narrativas sem cortar a ação.
Já o caçador de shinies que busca variedade imediata, interação com amigos e ritmo imprevisível pode sentir falta do espetáculo de Sword and Shield. Aventuras Dynamax continuam como case de design social, mesmo com cinco anos de estrada.
Blockbuster Online seguirá acompanhando qualquer atualização que ajuste a taxa de brilho ou expanda a lista de criaturas, pois a discussão sobre métodos de caça permanece tão viva quanto a busca por qualidade de vida em mundos virtuais.
