Ninguém esperava que a celebração de 30 anos de Pokémon começasse com suspense. Anunciados para 27 de fevereiro, os remakes Pokémon FireRed e Pokémon LeafGreen chegaram às páginas da eShop por US$ 19,99 cada e chamaram atenção ao prometer, logo de cara, integração “em breve” com o serviço Pokémon Home.
Horas depois, a frase desapareceu sem explicação e levantou a maior dúvida entre fãs antigos: será que finalmente veremos os monstros da primeira geração convivendo com criaturas modernas no Nintendo Switch ou a compatibilidade voltou para o limbo?
Anúncio embalado pelo aniversário de 30 anos
Nintendo e The Pokémon Company revelaram a dupla de jogos em 20 de fevereiro, colocando a estreia exatamente na data em que a franquia completa três décadas. A estratégia de venda individual — sem incluir os títulos no serviço Nintendo Switch Online — destaca a proposta de transformar os remakes em peças de coleção, algo semelhante ao que muitos colecionadores sentiram quando o livro de arte de Final Fantasy Tactics ganhou pré-venda limitada.
Os remakes, tecnicamente criados na era do Game Boy Advance, mantêm visual 2D clássico, som com leves retoques e todas as mecânicas de 2004, incluindo a National Pokédex até a terceira geração. É justamente aí que entra — ou deveria entrar — o Pokémon Home, serviço que centraliza transferências entre jogos modernos.
Sumiço da menção ao Pokémon Home deixa comunidade em alerta
A informação sobre “suporte chegando em breve” foi retirada menos de 12 horas depois da publicação original. Nas redes sociais, treinadores experientes lembraram que algo parecido ocorreu com Sword & Shield em 2019; à época, o aplicativo só recebeu integração três meses após o lançamento.
No entanto, a ausência do texto oficial gerou especulações de que o recurso teria sido cancelado ou adiado indefinidamente. O timing é sensível, já que um Pokémon Presents de 25 minutos está marcado para 27 de fevereiro, 6 h PT, ocasião perfeita para esclarecer a questão. Entre os palpites, alguns imaginam que a Big N pretende destacar apenas elementos prontos para o “dia um” e evitar frustração caso a atualização demore mais do que o previsto.
Completar a Pokédex pode depender da compatibilidade
Nos cartuchos originais de GBA, zerar o jogo e atingir 100% da Pokédex exigia troca com Ruby, Sapphire ou Emerald, inexistentes no híbrido da Nintendo. A menos que a empresa surpreenda com ports de toda a terceira geração em breve, a rota mais prática seria usar o Pokémon Home para importar espécies exclusivas desses títulos.
Vale lembrar que, atualmente, levar um Charizard capturado em 2004 até o Switch envolve uma verdadeira maratona: enviar ao Nintendo DS, migrar ao 3DS (via Pokémon Bank) e só então ao Home. Caso o suporte direto seja confirmado, FireRed e LeafGreen se tornarão a ponte mais rápida já vista entre a era 32 bits e o console atual.
Além disso, jogos como Pokémon Colosseum e Pokémon XD: Gale of Darkness, também anunciados para o catálogo do Switch Online, dependem dessa cadeia de transferências. Sem Home nesses títulos, a conclusão da National Pokédex continuará sendo privilégio de quem ainda guarda hardware antigo funcionando.
Imagem: Internet
Histórico de lançamentos sugere atraso, não cancelamento
A série carrega tradição de atualizar serviços de transferência meses após o lançamento físico. Pokémon Brilliant Diamond e Shining Pearl, por exemplo, só passaram a conversar com o Home em maio de 2022, coincidindo com a chegada de Legends Arceus ao app.
Especialistas em preservação de jogos apontam dois fatores para o ritmo lento: testes de compatibilidade entre centenas de espécies e a necessidade de mapear como cada golpe, habilidade ou item se comporta nas diferentes engines. Mesmo que o marketing atual foque no prazer nostálgico de revisitar Kanto, seria contraproducente descartar a função mais pedida pela comunidade.
Enquanto isso, colecionadores permanecem atentos a cada pista. Alguns lembram que a escassez de kits de desenvolvimento para o sucessor do Switch vem irritando estúdios terceirizados, conforme relatado em notícias de bastidores. A prioridade da Nintendo pode estar dividida entre fechar o ciclo do console atual e preparar terreno para sua próxima geração.
Vale a pena embarcar nos remakes?
No cenário mais provável, Pokémon FireRed e Pokémon LeafGreen chegarão sem troca externa no lançamento, oferecendo experiência purista: captura dos 150 originais, bônus de Johto liberados no pós-jogo e batalhas link local. Para quem sente falta daquele cartucho vermelho ou verde, o pacote nostálgico entrega o essencial.
Porém, se o objetivo do jogador é reunir todas as criaturas em um único aplicativo, a recomendação é acompanhar o Pokémon Presents antes de bater o martelo. A sincronização com Pokémon Home transformaria os remakes em peça-chave do ecossistema da franquia, reduzindo drasticamente o calvário logístico de transferir monstros entre gerações.
Enquanto a resposta oficial não chega, Blockbuster Online segue de olho no desenrolar dessa novela. Afinal, a simples remoção de uma linha de texto já foi suficiente para incendiar fóruns inteiros e mostrar a força que a palavra “compatibilidade” tem para a comunidade Pokémon.
