O sexto capítulo de Star Trek: Starfleet Academy, intitulado “Come, Let’s Away”, chega como ponto de virada na temporada e injeta uma dose extra de suspense ao revelar a estação ultrassecreta J19-Alpha. Dirigido por Larry Teng e escrito pela dupla Kenneth Lin e Kiley Rossetter, o episódio empilha escolhas ousadas que culminam em uma tragédia de proporções galácticas.
De volta à trama, Nus Braka, interpretado por Paul Giamatti, arma um falso resgate contra híbridos canibais – os temidos Fúrias – apenas para saquear a instalação da Federação e fugir com armas experimentais. O resultado imediato é devastador: milhares de mortos e o vilão elevado ao posto de indivíduo mais procurado da galáxia, como decreta o almirante Charles Vance (Oded Fehr).
Atuações que carregam a tragédia
Paul Giamatti toma conta da tela desde a primeira cena. Seu Nus Braka mistura cinismo, charme sujo e algo próximo de diversão mórbida, criando um antagonista que domina cada diálogo. O ator transita entre a afabilidade calculada e o desespero frio quando percebe que o plano avança sem percalços, provando mais uma vez por que é um dos intérpretes mais versáteis de sua geração.
Holly Hunter, no papel da capitã Nahla Ake, assume a responsabilidade de confrontar o desastre. A atriz veste a farda com autoridade e vulnerabilidade em doses idênticas, oferecendo nuances que lembram o vigor emocional visto em obras de peso, como o drama médico de The Pitt, que também se apoia na força do elenco. Sua expressão ao descobrir a verdadeira meta de Braka resume o luto coletivo dos cadetes, além de reforçar a gravidade da traição.
Entre os novatos, Sandro Rosta exibe crescimento rápido como o cadete Caleb Mir, equilibrando adrenalina juvenil e senso de responsabilidade recém-adquirido. O conjunto de intérpretes mirins mostra coesão, algo essencial num enredo que exige reações genuínas ao horror – afinal, a série desenvolve a dor de perder companheiros em um simples exercício escolar que virou carnificina.
Direção de Larry Teng intensifica o cerco
Conhecido por seu trabalho em produções de ação, Larry Teng investe em enquadramentos cerrados dentro do casco abandonado da USS Miyazaki, o que transmite claustrofobia e mantém o espectador tão acuado quanto os cadetes. Quando os Fúrias avançam, a câmera chacoalha levemente, mas nunca perde o eixo narrativo, garantindo legibilidade aos confrontos – escolha que merece nota, já que monstros carnívoros podem facilmente virar um borrão sem foco.
O diretor também dosa momentos de silêncio total antes dos ataques. Essa pausa cria uma antítese ao barulho explosivo que vem na sequência, reforçando o choque. Além disso, Teng intercala planos do interior sombrio da nave com os corredores assépticos da estação J19-Alpha, sublinhando visualmente o contraste entre o abandono e o segredo tecnológico guardado pela Federação.
Roteiro de Kenneth Lin e Kiley Rossetter amplia a mitologia
Lin e Rossetter aproveitam o retorno de Braka para expandir o universo de Star Trek: Starfleet Academy. O roteiro estabelece paralelos claros com a antiga Daystrom Station, citada em produções anteriores, mas evita a armadilha de se apoiar demais no passado. Ao inserir J19-Alpha, os escritores insinuam um legado de instalações clandestinas que atravessam séculos – e o fã atento imediatamente se pergunta: onde está a famigerada Seção 31 no século XXXII?
O texto recupera essa organização de inteligência apenas por alto, deixando no ar a hipótese de sua dissolução ou atuação ainda mais subterrânea. A decisão é acertada: reacender o mistério sem hipotecar o foco da série, que continua sendo a formação dos cadetes. Enquanto isso, o diálogo entre o almirante Vance e a capitã Ake revela que as armas roubadas podem desequilibrar forças interplanetárias, elevando o stakes da temporada.
Imagem: Internet
Outro ponto forte do roteiro está na construção dos Fúrias. Em poucos minutos o espectador entende a ameaça biológica, a repulsa que causam e o uso que Braka faz deles como peões. A dupla de roteiristas mergulha em horror corporal, lembrando o terror cósmico ressuscitado em O Nevoeiro de Mike Flanagan, mas sem desviar o tom essencialmente militarista da franquia.
Impacto na cronologia e futuro da franquia
Com os segredos de J19-Alpha agora nas mãos do inimigo, a narrativa abre espaço para tramas políticas e possíveis alianças inusitadas. Se a Seção 31 ainda existe, há chances de a organização emergir para tentar recuperar o material roubado, o que deixaria os cadetes no fogo cruzado. Caso contrário, Starfleet terá de reconquistar sua credibilidade diante de planetas aliados que já questionam a transparência da Federação.
O episódio também reforça a necessidade de evolução tecnológica na Academia. Após o choque, a liderança de Ake deve revisar protocolos, treinamento e talvez instalar defesas mais robustas em missões de campo. Nesse sentido, a série faz eco às discussões de segurança recorrentes em outras obras de gênero, como a maratona policial de Absentia, pontuando como a falta de preparo pode custar vidas.
Além do enredo, a presença de estrelas do calibre de Giamatti e Hunter sinaliza que Star Trek: Starfleet Academy pretende manter o holofote em personagens bem desenhados. A oportunidade de acompanhar performances densas dentro de um universo favorito é trunfo para o Paramount+, plataforma que exibe a produção a partir de 15 de janeiro de 2026.
Vale a pena acompanhar Star Trek: Starfleet Academy?
Para quem busca uma mistura de suspense militar, ficção científica e atuações afiadas, o sexto episódio reforça que a série sabe onde quer chegar. A conjugação de cenas tensas, roteiro enxuto e direção segura coloca Star Trek: Starfleet Academy entre os títulos de streaming que merecem atenção semanal.
O arco de Nus Braka acrescenta risco real, enquanto J19-Alpha puxa fios de conspiração que prometem ecoar nos capítulos restantes. A produção alia nostalgia ao frescor de uma nova geração de cadetes, criando conexões afetivas sem depender apenas do passado da franquia.
Portanto, a julgar pela repercussão deste capítulo e pela entrega de seu elenco, Star Trek: Starfleet Academy confirma que o investimento do espectador – e do próprio Blockbuster Online em cobrir cada detalhe – encontra retorno em trama envolvente, tecnicamente sólida e carregada de mistério. Quem ainda não embarcou, talvez descubra na estação secreta o ponto exato para acionar os motores de dobra rumo a uma jornada de alta adrenalina.
