Quase 15 anos depois de Skyrim, a ansiedade por The Elder Scrolls VI só cresce. Enquanto a Bethesda mantém silêncio absoluto, ex-funcionários ajudam a preencher o vácuo de informação.
Bruce Nesmith, que liderou o design de Skyrim, explicou por que acredita que o novo capítulo vai evitar amarrar pontas soltas da guerra civil entre Império e Stormcloaks. A análise traz pistas valiosas sobre o rumo que os roteiristas podem tomar.
O que Bruce Nesmith revelou sobre The Elder Scrolls VI
Em entrevista recente, o veterano foi direto: “Acho que eles vão deixar o resultado indefinido ou sugerir que ninguém venceu de fato”. O raciocínio segue uma filosofia interna que ele apelidou de “guardar os brinquedos”.
No jargão de Nesmith, “guardar os brinquedos” significa restaurar o palco para que novas histórias possam ocorrer sem amarras excessivas. Ou seja, decisões grandiosas ficam restritas à trama principal; linhas paralelas precisam de um ponto final neutro para não atrapalhar futuros roteiros.
O ex-designer se diz fora do ciclo de produção desde 2021, mas confia que a equipe de Todd Howard continuará aplicando a mesma lógica vista em Fallout 4 e, claro, em Skyrim. Na prática, seria uma forma de preservar a sensação de liberdade — marca registrada da franquia.
Essa abordagem também garante que, independentemente da facção escolhida pelo jogador em 2011, The Elder Scrolls VI não terá de carregar todas as consequências canônicas, simplificando a escrita de diálogos, missões e reações de NPCs.
Impacto na narrativa de The Elder Scrolls VI
Manter a guerra civil em aberto traz vantagens claras para os roteiristas. Primeiro, elimina a necessidade de criar múltiplas versões de cada evento histórico, algo que exige tempo e orçamento. Segundo, dá flexibilidade para situar a nova aventura longe de Skyrim, talvez em Hammerfell, rumor que circula nos fóruns há anos.
Se o enredo migrar para regiões como Hammerfell ou High Rock, o conflito nórdico pode ser citado apenas em livros espalhados por tavernas ou em conversas de passagem. Esse formato já foi usado em Oblivion, que mencionava a crise da Montanha Vermelha em Morrowind sem transformá-la em foco principal.
Nesmith aponta que “não existe cantinho pobre em potencial narrativo em Tamriel”. Logo, qualquer província poderia servir de palco, desde que a equipe queira explorar novos climas, culturas e, principalmente, mecânicas inéditas de jogo — outro elemento que prende a atenção do público do Blockbuster Online.
Essa decisão, por sinal, ecoa uma estratégia comum na indústria: evitar mudanças radicais na linha do tempo para não limitar DLCs ou futuras continuações. Quem acompanha títulos como Hytale, que acelera atualizações e mantém diálogo aberto com jogadores, sabe o peso de preservar uma base narrativa flexível.
Imagem: GameRant
Possíveis cenários para a guerra civil de Skyrim em The Elder Scrolls VI
Deixar a disputa sem vencedor não significa varrer tudo para debaixo do tapete. A equipe de Bethesda Game Studios pode adotar três caminhos plausíveis:
- Dissolução temporária – O conflito teria chegado a um impasse, com um cessar-fogo frágil. Isso explica por que nenhum lado domina e ainda permite referências a tensões latentes.
- Vitória parcial e contestada – Alguma facção ganhou terreno, mas enfrenta resistência interna. Permite quests envolvendo emissários buscando reforços em outras províncias.
- Esquecimento geográfico – A nova trama se passa tão longe que o resultado não afeta a rotina local. Notícias de Skyrim chegam apenas em cartas ou menções breves.
Cada opção atende à ideia de Nesmith de “guardar os brinquedos” e, ao mesmo tempo, dá material para missões secundárias cheias de política e intrigas, ingrediente que fãs de RPG valorizam.
Outro ponto: se os roteiristas optarem por Hammerfell, podem explorar as tensões entre Alik’r, Forças Cidadãs e o Alto Conselho, problemáticas que não dependem do destino de Ulfric ou do General Tullius. Esse distanciamento evita contradições e torna o texto mais enxuto.
Como o legado da Bethesda pesa na decisão
Desde Morrowind, a equipe de Todd Howard mostra preferência por histórias que mudam o mundo apenas até certo ponto. Em Oblivion, fechar os Portões de Oblivion era uma vitória épica, mas as consequências não impediam novas tramas. No próprio Skyrim, a destruição de Alduin não alterou vilas ou rotinas de forma permanente.
Essa tradição tende a continuar. A mesma lógica explica por que sete jogos deixam o Xbox Game Pass periodicamente, como mostra a rotação recente do serviço: manter a biblioteca flexível reduz custos e amplia possibilidades de contrato. Guardadas as proporções, a mecânica narrativa de “reinicialização suave” sustenta a longevidade da franquia.
Nesmith também comentou que, para histórias menores — como as da Guilda dos Ladrões ou dos Companheiros —, é essencial não fechar portas. Se um escritor futuro quiser revisitar a Guilda em The Elder Scrolls VII, precisa encontrar o palco sem marcas profundas demais. Essa visão colaborativa protege o universo compartilhado.
Do ponto de vista de performance, Todd Howard atua como showrunner, ajustando tom, ritmo e coerência. Já os roteiristas têm a missão de equilibrar exposição e liberdade do jogador, algo mais complexo do que parece, pois cada diálogo precisa funcionar tanto para veteranos quanto para quem chegar agora.
Vale a pena esperar por The Elder Scrolls VI?
Com lançamento estimado para 2026, The Elder Scrolls VI ainda é um mistério em construção. Porém, as declarações de Bruce Nesmith indicam que Bethesda pretende preservar a essência da série: mundos vastos, escolhas pessoais e nenhuma barreira canônica que limite aventuras futuras. Para quem viveu milhares de horas em Skyrim, o novo capítulo promete terreno fértil para recomeçar — mesmo que o destino da guerra civil continue, propositalmente, na névoa das montanhas geladas.
