Super Choque sempre foi um dos rostos mais carismáticos das HQs dos anos 2000. Apesar da popularidade conquistada com a animação exibida no Brasil e com as histórias da linha Milestone, o adolescente elétrico desapareceu das principais publicações da DC quase sem explicação.
Agora, a editora finalmente detalha o motivo desse hiato em “Nova História do Universo DC: O Incidente em Dakota”, minissérie prevista para 2026. A revelação muda a percepção sobre o herói e adiciona uma camada política à sua mitologia.
Super Choque retorna ao centro da narrativa
A palavra-chave “Super Choque” volta a ganhar força com a nova minissérie. O roteiro, assinado pela dupla Reginald Hudlin e Nikolas Draper-Ivey, amarra pontas soltas de quase duas décadas. Eles resgatam elementos da série animada e da fase original de Dwayne McDuffie, mas inserem um tom mais maduro, próximo da proposta de Milestone.
Hudlin encara a trama como um “documentário dramatizado” dentro da própria cronologia. A estrutura utiliza depoimentos, reports de TV e trechos de inquéritos para contextualizar a crise em Dakota. Essa abordagem empresta ritmo de thriller, algo que lembra o clima frenético de produções recentes como o suspense policial de Rebel Ridge.
Presidência de Lex Luthor insere crítica social
O ponto de virada recai sobre Lex Luthor. Ao assumir a presidência dos Estados Unidos dentro do cânone, o vilão usa o cargo para redirecionar a ira popular após um escândalo envolvendo forças federais. Segundo a HQ, agentes do governo testaram gás experimental em comunidades marginalizadas de Dakota, provocando o famoso “Big Bang” que deu poderes a centenas de jovens.
Para fugir das acusações, Luthor transforma Super Choque e demais heróis da Milestone em bodes expiatórios. A estratégia ganha contornos de propaganda clássica: manchetes sensacionalistas, entrevistas plantadas e politização do medo. É nesse ponto que o quadrinho se distancia do escapismo e abraça o comentário sociopolítico, algo que outros títulos da DC têm explorado desde “1938”.
Acordo secreto coloca a cidade em primeiro plano
Com a pressão federal, Virgil Hawkins — identidade civil de Super Choque — aceita um acordo inusitado. Ele e seus colegas deixam de atuar como vigilantes em troca do encerramento das investigações. O ato sacrifica fama e reconhecimento, mas protege Dakota da ocupação militar.
Hudlin e Draper-Ivey dedicam um capítulo inteiro às consequências desse pacto. Sem uniforme, Virgil investe em projetos comunitários, mentorias e infraestrutura. Essa guinada lembra a discussão sobre impacto social vista no drama corporativo de Halt and Catch Fire, só que transposta para o universo dos super-heróis. O resultado entrega momentos intimistas que fazem o leitor questionar a própria definição de heroísmo.
Imagem: Internet
Repercussão na cronologia da DC
Ao justificar o afastamento do personagem, a minissérie soluciona um dos maiores “furos” da cronologia pós-Crise Infinita. A editora confirma que o sumiço não foi causado por baixa popularidade ou por troca de editores, mas por uma conspiração de Estado. Isso abre espaço para que futuras sagas, como “Crise das Sombras” anunciada para 2027, utilizem Dakota como peça-chave na luta contra regimes autoritários.
Além disso, o enredo reposiciona Super Choque no patamar de figuras como Raio Negro e John Stewart. Todos compartilham a vivência de minorias que enfrentam sistemas opressivos. Essa convergência é vista por analistas como movimento estratégico para diversificar o panteão da DC, aproximando-se de tendências do MCU na fase multicultural, discutida no artigo sobre MCU Fase 5.
Vale a pena acompanhar O Incidente em Dakota?
A arte de Nikolas Draper-Ivey emprega cores saturadas para representar descargas elétricas e o caos urbano, enquanto suaviza tons no bloco dedicado ao acordo político. Essa variação reforça o contraste entre adrenalina heroica e burocracia corrosiva.
No roteiro, Hudlin trabalha diálogos ágeis e metáforas diretas, sem medo de inserir termos como “ataque químico” ou “fake news”. A mistura de linguagem jornalística, painéis widescreen e notas de rodapé confere dinamismo ao volume e combina com a proposta de Blockbuster Online de cobrir entretenimento com profundidade.
Para leitores saudosos da época em que Super Choque dominava a TV aberta, “O Incidente em Dakota” oferece respostas e, sobretudo, abre caminho para novos capítulos. Mais do que explicar uma ausência, a obra resgata a relevância do herói para questionar quem manipula a narrativa em tempos de crise.
