Terraria parecia ter encontrado um patamar estável na última meia década, mas o update 1.4.5 mudou tudo. Bastaram poucas horas para o veterano sandbox 2D se colocar novamente entre os cinco títulos mais jogados da Steam.
Com picos superiores a 228 mil usuários simultâneos, a criação da Re-Logic demonstra fôlego raro para um indie lançado em 2011 e reforça como grandes revisões de conteúdo ainda ditam o ciclo de vida dos games de serviço.
Atualização 1.4.5: o que mudou no clássico de 2011
O patch batizado de Bigger & Boulder chegou depois de um pequeno atraso, mas entregou exatamente o tipo de overhaul que os fãs esperavam. A começar pela interface de crafting, completamente redesenhada para reduzir cliques e exibir pré-requisitos de forma mais intuitiva. A mudança é simples, porém impacta do início ao endgame.
Outra adição bem-vinda foi o pacote de armas inéditas, que varia de bestas de longo alcance a martelos que se beneficiam do novo sistema de física para esmagar inimigos em cadeia. A Re-Logic ainda introduziu um punhado de biomas secretos, resgatando o senso de descoberta que colocou Terraria na mesma prateleira de No Man’s Sky quando o assunto é exploração.
Direção de arte se renova sem perder identidade
Visualmente, o patch aposta em sutilezas. Texturas receberam sombras extras, partículas ganharam densidade e o paralaxe do cenário agora faz jus a monitores 4K. A direção de arte de Andrew Spinks continua pixelada, colorida e imediatamente reconhecível, mas abraça pequenos luxos modernos.
A trilha sonora também recebeu atenção: faixas clássicas foram remasterizadas com canais adicionais e novas composições se adaptam ao ciclo dia/noite. O trabalho de Scott Lloyd Shelly mantém o DNA chiptune, porém com mixagem mais limpa, ecoando a estratégia de remaster que jogos como Highguard vêm tentando para recuperar público.
Roteiro emergente ainda é o personagem principal
Terraria nunca precisou de cutscenes ou diálogos extensos. O “roteiro” nasce das interações imprevisíveis entre jogador, inimigos e ambiente. Mesmo assim, a equipe aproveitou o update para inserir notas de NPCs que aprofundam a mitologia do mundo: pequenos diários e referências cruzadas ao crossover com Palworld explicam a origem de certos itens.
Essa abordagem de storytelling não linear lembra projetos independentes recentes, como The Legend of Khiimori, e reforça que o enredo de Terraria continua entregue nas mãos do jogador. A liberdade permanece a maior “personagem” do game.
Imagem: Internet
Performance técnica garante estabilidade nos picos de 228 mil jogadores
Nem todo jogo envelhece bem quando a base de usuários quadruplica de um dia para o outro. Desta vez, o backend aguentou firme: sem filas de login e com latência estável mesmo nos chefões multiplayer. Mérito do estúdio, que revisou código de rede e otimizou servidores regionais.
Além disso, a Re-Logic corrigiu exploits antigos ligados ao inventário e implementou anticheat mais agressivo. O resultado é uma experiência fluida, fundamental para convencer veteranos a voltarem e novatos a permanecerem, algo que títulos do porte de Highguard ainda perseguem.
Vale a pena revisitar Terraria em 2026?
Para quem abandonou o jogo após Journeys End, a resposta é sim. O conteúdo adicional, as melhorias de qualidade de vida e a comunidade revitalizada formam uma porte de entrada generosa. Já os novatos encontram hoje a melhor versão possível de um clássico que inspirou dezenas de sucessores.
Blockbuster Online lembra que, mesmo quase quinze anos depois, Terraria continua custando menos que um ingresso de cinema, oferece suporte constante e já vendeu mais que o Super Mario Bros. original. Em tempos de remakes, ver um indie evoluir sem perder identidade é raro.
Se o objetivo é experimentar um sandbox 2D com profundidade de RPG e desafios de jogo de sobrevivência, Terraria 1.4.5 entrega exatamente isso, agora com servidores lotados e estabelecendo novos picos de popularidade na Steam.
