Não se deve invocar a ex-deputada Gabbie Giffords para argumentar por que esse tipo de cenário de oportunismo “arrancado das manchetes” (ou o que quer que seja) é nojento. Ele lança uma mortalha sobre o resto do filme, que não teria muito a oferecer, mesmo sem essa postura de macho alfa.

Neeson interpreta Travis Block (o escritor Nick May deve ler um manual de roteiro afirmando que dar as iniciais de seu violento herói Travis Bickle é uma espécie de amuleto de boa sorte) um cara disfarçado, mesmo para os padrões disfarçados, do FBI que se especializa em tirar agentes disfarçados regulares de engarrafamentos. Nós o vemos primeiro correndo para um conclave caipira-branco-supremacista adjacente a DC para resgatar um agente muito profundo. Ele consegue isso através de prestidigitação e propano e um sinalizador. No escritório de seu amigo, o diretor do FBI Gabriel Robinson (Aidan Quinn, canalizando Josiah Bartlet Gone Bad de Martin Sheen) diz a Travis – que também é seu melhor amigo, é claro – “Agradeço por fazer isso acontecer”.

Mas a coisa que Travis mais quer fazer acontecer nesta fase tardia da vida é tempo de qualidade com sua neta, em que a filha de verdade se recusa. A paranóia de Travis não é boa para a criança, ela reclama, assim que a criança está abrindo o presente de aniversário do vovô: uma lanterna com um taser doo-hickey embutido. Enquanto isso, o personagem de Smith acaba se chamando Dusty e acontece que ele também é um agente disfarçado. Um que está prestes a contar a um jornalista de cruzada (Emmy Raver-Lampman) sobre sua parte – e da agência – no assassinato de Flores.

Block não acredita nisso a princípio – décadas no trabalho e ele ainda acredita que o establishment seja essencialmente econômico, corajoso, limpo e reverente. Logo, é claro, as escamas caem de seus olhos. E eventualmente ele deve confrontar o homem que etcetera etcetera.

Os cenários de ação são superficiais. Suponho que seja louvável que eles não subam ou desçam ao nível do cinema de caos, mas da mesma forma eles são tão sem vida que você pode desejar que eles o façam. E o roteiro, tirando o oportunismo grosseiro, é terrivelmente surrado. As razões de Robinson para suas ações ilegais e malignas nem existem; eles apenas são. Você sabe, as forças vilãs nos clássicos da paranóia dos anos 70 como “Three Days of the Condor” e “The Parallax View” pelo menos tinham um ethos, Donnie.

Agora em cartaz nos cinemas.

Fonte: www.rogerebert.com

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